Arquivo da categoria: quadrinhos

Sobre o dia mais claro, a noite mais densa, super-heróis enquanto mitos de conforto e um Lanterna Verde gay

Eu sempre acreditei que os elementos mais importantes de todas as histórias de super-heróis eram as identidades secretas. E não apenas porque elas tornam narrativamente viáveis personagens que de outra maneira seriam quase assustadores – sem Clark Kent o Super-Homem é um alienígena que consegue ver por baixo da sua roupa, sem Bruce Wayne o Batman é uma lenda urbana que espanca pessoas com problemas mentais, sem Peter Parker o Homem-Aranha é um mascarado que se considera acima da lei e J.Jonah Jameson estava certo o tempo todo – mas também porque são elas que permitem ao leitor uma conexão, uma identificação, uma relação pessoal com aquele personagem.

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Arquivado em quadrinhos, referências, teorias, Vacilo

3 grandes vitórias pessoais do ano de 2011

Ser pago pra escrever – Uma sensação que eu sempre imaginei que deve estar entre as melhores do mundo é a de ser pago pra fazer aquilo que você ama. Não aquilo que você suporta, não aquilo que você tolera, não aquilo que você faz pela grana, não aquilo que você acha que pode agüentar durante vários anos se beber bastante e for tentando se motivar com atividades paralelas e apostas pessoais como “vou levar pra reunião esse projeto visual que envolve gatos halterofilistas como imagem de fundo para os comunicados de reestruturação corporativa, só pra ver o que rola”. E depois de ter, durante esse ano, pego alguns frilas que me permitiram ser pago pra escrever em outros lugares basicamente o mesmo tipo de coisa que eu escrevo aqui, eu posso dizer sem medo que a sensação é ainda melhor do que eu esperava.   Continuar lendo

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Arquivado em é como as coisas são, crise de meia meia idade, quadrinhos, Vida Pessoal, vida profissional

Sobre Flashpoint, soft reboot, robins estagiários e porque super-heróis deveriam ser coisa de criança

E então começou Flashpoint, mais um dos clássicos mega-eventos reunindo vários super-heróis e que prometia mudar tudo que nós sabíamos sobre os personagens da DC. Teríamos viagens no tempo, teríamos universos paralelos, teríamos o Flash Reverso zoando pesado e teríamos uma versão da família Marvel que não envolveria tigres e coelhos falantes, o que na minha opinião seria uma pena. Mas com o tempo descobrimos que, mais do que as mudanças padrão das mega-sagas americanas de verão (alguém morre, alguém muda de poderes, seis meses depois alguém volta da morte e volta a ter os mesmos poderes) Flashpoint iria marcar o fim do universo DC como nós – ou alguns de nós, ok – conhecíamos e o início de um novo universo que teria versões mais jovens, icônicas e desprovidas de cronologia mas cheias de gola alta daqueles mesmos antigos personagens. Em suma, teríamos um reboot. Continuar lendo

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Arquivado em é como as coisas são, homens trabalhando, quadrinhos, teorias

5 anotações para possíveis histórias do Aquaman

aquaman
# Terror no mar. Pânico nas águas. Uma invasão alienígena se aproxima e o primeiro a notar é Aquaman. Logo após conversar com seus amigos peixes, Aquaman convoca a Liga da Justiça. Enquanto Super-Homem enfrenta a frota alienígena nos céus, Mulher Maravilha e Flash combatem os vilões em terra e Batman usa suas habilidades como detetive para descobrir o ponto fraco dos invasores. Aquaman começa a se despedir dos peixes. Os alienígenas, após horas de batalha, conseguem derrotar a Mulher-Maravilha e aprisionar Flash, enquanto apenas Super-Homem resiste no campo de batalha e Batman começa a desconfiar que aqueles podem não ser alienígenas de verdade. Aquaman comenta com um salmão que as coisas não parecem estar indo bem. Batman descobre que os alienígenas na verdade eram andróides criados pelo maligno Dr. Ivo e com a ajuda do Super-Homem emite um pulso eletromagnético que desativa todos os robôs, salvando o planeta Terra. Flash é resgatado, todos voltam para a torre de vigilância, Aquaman comemora abraçando uma tainha. Continuar lendo

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3 problemas que eu tive com o filme do Lanterna Verde (e 2 coisas bacanas também)

