Arquivo da categoria: Internet

Breve adendo ao dicionário de situações chatas que a gente vive por tabela

todd bojack

sempre acontece de madrugada. você tá ali no intervalo de um filme triste da sandra bullock, na pausa de um momento triste do desenho bojack horseman, no final de uma partida triste do pes 2015 (como são ruins os gráficos do pes 2015, meu deus do céu). tira o celular do bolso casualmente enquanto pega uma água, dá aquela conferida no instagram, passada de olhos no facebook, desiste do whatsapp porque no grupo da pelada ressuscitaram o vídeo em que um peixe pratica sexo oral num cara e você não tá vivendo um momento emocional que te permita assistir essas imagens outra vez. chega no twitter, puxa a barrinha pra baixo, e lá está, aquela cena que é tão clássica pra virada de sexta pra sábado na internet quanto a origem do batman é pra uma hq da dc, quanto o “ganhar da argentina é sempre mais gostoso” está pras eliminatórias sulamericanas: a gatinha pagando de carente na rede social.

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Sobre duas lições aprendidas em um voo da Tam, o pior ser humano do mundo e a webcelebridade Inês Brasil

old plane

lição #1: nunca acredite que ja viu de tudo sobre um certo tema, conceito ou situação.

daí que você viaja bastante de avião. tem namoro à distância, tem viagem de trabalho, tem parente fora, tem férias, graças a deus que tem férias, tem bastante viagem. e daí você acha que já acostumou com aeroporto, já pegou as manhas do avião, já se ligou no mistério no que tange ao transporte aéreo no brasil. só vai pra perto do portão quando o voo tá confirmado, tem malinha do tamanho exato do bagageiro, sabe que a pressão funciona tanto com um funcionário da gol quanto propostas de acordo do prometor funcionam com um integrante da cosa nostra.

ao mesmo tempo, pelo tanto de viagens que já fez, você também começa a achar que já viu tudo de escroto que pode acontecer num aeroporto. o cara tentando entrar no avião com uma pizza pronta, o cidadão fumando na poltrona, a senhora que vomitou do seu lado, mudou de poltrona, você tentou mudar de poltrona, a comissária não deixou, você viajou cheirando vomitinho, o campeão tentando colocar uma prancha de surfe no compartimento de bagagem, o passageiro que incentivava o filho a chutar mais forte a poltrona da senhora da frente. na sua cabeça filhadaputice era cambalhota e você era o cinegrafista do cirque du soleil. não tinha como te impressionar. Continuar lendo

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Sobre facebook, eleições e a nefasta ascensão do amigo do seu amigo

amigo do amigo

Todos nós sabemos, desde pequenos, que a discussão política pode trazer à tona o que existe de pior no ser humano. Um assunto claramente racional e merecedor de profunda reflexão analítica, mas que é sempre abordado da maneira mais passional e pessoal possível – “enfia o crescimento lento do pib no seu cu, aqui é dilma, porra!!!!” – a discussão política padrão costuma servir menos para trocar opiniões, enriquecer debates, ajudar a formar posições, do que para gerar brigas na mesa de jantar, garantir constrangimentos no trabalho, separar casais antes apaixonados (“sem sexo até você entender que apenas o psdb pode e vai resolver os problemas do brasil”).

E outra coisa que temos certeza faz um certo tempo é do poder da internet para potencializar as coisas. Seja pornografia, seja o acesso a livros clássicos, seja o conceito de lip sync, não há nada que a internet não consiga tocar e elevar até a sua enésima potência, explorando as qualidades, agravando os defeitos, tornando muito melhor ou muito pior do que poderia ser.

Portanto não foi surpresa pra ninguém o resultado da combinação entre uma eleição disputada como a que passou e um período de grande participação das redes sociais como temos hoje. O resultado foi muito chato. Assim, bem chato mesmo.

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Pessoas que comentam aquele seu post no facebook: #41

jammed

#o solução retroativa: e aconteceu um problema. é daquele problema que fica na zona cinza entre o problema grave, a perda pessoal, e o problema pequeno, a inconveniência da vida. o tipo de problema que poderíamos caracterizar como “problema meio foda”. seu computador pifou com a sua monografia dentro, perderam sua mala no aeroporto com suas roupas, estourou feio o cano do seu banheiro, chegou na cidade e o hotel alega que sua reserva não tá constando. você tá baqueado, tá chateado, destino te estapeou com a luva áspera da mágoa surpresa, mas você ainda acredita no semelhante e, visando obter o máximo de retorno possível, faz aquele post no facebook. “alguém sabe de um cara que recupera hd?”, “alguém já passou por isso com a tam?”, “conhecem encanador bom na zona sul?”. é um pedido de coração aberto, é uma solicitação focando nos amigos, é aquela mão de bytes estendida no cyberespaço em busca de um braço forte e ombro amigo que indique alguém que não cobra 300 reais só pela visita na zona sul, você compra as peças. surgem os amigos. um diz que vai ver com um primo que passou a mesma coisa, outro te recomenda um links, vários apertam no botão “solidário com sua dor ainda que não possa ajudar” do facebook.

