Arquivo da categoria: Desocupações

Três ideias para programas de televisão que eu estou considerando se ofereço ou não para o canal Multishow

VaiPraOnde_MSW_Wide_7455279142738900826
Sentimento e Consideração com João Luis
– Um programa de entrevistas onde eu recebo celebridades para um bate papo descontraído com o plot twist de que meia hora antes das gravações tanto eu quanto a equipe e os entrevistados começamos a beber copos de cerveja e shots de tequila. Com isso o que antes era um papo superficial sobre carreira e o mundo do entretenimento se transforma numa conversa verdadeira sobre sentimentos profundos, amizade, gritos de “te considero pra caralho” e “se eu fosse travesti, eu queria que meu nome fosse joycy, com dois y, porque joy é alegria, sabe?”. No segundo bloco entraríamos numa profunda espiral de sentimentos, que envolveria telefonemas para a ex-namorada do convidado, ideias do tipo “sério, a gente tem que colocar fogo em alguma coisa” e culminaria num quadro externo em que sairíamos do estúdio pra confrontar meu pai sobre meus traumas de infância, talvez gritando com ele pelo interfone e dizendo “você nunca me amou de verdade”. No terceiro bloco retornaríamos ao estúdio, bateria a ressaca, o clima ficaria péssimo, ninguém nunca mais ia se falar. Não sei ainda se teria uma banda acompanhando ou não.

Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Desocupações, homens trabalhando, Sem Categoria, Televisão, trabalho

Sobre o terror primitivo do falo conceitual voador

superbad

Ainda que poucas pessoas costumem notar, de todos os xingamentos e praguejares existentes na língua portuguesa – uma língua rica em possibilidades de ofensas, que vão desde menções a genitais peludos como forma de extravasar raiva até informações sobre as opções vocacionais da mãe do outro como meio de ofensa – um dos mais graves, aterrorizantes e sinistros é o interiorano, comum e primariamente inocente “caralho de asa”.

Continuar lendo

6 Comentários

Arquivado em Desocupações, Mundo (Su)Real, Sem Categoria, situações limite, teorias, Vacilo

Grandes pequenos momentos conversacionais presenciados em aeroportos #67, #68 e #69

arrestd

#67 – o  telefonema ostentação:  quase sempre acontece numa fila. Pode ser a fila do embarque, poder ser a fila pra despachar mala, pode ser a fila pro detector de metais. Alguém na sua frente, ou atrás de você está falando ao celular. Mas não falando ao celular como você costuma estar num aeroporto, se despedindo da sua mãe, avisando pra namorada que vai chegar mais tarde. Não, essa pessoa está falando ao celular coisas importantes, ela está decidindo problemas, ela está tomando decisões. E ela está fazendo isso num volume muito alto, quase sempre mencionando o quão importantes são essas decisões, o quão críticos são esses problemas, o quão importantes são essas coisas importantes, além de sempre destacar, num volume mais alto ainda, o destino da viagem e quanto tempo ela vai ficar nesse lugar. Exemplo ilustrativo do telefonema ostentação: “Não, Selma, DIRETORA DE ESTRATÉGIA, eu não posso falar agora porque O PRESIDENTE me mandou nessa VIAGEM PARA MILÃO, onde estarei COMANDANDO A NEGOCIAÇÃO com os italianos, DURANTE SETE DIAS. E não, meu telefone IPHONE BEM CARO não tá com problemas de volume, por que você tá perguntando isso?”

Continuar lendo

2 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, Desocupações, homens trabalhando, Mundo (Su)Real, séries canceladas, Sem Categoria, situações limite, Vacilo

Mais algumas recentes adições ao guia cada vez mais pessoal de desconfortos cotidianos