A indefinição do tom: mais ou menos como uma senhora idosa participando do programa “Tentação” com Sílvio Santos, Lanterna Verde nunca sabe exatamente pra que lado ir. Se em alguns momentos ele procura a ficção científica, em outros ele avança na direção da comédia e em vários parte para o romance, sem em nenhum deles conseguir efetivamente funcionar. Não que outros filmes baseados em quadrinhos como Thor e Homem de Ferro não tenham nos mostrado que é possível sim transitar entre esses diversos gêneros, mas em Lanterna Verde isso sempre acontece de forma truncada e confusa, nunca parecendo realmente “orgânico”, como se algumas cenas tivessem sido enxertadas, montadas fora de ordem ou apenas filmadas porque o diretor de segunda unidade disse que seria “muita zuera” se fizessem. Exemplificando melhor o nível de sutileza e lógica nas transições temáticas, é mais ou menos como se com 30 min de “Aliens” Ridley Scott inserisse uma cena de jantar romântico e depois, lá perto do final, um alien aparecesse em cena e falasse pra Sigourney Weaver “puxa meu dedo”. Continuar lendo

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Sobre o porquê de eu não mencionar aqui no blog a minha opinião sobre o novo Homem-Aranha negro

Aviso: esse texto pode conter spoilers. Ou não. É um spoiler se eu avisar sobre os spoilers? Vamos refletir sobre isso.

Como vários de vocês devem ter ficado sabendo, seja pela mídia especializada, seja pelo twitter, seja por alguma matéria da Fox News dizendo que a Marvel é composta por um monte de judeus socialistas que querem destruir o ideal de vida americano, existe um novo Homem-Aranha nos quadrinhos e ele é negro. Na verdade latino afro-americano, se você quiser ser mais exato, e o nome dele é Miles Morales, um personagem ainda desconhecido e sobre o qual só vamos descobrir mais após o relançamento da revista do Homem-Aranha ultimate, o que deve acontecer nos próximos meses lá nos EUA.

Mas mesmo sendo o Homem-Aranha meu personagem preferido nos quadrinhos, o tema da representação racial nas HQs da Marvel e da DC um dos meus assuntos favoritos desde os tempos de faculdade e sendo eu um cara que segundo o censo faz parte de uma etnia minoritária (ainda que esquisitamente a moça do questionário parecesse mais interessada em levantar insinuações um tanto quanto levianas quanto ao fato de que eu divido apartamento com um outro homem que não tem laços de parentesco comigo) eu acabei, após uma profunda reflexão, decidindo que não, não vou tratar desse tema aqui no blog. Não porque eu não ache a discussão válida, não porque eu não tenha uma opinião intrincada, complexa, embasada e já devidamente formada sobre o tema, não porque eu não teria coragem de falar durante horas sobre coisas assim. Não, nada disso.

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Sobre quadrinhos, perspectivas, histórias do Esquiador Escarlate e reboots da DC Comics

Acho que não é novidade pra nenhum de vocês aqui o fato de que eu gosto de quadrinhos. Afinal, eu faço referências freqüentes a personagens, eu costumo citar o Super-Homem mais vezes do que eu menciono meu irmão e possivelmente já argumentei mais de uma vez, de forma embasada, que é injusto que o cargo de “Lanterna Verde” não seja concursado, como todos os outros cargos policiais. Mas ainda que eu possivelmente pareça uma pessoa realmente interessada, empolgada e absorvida pelos quadrinhos de super-heróis, a verdade é que…bem…é muito pior. Sério mesmo.

Isso porque o que eu cito aqui quase sempre é apenas a ponta do iceberg e não retrata fielmente o nível de importância que os quadrinhos – majoritariamente os de super-heróis, ainda que eu leia diversos outros gêneros – tem na minha vida. Afinal, são praticamente vinte anos lendo diversos títulos mensais, conhecendo a fundo a cronologia de diversos personagens e editoras, me mantendo atualizado com os lançamentos que acontecem lá fora e fazendo parte de ambientes onde as pessoas realmente discutem até as vias de fato quem venceria numa luta entre Batman, Godzilla e Apollo Doutrinador, entre outras coisas. (por sinal, uma dica: sempre chute “Batman” em momentos assim)

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6 breves observações sobre o novo filme dos X-Men

“X-Men – First Class” é um filme bacana e divertido. O roteiro é bom, a trama flui de forma interessante, os atores se saem muito bem e a história consegue misturar ação, aventura e momentos que, sinceridade, me lembraram um bocado o seriado antigo do Batman, no bom sentido. Várias vezes falta um nível maior de desenvolvimento dos personagens e algumas coisas – como o “plano genial” do vilão – são apenas bobas e parecem ter sido imaginadas por um aluno repetente da sexta série, mas eles compensam tudo com um participações especiais, um ritmo bacana e um professor Xavier que bebe cerveja e tenta pegar as gatinhas com cantadas sobre mutação genética. Por sinal, nunca num filme de super-heróis se bebeu tanta cerveja, reparem.

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