Arquivo da categoria: Declaração de princípios

Do eterno dilema bumbum/virilha

muppets

E então você está lá com a gatinha no cinema. A noite é bonita, a conversa é interessante, a previsão do tempo garantia chuva mas o único clima que você consegue perceber é de romance. A pipoca está gostosa, as balinhas estalam na boca com doçura e a vida parece curta, mas não tão curta quanto aquela sainha sensacional que ela está usando – você já consegue imaginar aqueles belos joelhos tocando os seus durante essa simpática sessão cinematográfica. O filme é de terror, ela disse que sente medo, perguntou se pode segurar a sua mão e você sente que a vitória se aproxima, o sucesso é garantido e antes do final da noite você já vai ter chamado aquela linda de Terra de Vera Cruz e colonizado aquele corpinho todo.

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Mini-conto #17 – Uma breve justificativa

marshall

Eu ando tendo uns problemas no trabalho. Desgaste, cansaço, estão me impedindo de sair pra procurar outra vaga, coisas assim, sabe?  Tive uma conversa franca, tentei argumentar, apresentei propostas, mas as coisas não andaram. Aí um dia esperei todo mundo sair e escrevi nas cascas das bananas que eles deixam no cesto de frutas palavras como “morte”, “terror” e “medo”, de maneira que conforme as frutas forem amadurecendo e as letras forem ficando pretas eles imaginem que o nosso andar tem fantasmas.

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Sobre quadrinhos, perspectivas, histórias do Esquiador Escarlate e reboots da DC Comics

Acho que não é novidade pra nenhum de vocês aqui o fato de que eu gosto de quadrinhos. Afinal, eu faço referências freqüentes a personagens, eu costumo citar o Super-Homem mais vezes do que eu menciono meu irmão e possivelmente já argumentei mais de uma vez, de forma embasada, que é injusto que o cargo de “Lanterna Verde” não seja concursado, como todos os outros cargos policiais. Mas ainda que eu possivelmente pareça uma pessoa realmente interessada, empolgada e absorvida pelos quadrinhos de super-heróis, a verdade é que…bem…é muito pior. Sério mesmo.

Isso porque o que eu cito aqui quase sempre é apenas a ponta do iceberg e não retrata fielmente o nível de importância que os quadrinhos – majoritariamente os de super-heróis, ainda que eu leia diversos outros gêneros – tem na minha vida. Afinal, são praticamente vinte anos lendo diversos títulos mensais, conhecendo a fundo a cronologia de diversos personagens e editoras, me mantendo atualizado com os lançamentos que acontecem lá fora e fazendo parte de ambientes onde as pessoas realmente discutem até as vias de fato quem venceria numa luta entre Batman, Godzilla e Apollo Doutrinador, entre outras coisas. (por sinal, uma dica: sempre chute “Batman” em momentos assim)

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Minhas referências icônicas de romance (2 de 5)

O momento: A cena da despedida em Casablanca

O contexto: Num dos últimos momentos de um dos filmes mais importantes do século XX, Rick e Ilse se despedem logo antes que ela pegue o vôo junto com o mala do Victor Laszlo em direção a Lisboa para ajudar nos planos contra o Eixo. Rick neste momento sai de sua impassividade cool num gesto que não só sacrifica seus interesses pessoais como também colabora diretamente com a vitória dos Aliados na 2ª Guerra e de quebra nasce uma das cenas mais relembradas e recriadas da cultura pop e o clássico “sempre teremos Paris” que todo mundo passou a usar deliberadamente e sem o menor respeito, como em “sempre teremos o Rei do Mate” ou “sempre teremos aquela noite na casa da sua tia em que sua avó pegou no sono na cozinha e rolaram aqueles amassos debaixo da escada”.