troy-and-abed

#Você não lida bem com elogios, então sua primeira reação é dizer que não foi nada. “Não foi nada, que isso”, você diz. A pessoa insiste e você tenta dizer que não foi algo especial, nada de mais. “Você faria igual, sério, foi bem ok”. A pessoa não deixa quieto e diz que não tem nada de ok, ela nunca faria algo assim, foi bacana mesmo. “Que isso, é você sendo gentil, certeza que tem um monte de gente que faria melhor, claro”. A pessoa definitivamente gostou e diz que não, cara, melhor que ela já viu na vida, foi espetacular mesmo. “Mas foi na sorte, sabe? Tipo, eu não consigo sempre fazer assim, né?”. Mas o cara te acha um gênio, ele gostou mesmo, ele curtiu muito. “Não, mas você não tem ideia, esse saiu bom, você gostou, mas o resto? Pô, faço muita merda, é que você me viu numa hora boa, sabe? Assim, uma em um milhão”. Mas o cara não pára, ele diz que tá lindo, ele fala que tá sensacional, ele quer te dar um abraço. E então você diz que não. Que não é assim. Que você não é tão bom. Que é tudo uma farsa. Que você não faz aquilo tão bem, que você não é um bom profissional, não é um bom filho, que queria ser um namorado melhor, que fez aulas de natação mas não se sente seguro na piscina, que as vezes cospe quando fala, que não consegue mais viver essa mentira e quando você tá começando a mencionar que chorou logo após a sua primeira vez o cara já foi embora e bem, como eu tava dizendo, você não lida bem com elogios.

Continuar lendo

4 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, crise de meia meia idade, Desocupações, homens trabalhando, Rio, situações limite, Vacilo, Vida Pessoal

Por uma curta categorização das amizades e derivados com os quais a gente meio que não sabe lidar direito

_48160439_google_horse_boy_466

a garota de quem você ficou amigo com a intenção de “pegar” mas acabou nunca “pegando” e agora tem namorada e não vai mais “pegar” – no começo era tudo físico. o bar era lotado, era amiga do amigo de uma amiga, os olhares se encontraram, aquela troca de palavras que fingia simpatia e interesses em comum mas era na verdade apenas a versão conversinha da introdução instrumental de uma música do r. kelly. um precisou sair mais cedo, o outro disse pra procurar no facebook. se adicionaram, trocaram uma ou outra mensagem, agendas não batiam, datas nunca coincidiram e no meio dessa adorável confusão você conheceu sua namorada. bang. interesses repensados, atenção total e completamente redirecionada e nos últimos anos você apenas não deletou a menina no facebook e no twitter por um certo senso de culpa e uma ideia de que seria meio canalha descartar uma pessoa apenas porque não tem mais intenção de fazer sexo com ela. nesse instante ela está postando um texto sobre como votar 0000 nas eleições vai obrigar o brasil a voltar pra monarquia e você está se perguntando como tem gente que reclama da monogamia.

Continuar lendo

3 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, Desocupações, Gente bizarra, romantismo desperdiçado, Sem Categoria, situações limite, teorias, Vida Pessoal

Algumas playlists extremamente específicas para momentos um tanto quanto particulares

Jack-Black-High-Fidelity1

Cinco canções pra quando você está tentando se animar pra sair com seus amigos mas não está exatamente animado porque não apenas não acredita no rolê como também já se sente envolvido emocionalmente com alguém e imagina que ainda que isso não vá necessariamente te imobilizar em termos pessoais porque não é nada sério mas poderia vir a denotar uma certa falta de romantismo da sua parte com a qual você mesmo não quer conviver

Continuar lendo

6 Comentários

Arquivado em Desocupações, Músicas e derivados, romantismo desperdiçado, Song-Book

Três trechos de contos eróticos que acabei abandonando porque achei que a trama não estava ficando muito sensual

friendship

#1

Com os olhos fechados, Ana se isolava do mundo, se concentrando apenas nas sensações. O aperto firme das mãos dele nas suas, a sensação de calor, o contato elétrico que subia através do seu corpo, as gotas de suor que escorriam através de sua barriga, tudo isso fazendo pano de fundo para a sensação principal que era o prazer daquele momento. A maneira firme e segura com que ele a penetrava, entrando e saindo de maneira cada vez mais acelerada e viril, fazendo com que ela sentisse ondas de prazer que nunca havia experimentado antes, eram o bastante para que ela se sentisse praticamente em órbita. Os beijos rápidos, intercalados com mordidas, a respiração acelerada, o jeito como ele deslizava dentro dela, o toque macio das coxas, numa fricção cada vez mais rápida, mas ainda assim perfeitamente ritmada. Sem ver nada, ela podia apenas sentir o movimento dos corpos e ouvir as palavras que ele dizia devagar, entre suspiros no seu ouvido. Palavras sobre o quanto ela era gostosa, o quanto ele queria possuí-la, o quanto ele queria fazê-la gozar. Sobre o quanto a virilha dele havia começado a doer. “Puta que pariu, agora fisgou”. “Como assim fisgou?”. “Nossa, fisgou, tá repuxando, sabe? Eu mexo e dói muito, vou ter que parar”. “Quer que eu…”. “Não, não se mexe, por favor, tá doendo muito, me deixa…”. “Você tá bem?”. “Ahhhh, meu deus, putaquepariu, tá doendo muito, meu deus”. “Você não tá exagerando, Alberto?”. “Meu deus, queria ver se fosse a sua virilha, caralho, putaquepariu, tá doendo”. “Meu deus, não precisa chorar também”. “Caralho, caralho, continua fisgando. Câimbra, câimbra, câimbra, câimbra”.

