Arquivo da categoria: Ficção

Mini-conto #22 – “Quatro momentos em que Adolfo queria dizer alguma coisa para Patrícia e acabou não dizendo, porque vocês sabem como são essas coisas″

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era novembro, era o segundo encontro, era ela rindo com o copo de cerveja na frente do rosto. ela era linda, o sorriso era lindo, a cerveja parecia mais gostosa, o bar parecia melhor, as buzinas do trânsito pareciam tocar uma canção, a vida era tão parecida com uma produção da disney que ele estava surpreso de nem ele e nem ela terem como amigo um animal falante. ela ajeitou o cabelo, olhou pra ele, perguntou se estava tudo bem. ele queria dizer que estava tudo ótimo. ele queria dizer que tudo estava muito ótimo. ele queria dizer que na verdade ele nem tinha ideia do quão não-ótimas as coisas estavam antes porque ela tinha criado pra ele um novo referencial de ótimo, e agora ele teria que recalcular tudo que ele já havia considerado ótimo baseado no quão ótimo aquele momento era e ele desconfiava que nenhum outro momento já havia sido tão ótimo porque nenhum outro momento tinha tido ela, tinha tido aquele sorriso, tinha tido aquela ajeitada de cabelo, tinha tido aquele nariz tão pertinho do dele. ela perguntou de novo. “tá tudo bem?”. ele respondeu “opa, sim, tinha engasgado aqui com a espinha do peixinho”. eles tavam comendo batata frita.

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4 sinopses para filmes de ficção científica meio realistas

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#um grupo de cientistas acredita ter descoberto sinais de vida em um planeta muito distante e inicia um processo de décadas para permitir que a humanidade alcance esse canto ainda inexplorado do espaço. são obtidos avanços científicos, são realizados testes em busca da tripulação perfeita, até que num dia de muito júbilo para a espécie humana, e com transmissão para todos os países da terra, a nave “perseus” é lançada em direção ao espaço em sua missão de dez anos para finalmente confirmar a existência de vida fora do sistema solar. durante essa missão alguns astronautas enlouquecem, outros morrem, alguns são vítimas de doenças desconhecidas, pois nunca os seres humanos haviam sido expostos durante tanto tempo ao ambiente espacial. chegando no planeta, batizado de “terra 2”, o único cientista sobrevivente descobre que é um alarme falso, vida não é bagunça, não vai sair aparecendo assim, não vamos encontrar logo de primeira, o que vocês tavam pensando. agora ele precisa voltar pra terra sozinho e a viagem parece que vai ser longa porque ele viu todos os dvds bons já na ida.

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Mini-conto #20 – “Sobre a terceira temporada de Fringe”

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Na chamada Terra #2 eles não se conheceram. Os pais dela tinham ido pra outros país a trabalho, ele quase nunca saía do interior, se cruzaram uma vez num aeroporto, ele teve a sensação de que aquela garota era familiar, de um jeito esquisito, mas não se preocupou muito.

Na Terra #4 eles se conheceram uma noite numa festa, ela era namorada de um amigo do irmão, ele era o cara contrariado bebendo drinks com guarda chuvinha. A festa não foi boa, duas garotas passaram mal, um amigo vomitou num chapéu, dois caras foram colocados pra fora. Pessoas se perderam no estacionamento, no final os dois acabaram tendo que dividir um táxi. Ele achou que ela era bonita, ela achou que ele era engraçado, ele pensou em pedir o telefone dela, ela pensou que, se ele pedisse, ela não poderia dar. Se despediram um pouco sem graça, ela deixou dinheiro a mais na parte dela da corrida, ele só notou depois, se sentiu culpado. Nunca mais se viram.

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Três trechos de contos eróticos que acabei abandonando porque achei que a trama não estava ficando muito sensual

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Com os olhos fechados, Ana se isolava do mundo, se concentrando apenas nas sensações. O aperto firme das mãos dele nas suas, a sensação de calor, o contato elétrico que subia através do seu corpo, as gotas de suor que escorriam através de sua barriga, tudo isso fazendo pano de fundo para a sensação principal que era o prazer daquele momento. A maneira firme e segura com que ele a penetrava, entrando e saindo de maneira cada vez mais acelerada e viril, fazendo com que ela sentisse ondas de prazer que nunca havia experimentado antes, eram o bastante para que ela se sentisse praticamente em órbita. Os beijos rápidos, intercalados com mordidas, a respiração acelerada, o jeito como ele deslizava dentro dela, o toque macio das coxas, numa fricção cada vez mais rápida, mas ainda assim perfeitamente ritmada. Sem ver nada, ela podia apenas sentir o movimento dos corpos e ouvir as palavras que ele dizia devagar, entre suspiros no seu ouvido. Palavras sobre o quanto ela era gostosa, o quanto ele queria possuí-la, o quanto ele queria fazê-la gozar. Sobre o quanto a virilha dele havia começado a doer. “Puta que pariu, agora fisgou”. “Como assim fisgou?”. “Nossa, fisgou, tá repuxando, sabe? Eu mexo e dói muito, vou ter que parar”. “Quer que eu…”. “Não, não se mexe, por favor, tá doendo muito, me deixa…”. “Você tá bem?”. “Ahhhh, meu deus, putaquepariu, tá doendo muito, meu deus”. “Você não tá exagerando, Alberto?”. “Meu deus, queria ver se fosse a sua virilha, caralho, putaquepariu, tá doendo”. “Meu deus, não precisa chorar também”. “Caralho, caralho, continua fisgando. Câimbra, câimbra, câimbra, câimbra”.