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Pornô

E Sasha Grey se aposentou. Sim, essa espécie de Juscelino Kubitscheck da indústria do cinema adulto, que em apenas 5 anos de pornografia fez coisas que nós esperamos que nossas mães, tias e avós não tenham feito em 50 anos de vida, resolveu abandonar a careira no auge e seguir em direção a outras áreas mais tradicionais do entretenimento, deixando para trás as lembranças, os sites de streaming e os filmes com títulos envolvendo trocadilhos que ficaríamos constrangidos se tentássemos traduzir para o português. E é exatamente nesse momento de perda e de luto, de olhares compungidos e picos na busca do Google que nos deparamos novamente com um dos mais lastimáveis tipos de homem que o nosso século produziu: o cara que finge que não gosta de pornografia.

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“Your order has shipped” é o novo “eu te amo”

Desde moleque eu nunca gostei muito de comprar coisas. Eu tinha receio de lojas, medo de feiras, terror de shoppings e num dado momento da minha vida desconfio que termos como “saldão” e “queima de estoque” tenham me inspirado o mesmo grau de terror que “vamos incendiar sua casa e bater em você e nos seus entes queridos, na sua frente, usando uma imensa bisnaga de pão dormido”. Não, não que eu seja destituído do espírito consumista ocidental, não que eu seja desde pequeno obcecado por economia, não que eu tenha passado de garotinho de vida árcade para adulto pastoril hippie que não liga pra essas coisas e pode ser feliz com muito pouco, nada disso. É que eu realmente não sei lidar com vendedores.

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Problemas de gostar de escrever (seja lá o que for) #1 e #2

Persona literária: Várias pessoas têm uma grande dificuldade para aceitar que a relação entre você e o que você escreve pode ser um pouco mais complexa do que “estou triste/vou escrever algo triste” ou “estou feliz/vou escrever algo feliz”, existindo toda uma série de nuances nisso. Você pode estar exultante de felicidade e ter uma grande idéia pra uma história que termina com pessoas se suicidando ou mesmo estar na maior fossa do mundo (11036 m de profundidade, onde apenas aqueles peixes cegos e as músicas do Leoni sobrevivem) e acabar saindo alguma coisa engraçada que envolve tortas, ovos e aquele clipe de “Sing”, do Travis. Então tentar correlacionar diretamente o tipo de texto que você escreve ou as ações dos seus personagens com o seu estado de espírito real é quase sempre uma tarefa que tende a criar mal entendidos e fazer com que as pessoas te denunciem pra polícia só porque você escreveu sobre um coelho assassino ou terminem um relacionamento contigo porque um personagem secundário de um conto seu era meio galinha.

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Protegido: Se tu quiser que eu te leve eu aprendo a dirigir

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4 razões pelas quais eu não gosto de telefones

Rafinhapop

O falso senso de urgência inerente: Poucas pessoas notam, mas existe algo de claramente opressivo num telefone tocando. Primeiro pela idéia de urgência e dever que ele traz (você não pode deixar o telefone esperando, você não pode favoritar o telefonema pra ler depois, você não pode colocar na pasta “não-atendidos” e depois atender em casa, enquanto toma uma cerveja), depois pela postura claramente invasiva de qualquer tipo de ligação (é alguém fazendo contato sem aviso, sem hora marcada, sem combinar previamente o assunto, e quase sempre quando você está tomando um chocolate quente na máquina do corredor e sua chefe está do lado da sua mesa). Ou seja, o telefone, assim como um pedido de casamento, um interrogatório da polícia ou um cara de capa de chuva que aparece na frente do seu carro do nada em um suspense adolescente da década de 90 envolvendo a Jennifer Love Hewitt, é algo que exige de você uma resposta imediata. Ainda que sem o lance da mão de gancho, que era a parte legal do filme.

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Sobre reveillon, praia, abordagens, hipsters e rúgbi misto por equipes

Chega o final de ano, você recebe aquela proposta tentadora pra ir ver os fogos em Copacabana com seus amigos e várias coisas passam pela sua cabeça. “Vai estar muito lotado?”, “teremos pouco espaço?”, “verei multidões de pessoas de branco que em muito se assemelharão a figurantes do seriado Walking Dead?”, “possivelmente serei encoxado por pessoas estranhas como num imenso forró no modo shuffle?”, “terei que estar o tempo todo atento de forma quase neurótica aos meus pertences?”, “serei abduzido por uma raça alienígena superior?”.

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