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Mais duas breves inseguranças causadas por filmes que eu vi faz um tempinho

ben affleck

# começou quando você viu aquela comédia romântica com o rapaz de harry potter. comédia romântica só fofura, comédia romântica só carinho, comédia romântica é mocinha e mocinho, aquela torcida, não tem grande surpresas. quinze minutos e você não tá curtindo o mocinho, meia hora e você tá simpatizando com o namorado da mocinha, uma hora de filme e você tá torcendo contra o casal, manifestando em voz alta que romance é mais que momento, que é fácil ser romântico sem as contas pra pagar, que estabilidade também é importante na vida. e aí você nota que na comédia romântica da vida você claramente não é o mocinho mas sim o namorado da mocinha. você não faz grandes gestos, você pede comida em casa, você defende rotina, você gosta do restaurante de sempre, você não é do tipo que leva flores mas sim do tipo que diz pra não esquecer a notinha fiscal do outback porque depois dá pra pegar petisco grátis da próxima vez (se possível as asinhas porque você curte asinha). você fica bem pensativo. você não gosta de imaginar sua namorada perto de caras parecidos com o adam sandler agora. você tá preocupado. comédia romântica com o rapaz de harry potter te deixou preocupado.

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Da nossa eterna irritação com o comum – ou “porque você odeia tanto o Latino”

Bambam-e-Dhomini-no-BBB-13-size-598

Uma coisa comum de ouvir por aí é que vivemos numa cultura da mediocridade. As pessoas não querem ver arte, as pessoas querem ver Big Brother, as pessoas não querem ouvir boa música, as pessoas querem Justin Bieber, as pessoas não querem grandes filmes, elas querem imensas franquias com carros que viram robôs. E ainda que existam ótimos argumentos tanto para questionar se não estamos realmente nos aproximando de um menor denominador comum cultural quanto para defender a graça de carros que viram robôs – sério, são carros, que viram robôs, você precisa admitir que isso é legal, vai – um aspecto dessa sensação geral de irritação sempre me pareceu muito curioso e ao mesmo tempo pouco abordado. O motivo disso nos irritar tanto.

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…e agora, para algo completamente diferente #89

gilberto barros

E nessa semana não temos texto novo no blog mas sim uma participação especial no Papo de Homem falando sobre o processo lógico das teorias da conspiração, o que elas dizem sobre a época em que vivemos e o fato de que se você escreve um texto dizendo que teorias da conspiração estão, em 99% das vezes, absurdamente equivocadas, cerca de 90% dos comentários vão ser de pessoas dizendo que seu texto é parte de alguma conspiração pra que as pessoas não saibam da verdade.

 

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E agora para algo completamente diferente #2

Gilberto-Barros

E nessa semana contribuímos no Sobre Comédia com um texto cheio de amor e carinho sobre It Crowd e a possibilidade de uma série “sobre nerds” que também é sobre internet, pessoas sendo dadas como mortas no ambiente corporativo e massagens que terminam com beijinhos na bunda:

“Ou seja, mais do que se colocar como refém da premissa ou explorar até a exaustão seu conflito básico, It Crowd é uma série que usa esses conceitos como trampolim para levar o humor nas direções mais absurdas, sem que isso nunca pareça forçado ou fora do lugar. Desde o gótico trancado numa salinha no porão, passando pelo chefe com uma mão biônica até competições de quiz secretas, a série usa sua premissa mais como um filtro através do qual introduz e analisa todos esses eventos dentro de uma lógica própria onde qualquer coisa pode acontecer e eventualmente acontece”.

E para o Cachorro no Campo oferecemos um artigo repleto de ódio, rancor e hostilidade questionando a capacidade cognitiva do atleta profissional brasileiro e a impossibilidade de uma vida plena e cidadã num mundo em que um cara que recebe 200 mil reais por mês comete uma inversão de lateral numa partida oficial de campeonato:

“Repare nos gols perdidos, repare nos vacilos das defesas, nos erros de passe, na simples postura dentro do campo. São caras que fazem uma falta por trás, pra vermelho, tomam o amarelo e consideram que a atitude mais razoável depois disso é xingar acintosamente o juiz. São homens adultos que com cinco minutos do primeiro tempo de um jogo de campeonato de pontos corridos ficam irritados a ponto de socar alguém sem bola. São goleiros que com uma vantagem de 3×0 no placar e um a mais acham que vale a pena fazer um pênalti e ser expulsos tentando evitar um chute sem ângulo dado por um jogador horrível. São atletas que recebem 100 mil reais por mês e mesmo assim tentam sair dando caneta quando são os últimos homens da defesa numa partida de luta contra o rebaixamento”

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Registros de uma vida na sociedade do fail

lasier

Como qualquer um sabe, nunca antes a humanidade viveu num ambiente em que é tão fácil deixar para trás registros e memórias de si mesmo. Se os homens pré-históricos deixavam pinturas em cavernas, os povos antigos desenvolveram alfabetos e criaram os primeiros registros literários, e na era moderna chegamos a produção em larga escala de livros, ao registro em filme e foto, a acumulação de dados, hoje vivemos num período em que uma pessoa média pode fazer uso de um sem número de formatos para registrar seus atos. Temos fotos no instagram, temos vídeos no youtube, temos redes sociais onde podemos narrar cada passo do nosso dia, sendo limitados apenas pelo nosso próprio senso de constrangimento e pela volume de pessoas replicando “jovem, qual é a necessidade disso?” na nossa timeline. Continuar lendo

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Por uma breve taxonomia das reclamações injustificadas

elaine

A reclamação desvinculada – Um clássico da era da informação e das redes sociais, esse é provavelmente o tipo mais comum de reclamação contemporânea e consiste em expressar sua contrariedade e indignação em relação a algo que não apenas não tem você como público-alvo como possivelmente nem tem relação direta com a sua pessoa, como se a simples existência desse elemento, ainda que totalmente isolado do seu ambiente pessoal e num nicho que você necessariamente não precisaria freqüentar, fosse algo absolutamente ofensivo e que gera imenso ódio e fúria incontrolável.

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