Continuar lendo

6 Comentários

Arquivado em contos, Desocupações, Ficção, Vacilo

Mais adições ao guia pessoal de desconfortos do cotidiano

funny-movies-with-steve-carell.jpg

#Ser apresentado a uma pessoa, não conseguir guardar o nome dela, não ter mais contato com ela, não se preocupar. Meses depois topar com essa pessoa por acaso, descobrir que ela guardou seu nome, descobrir que ela por alguma razão está interessada em falar contigo. Ter momentos de terror durante uma conversa na qual ela se refere a você pelo nome em toda e cada uma das frases, o que apenas evidencia o quanto você não sabe o nome dela, já que ela se refere a você como joão e você se refere a ela como “cara”, “velho”, “prezado”, “dileto”, “querido” e “bacharel”, o que parece uma referência aos trapalhões mas é apenas um sinal de desespero. Passar o resto da vida evitando essa pessoa em ocasiões profissionais e pessoais mesmo que pra isso você precise atravessar ruas, trocar de vagão no metrô e num dado momento abandonar um prato semi-feito num restaurante self-service.

Continuar lendo

7 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, Desocupações, Rio, situações limite, Vacilo, Vida Pessoal, vida profissional

A mais longa playlist de músicas tristes (ou relativamente tristes) do universo: itens #556, #557, #558 e #559

o-ZACH-GALIFIANAKIS-SNL-MONOLOGUE-facebook

#556 – Peter and Kerry – Split for the city: Baseada no terror inato e primordial de não estar lendo os sinais, não estar pegando as deixas, não estar entendendo as pistas e ela estar fazendo as malas pra ir embora e levando o gato enquanto você apenas se pergunta porque uma bolsa tão exageradamente grande só pra ir comprar o café que acabou – “e você sabe que o Willie sempre espirra quando você leva ele nessas padarias” – essa cançãozinha disfarça como pop vagamente dançante um monstro lovecraftiano mais perverso e aterrorizante que Cthulhu, que é o “eu ainda te amo mas acho que não estou mais apaixonada por você”. Para pistas de dança com espaço para você se deitar em posição fetal enquanto bebe vodka de canudinho.

Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Desocupações, Músicas e derivados, Music Review, Song-Book

Possíveis gimmicks que eu considerei utilizar para definir minha personalidade se aquele lance da fonoaudióloga tivesse dado certo e eu tivesse deixado de gaguejar

volchi-positive-day_saulo-fernandes-e-xanddy

E no começo desse ano eu decidi voltar a fazer sessões de fonoaudiologia, visando resolver o meu decrescente, porém constante, problema de dicção. Não foi uma decisão fácil, não foi uma decisão tomada de forma leviana, não foi uma decisão que durou mais de um mês porque eu tinha que acordar muito cedo e aí eu acabei desistindo. Mas durante esse mês em que fiz as sessões um receio passou pela minha mente: o de, me livrando da gagueira, perder aquele que possivelmente é o meu mais definido e claramente perceptível traço de personalidade (“cara, bebi ontem com o joão” – “qual joão?” – “o moreno” – “hummm” – “o barbudo” – “hummm…” – “o jornalista” – “não tá me dizendo nada” – “o que tem as mãos muito pequenas em proporção aos pés e ao resto do corpo, se você reparar bem” – “ainda não” – “o gago, cara, o gago” – “ah, o gago, cara, grande gago”). Diante da necessidade de, nesse tipo de situação, desenvolver um novo traço marcante de personalidade, cheguei nessas, que foram as minhas cinco melhores ideias.

Continuar lendo

5 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, crise de meia meia idade, Desocupações, Rio, situações limite, Vida Pessoal