Algumas grandes pessoas imaginárias que em algum dado momento você inventou para fugir de algum compromisso, convenção social ou evento familiar, devido ao fato de que você é muito tímido para dizer não e inseguro demais para contrariar abertamente seus amigos e conhecidos

Gob-Bluth-and-Franklin-Bluth

a garota muito gata em quem você tava chegando: eles insistiram demais. você disse que não no bar, mas ele perguntaram de novo no outro dia, você falou que não podia pelo facebook mas te mandaram mensagem no whatsapp, você desligou o celular mas telefonaram no fixo, você tirou o fixo do gancho e no mesmo instante a campainha tocou e era só o cara do delivery mas mesmo assim. ficou o susto e a comidinha chinesa desceu com gosto de terror. você já tinha tentado ser sincero antes mas não tinha rolado – “quem fica em casa vendo buffy num sábado a noite, cara, que isso”. você já tinha tentado mentiras mais sutis mas não tinha rolado – “a gente não se importa se o campeonatinho do modo ultimate do fifa que vale mais pontos acaba em doze horas, fera”. você já tinha apelado até mesmo para desculpas que numa época mais antiga tinham dado certo, mas sem sucesso – “tu disse que sua mãe tava doente mas ela tá postando no facebook foto na praia, joão, que doença é essa?”. mas nada disso funcionou e você decidiu apelar. “cara, não posso, vou sair com uma gostosa” – “opa, a gente conhece?” – “não…não conhece…ela…ela…é de macapá. tá no rio de passagem, tem que ser hoje” – “e tem amiga?” – “não tem, nunca teve…quer dizer, veio sozinha” – “que beleza, se rolar depois encontra com a gente então”. você fica em casa mas gasta 2 horas da sua noite escrevendo uma espécie de bio da menina imaginária, envolvendo interesses (“gosta de cinema europeu, cachaça da roça, programa roletrando”), passado (“trancou a faculdade de sociologia no meio pra mochilar pelo estado de goiás”) e hábitos (“uma vez ela quis chutar um chihuahua e eu tive que impedir”). no dia seguinte ninguém te pergunta nada sobre o encontro imaginário e você se sente um pouco rejeitado.

o filho pequeno: em sua defesa você pode dizer que não foi você que começou. tavam faltando apenas vinte, te falaram que lá era legal de trocar figurinhas, você arrumou suas repetidas num bolinho, levou a folha com as que faltavam, foi pro local. chegando lá, meio que um paraíso: apenas adultos, todo mundo com as figurinhas organizadas, a troca fluindo bonita, ninguém dizendo que só trocava prateada por prateada, um cara tinha aquele goleirinho de gana que tava muito foda de arrumar. a senhorinha te perguntou se o álbum era pra você, você sorriu e disse que sim, claro, aí ela disse que tinha muito pai fazendo isso mesmo, um álbum pra ele e outro pro filho. enquanto você articulava a frase “mas que fi…” você levantou a cabeça e notou que subitamente tinham aparecido várias crianças, já que você estava numa porta de colégio e todo mundo tava ali pra buscar o seu respectivo filho. então você sorriu, disse que o otavinho e você tavam montando o álbum juntos e discretamente caminhou para o fim da rua. outras ocasiões em que você usou o nome “otavinho” para seu filho imaginário: quando discutiu no mcdonalds por causa do brinde do mclanche, quando comprou aqueles action figures na rihappy, quando entrou na loja, perguntou se tinha aquela cueca do homem-aranha em tamanho m adulto, ela perguntou se era pro seu filho, você falou que sim, otavinho é uma criança enorme de gorda.

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1 comentário

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Uma resposta para “Algumas grandes pessoas imaginárias que em algum dado momento você inventou para fugir de algum compromisso, convenção social ou evento familiar, devido ao fato de que você é muito tímido para dizer não e inseguro demais para contrariar abertamente seus amigos e conhecidos

  1. Pô, faltou o clássico “amigo do meu primo” (que também aceita a variação “primo do meu amigo”)!

    p.s: Hey, Beavis, “roletrando”… Huh huh…

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