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Mini-conto #16 – A nossa sexta última vez

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Da primeira vez ela foi embora por dois dias. Na sexta à noite ela disse que as coisas estavam indo rápido demais, que precisava pensar, mas que achava que a resposta era não. Me telefonou enquanto eu cochilava no sofá da minha mãe pra dizer que na verdade era um talvez, se eu ainda quisesse. Eu disse que queria.

Da segunda vez ela foi embora por quase uma semana. Disse que tinha sido um erro, que não queria assim. Não atendia o telefone, não descia na portaria. Apareceu na frente do meu trabalho e disse que a gente deveria beber um café, mas eu nunca bebi café. Falou que as vezes ela duvidava e eu disse que todo mundo duvida às vezes, o que era mentira, porque eu sempre tive certeza.

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4 sugestões para filmes baseados em clássicos alternativos da música brasileira

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Nosso Sonho – Uma dramédia romântica sobre o amor entre pessoas de idades diferentes,teria Marcelo Camelo e Mallu Magalhães em sua estréia no cinema, atuando como versões ficcionais de si mesmos, ele um cantor de funk pancadão buscando novos rumos após o final de seu grupo e ela uma estrela ascendente do melody que é duramente criticada pela mídia, ambos descobrindo no amor a solução não apenas para seus dilemas criativos mas também para o imenso vazio emocional que sentiam. A trilha sonora seria toda composta por versões em funk da carreira-solo de Marcelo e uma cover de “Não gosto de piru pequeno” cantada por Mallu. Bruno Medina faria o papel de um cara muito chateado que escreve num blog e Buchecha faria uma participação especial como o pai de Mallu Magalhães, levando qualquer um que questionasse seu casting a ser chamado de racista.

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Mini-conto #15 – Diabolyn

wildfireEm minha defesa eu preciso dizer que fui pego de surpresa.

Era uma viagem de reconciliação, sabe? Eu tinha pisado na bola, ela tinha sido muito dura, passamos uns dias sem se falar. Eu telefonei primeiro, ela me ignorou, eu tive que telefonar de novo, mandei mensagens. Ela não queria me ver, eu tive que telefonar pra uma amiga, descobri que não era tão minha amiga. Tive que esperar na porta da casa dela, levei flores, estava chovendo, elas chegaram amassadas. Ela demorou pra voltar e eu peguei no sono na porta, só acordei com ela tentando entrar sem eu perceber.

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Mini-conto #14 – “Pilates”

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Eu gosto de pensar que era uma noite chuvosa. Que você me esperou dormir e me deu um beijo na testa antes de pegar as suas coisas. Separou algumas roupas às pressas se aproveitando do meu sono pesado, não achou sua mala, pegou uma das minhas. Lá fora fazia frio. Você hesitou antes de abrir o portão e enquanto parava um táxi pensou em voltar. Mas vendo as luzes se aproximarem teve certeza que era a decisão certa. Enquanto ele colocava suas coisas no porta-malas você olhou uma última vez pra luz acesa na sala do nosso apartamento e timidamente sorriu. Então você foi embora.

Gosto de acreditar que foi aos poucos. Não acho que nenhum amor comece com um estalo ou algum romance termine com uma explosão. Sempre duvidei de big bangs emocionais e achei que essas coisas acontecessem aos poucos. Da mesma forma que a gente começou durante semanas, em cada encontro, em cada beijo, em cada noite em claro na sala, a gente deve ter terminado durante meses. Em cada telefonema curto, em cada data esquecida, em cada manhã sem tempo, eu devo ter te perdido um pouquinho sem nem perceber. Acho que não foi você que terminou, nós já tínhamos terminado sozinhos. Você só foi a primeira a perceber.

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Mini-conto #13: “Comédia romântica”

Nas comédias românticas as pessoas gostam de dizer que se lembram tudo. Que você usava vermelho, que a lua estava cheia, que nós pedimos macarrão, que o táxi atrasou, que o garçom era engraçado, que o seu perfume tinha algo de jasmim. Eu lembro que você me esperava na frente de uma banca de jornal, que quase não conseguimos achar um bar, que as pessoas falavam alto em torno da gente, que um garotinho se ofereceu pra fazer alguma coisa em troca de dinheiro – falar os dias da semana em inglês,foi isso? – e você foi muito simpática com ele e achei isso muito bacana em você. Eu não lembro exatamente da sua roupa, eu não lembro exatamente da lua, ou se estava frio, ou se estava quente, mas eu lembro que você estava com uma câmera e eu fiquei inseguro pensando se esse era um plano de emergência caso eu fosse muito chato – “ei, desculpa sair assim, mas esqueci que precisava fotografar uns canários agora à noite pra um trabalho e olha só, esse é meu táxi, tchau”. E no tempo que eu precisasse pra perguntar se canários efetivamente saem à noite e que tipo de trabalho era aquele você ia ter ido embora, algo assim. Mas naquela noite você ficou. E ainda consigo lembrar do primeiro sorriso que você me deu.

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Mini-conto #12: As incríveis aventuras espaciais de Adam Strange no planeta Rann

De madrugada o telefone tocou e era alguém procurando Orlando. Depois disso não consegui mais dormir direito, rolei na cama, tomei três copos d’água. Quando finalmente peguei no sono o despertador tocou, fui tentar caminhar em direção ao banheiro ainda de olhos fechados e bati com a cabeça na porta. Não achei meu chinelo, o aquecedor não funcionava, tomei banho frio. Tia da roupa não tinha vindo na véspera, vesti aquela calça jeans de quando eu estava gordo, coloquei a camisa que estava em cima da cadeira. Essa era a que eu tinha separado pra lavar na noite anterior porque tinha uma mancha de molho na manga. Só notei quando já estava dentro do metrô.

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