Arquivo da categoria: Song-Book

Algumas playlists extremamente específicas para momentos um tanto quanto particulares

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Cinco canções pra quando você está tentando se animar pra sair com seus amigos mas não está exatamente animado porque não apenas não acredita no rolê como também já se sente envolvido emocionalmente com alguém e imagina que ainda que isso não vá necessariamente te imobilizar em termos pessoais porque não é nada sério mas poderia vir a denotar uma certa falta de romantismo da sua parte com a qual você mesmo não quer conviver

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A mais longa playlist de músicas tristes (ou relativamente tristes) do universo: itens #556, #557, #558 e #559

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#556 – Peter and Kerry – Split for the city: Baseada no terror inato e primordial de não estar lendo os sinais, não estar pegando as deixas, não estar entendendo as pistas e ela estar fazendo as malas pra ir embora e levando o gato enquanto você apenas se pergunta porque uma bolsa tão exageradamente grande só pra ir comprar o café que acabou – “e você sabe que o Willie sempre espirra quando você leva ele nessas padarias” – essa cançãozinha disfarça como pop vagamente dançante um monstro lovecraftiano mais perverso e aterrorizante que Cthulhu, que é o “eu ainda te amo mas acho que não estou mais apaixonada por você”. Para pistas de dança com espaço para você se deitar em posição fetal enquanto bebe vodka de canudinho.

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Novas aventuras em lo-fi #9

Uma coisa que acontece com freqüência quando a gente é garoto, não sabe falar inglês direito ou apenas ouve as músicas de relance é não sacar muito bem qual que era o exato conceito da canção e acabar vivendo a vida tranqüilo, de boa, mas com uma visão distorcida do que está rolando naquela faixa 4. Pensamos que “Santeria” era uma música romântica sobre Miami e não sobre como queremos matar um cara chamado Sancho; confundimos hinos de solteironas com canções sobre tempo virando; pensamos que o Billy Idol queria mesmo ajudar o peixe e ficamos horas nos perguntando porque nas festas do Cláudio Zoli rolava intercâmbio de biquínis. E uma dessas canções que eu conhecia desde moleque mas cujo sentido eu realmente nunca tinha alcançado até um dado momento no metrô carioca – coração batendo forte sentido zona norte – é “Quase um Segundo”, dos Paralamas do Sucesso.

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Mais 4 razões pra respeitar o pagode da década de 90

Os nomes: Todo mundo sabe como é complicado achar um bom nome pra uma banda, ainda mais nos dias de hoje, quando boa parte dos nomes bacanas já tem dono e as pessoas são forçadas a usar coisas como palavras sem sentido, fusão de apelidos dos integrantes ou o nome da barraquinha de cachorro quente na qual o carro deles bateu naquele dia em Santos.

Exatamente por isso devemos respeitar a sempre impressionante criatividade dos grupos de pagode da década de 90, que gerou nomes que foram desde as mais absurdas variações em torno da palavra “samba” (Exaltasamba, Abolisamba, Badallasamba, Descontrasamba, Dedicasamba e etc) até coisas totalmente nonsense e beirando o absurdo como “Só Preto sem Preconceito”, “Bala, Bombom e Chocolate”, “Chocolate sensual” e, meu favorito, o “Grupo Sónabusanfa”. Porque pagode e modalidades sexuais não reprodutivas, ao que parecem, caminham juntos.

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Top 5 – Discos de estimação da minha (quase) adolescência

Cinema Mudo – Paralamas do Sucesso: Todo mundo tem um primeiro disco, aquele que marca a sua transição do “ouço as coisas que meus pais têm em casa” para o “ouço as coisas que eu roubei da casa do meu tio”, então eu posso dizer que foi essa a função dos Paralamas: me retirar daquele duelo constante entre o Oswaldo Montenegro da minha mãe e o Chico Buarque do meu pai e introduzir no ambiente da casa um pouco do meu gosto pessoal (que na verdade era o gosto pessoal do meu tio, mas qualquer coisa valia pra não ouvir mais a frase “voa condor, voa coooondooooor”). Por isso ainda que os grandes hits desse disco tenham sido “Vital e sua moto” e “Cinema Mudo”, músicas como “Foi o mordomo” e “O que eu não disse” ainda são constantemente cantaroladas por mim e fazem parte das minhas lembranças mais antigas de infância junto com ver Macgyver na sala enquanto bebia Toddy e crescer frustrado porque nunca me davam um transformer no natal.

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Song-Book Vol. 1 – Yesterday

Ele precisava compor uma música. Uma música romântica, no caso. Uma balada, daquelas emocionantes, como as que essas bandas de metal lançam, todo mundo ouve e depois a banda fica arrependida porque a imagem de grupinho meloso acaba arruinando todo o conceito metaleiro que eles tinham. Mas não saía nada. Quer dizer, na verdade saía sim. Ele se sentava, pegava o violão, papel, caneta, e em cinco minutos tinha composto duas músicas do CPM 22. Era quase assustadora a facilidade com que as palavras surgiam, sempre rimando “alguém” com “também” e “perder” com “você”. Mas ele queria uma coisa diferente, uma coisa legal. Afinal, a Taís merecia.

Analisando mais friamente, na cabeça dele Taís merecia tudo. Não era por ser o primeiro, mas era o melhor namoro de todos: a garota mais linda da série, tinha um Play 3 em casa e, em dois meses, ele já tinha tocado nos peitos dela por debaixo do soutien! Pra um cara que até 3 meses atrás não tinha beijado ninguém, aquilo era sensacional. Era uma clara promessa de que, com sorte, antes do final do ano ele teria realizado dois sonhos, o de transar e fechar God of War antes da galera. E tudo isso com 15 anos.

Mas que música era boa o bastante? Aquele era o festival de final de ano da escola e ele queria fazer uma surpresa, queria dar uma música de presente pra Taís. Estava sentado a horas e não conseguia escrever nada que não soasse emo, gay ou emo e gay. Pensou em como os caras do Pink Floyd tinham feito pra compôr “How I wish you were here” e quase sentiu vontade de montar uma banda pra que um integrante pudesse sair e ele tivesse inspiração pra uma música legal como aquela. Mas não vinha nada. Depois de uma tarde inteira trancado no quarto conseguiu alguma coisa. Rimava Taís com feliz? Sim, mas ainda tinha uma certa graça, uma certa coisa que estava mais pra Los Hermanos e Paralamas num dia ruim do que pra Fresno num dia bom. Em suma, era uma droga, mas era o que ele tinha. E a graça era o presente, não a qualidade.

Estava feliz, a música pronta, pensou em aproveitar que a namorada não estava em casa pra jogar um pouco de Play3 com o irmão dela. O garoto era mala mas tudo bem, ele tinha 13. Todo mundo é mala com 13.

Chegou, cumprimentou o porteiro e entrou no condomínio. Foi caminhando, passou pelo playground e decidiu dar uma olhada na piscina antes de ir, provavelmente o Alex ia estar por lá e eles subiam juntos. Mas ele não estava. Na verdade a própria Taís estava lá, se pegando com o Rogério, um cara do segundo ano. E que provavelmente já tinha fechado God of War.

Andou até em casa meio sem rumo, pegou o violão e ficou sentado na cama. Ficou assim até pegar no sono e acordou no dia seguinte com a cara toda amassada, além de uma grande dor nas costas. Tomou um banho e saiu pro colégio. Era o dia do festival e ele ainda estava dormindo quando a professora mandou subir no palco e deu o violão na mão dele. Sentou, olhou para aquela semi-multidão composta por praticamente todo do colégio e antes de dar a primeira palhetada conseguiu notar Taís na platéia. Fixou o corpo, olhou pra frente e começou com “yesterday, all my troubles seemed so far away”…

Era um clichê, mas ele achou que tinha o direito. Foi então que veio a lata de coca-cola, de lá do fundo, meio cheia, na cabeça dele. Caiu desacordado, com um talho enorme na testa. Ninguém mais gosta de um clássico hoje em dia. E todo mundo se considera crítico…

Duas semanas mais tarde ele se juntou com Alex, irmão da Taís, e montou um grupo emo.

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