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Grandes estilos narrativos de taxistas #78, #79, #80, #81 e #82

taxi

#78 – o taxista interessado: tudo começa como uma viagem normal. primeiro ele pergunta pra onde você vai e você diz pra onde vai. aí ele pergunta qual caminho você prefere. você diz que qualquer um tá ok. aí ele te pergunta se o ar-condicionado tá tranqüilo, você diz que tá bacana. então ele pergunta se o banco tá de boa. você diz que tá susse. aí ele te consulta sobre a velocidade, você diz que tá fera. mas mesmo aí, quando você já está desfalcado de termos de rápida concordância e começa a temer a necessidade de usar expressões menos comuns e mais polêmicas como “da horinha” e “chablim, papito”, ele não para. ele quer saber o porquê da viagem, ele quer saber pra qual bar você vai, te pergunta quem você vai encontrar, o que você espera do final de semana, quanto tempo você tem de namoro. você está acuado, você foi criado por pais rígidos, você deixou o celular em casa, e ele te pergunta se a rádio está do seu agrado, se conhece aquela vizinhança, se tá sabendo das obras do elevado, se acha que a região portuária tem conserto. você sai do taxi exausto, tenso, emocionalmente oprimido, mas com a confusa sensação de que nunca na sua vida encontrou alguém que quisesse a sua opinião tanto assim.

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Mais dois casos clássicos dos double binds da vida

george michael

#Você organiza pelada e pelada é só amigos, pelada é só alegria. Futebol society, campinho gramado, barzinho do lado. Dois timinhos de seis, espaço pra trabalhar a bola, pensar na tranqüilidade, tocar pra quem tá mais bem posicionado, desenvolver a malícia desportiva. Timinho de fora pra manter competitividade, mas não completo, rola par ou ímpar pra ver quem fica. Durante dois meses tá de boa. Mês seguinte não tem timinho de fora, mas tá tranqüilo,corre mais, ainda que com menos seriedade porque sem sair você sabe como malandro fica. Um mês depois começa a ficar complicado de dar doze, tem que chamar galera da pelada anterior pra completar, mas tá de boa, é coisa do momento, janeiro é foda, geral de férias. Aí na outra semana só tem dez, maior correria, mas a pelada rola. Aí numa quarta chove e só tem seis, seis é foda. Na outra vão cinco, cinco é sacanagem. Falta dinheiro pra quadra, pelada mia, você fica puto. Manda email reclamando e pedindo pra cada um levar um amigo, pra pelada não morrer, email emocionado, usa a palavra “comprometimento” em itálico sublinhado. Chega quarta, cada um leva seis amigos. Pelada lotada, oito times de fora. Você pensa que agora tá bacana. Galera sai puta porque tinha gente demais e não rolava de jogar. Você pede pra galera confirmar no site antes de ir, pra isso não acontecer mais. Na outra semana tem seis pessoas. Depois tem cinco. Cinco é sacanagem. Você acaba com pelada. Organiza outra pelada. Outra pelada é só amigos, outra pelada é só alegria. Um dia você chega lá e só tem seis caras. Seis é foda.

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Pessoas com quem você não quer topar durante uma reunião #97, #98 e #99

o-DAVID-BRENT-facebook

#97 – O Ted Mosby: Um contextualizador obsessivo, o Ted Mosby sente uma necessidade incontrolável de, diante de qualquer questão, por mais simples e inócua que seja, oferecer um panorama completo, histórico e detalhado de todos os aspectos relacionados ou não, conseguindo transformar qualquer discussão, mesmo que absolutamente superficial, numa verdadeira palestra. Ele não consegue falar sobre o fluxo de caixa sem apresentar o plano de negócios, não consegue apresentar o projeto sem discutir a missão, não consegue citar o nome de alguém sem mencionar toda a equipe, incluindo background, formação e habilidades específicas e certa vez, quando alguém perguntou quem tinha feito aquele café delicioso ele começou com a frase “a história do café começou nas terras altas da etiópia no século IX…” e todos só conseguiram sair da sala quando o cara da segurança apareceu pra dizer que precisavam apagar as luzes.

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Por uma breve taxonomia das reclamações injustificadas

elaine

A reclamação desvinculada – Um clássico da era da informação e das redes sociais, esse é provavelmente o tipo mais comum de reclamação contemporânea e consiste em expressar sua contrariedade e indignação em relação a algo que não apenas não tem você como público-alvo como possivelmente nem tem relação direta com a sua pessoa, como se a simples existência desse elemento, ainda que totalmente isolado do seu ambiente pessoal e num nicho que você necessariamente não precisaria freqüentar, fosse algo absolutamente ofensivo e que gera imenso ódio e fúria incontrolável.

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A praticamente interminável playlist sobre mal-entendidos e brigas de casal: itens #12, #13, #14, #15 e #16

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#12 -Joe Cocker – Don’t let me be misunderstood: Possivelmente o mais próximo que uma canção romântica consegue chegar de uma declaração formal de desculpas após uma acusação de violência doméstica, essa balada de Joe Cocker se tornou um clássico por aliar em poucas estrofes não apenas claros sinais de bipolaridade do eu-lírico como também aquela postura “só deus pode me julgar” tão presente nos grandes romances, nos grandes adesivos de carro e nos grandes perfis de orkut. Ótima trilha para episódios de Linha Direta, dramatizações durante a madrugada na Record e declarações do tipo “não é nada disso que você está pensando” quando é exatamente aquilo que ela estava pensando e nem é a primeira vez.

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5 status pós-termino de relacionamento

Amizade fraterna: E vocês terminaram. Não por conta de brigas, não por conta de problemas, não por conta de algum conflito impossível de solucionar, mas sim porque gradualmente os caminhos que antes se cruzavam viraram retas paralelas e vocês concluíram que, ao menos romanticamente, nunca mais iam se encontrar. Do tempo juntos ficou o carinho, ficou a intimidade, ficou uma certa sintonia e todo aquele conhecimento que um tinha sobre o outro. Você sabe que pode contar com ela quando fica chateado, ela sabe que pode contar com você quando fica triste, e vocês sabem que o amor que um dia sentiram não sumiu, apenas se transformou num sentimento bem menos físico e muito mais próximo da amizade. Ou ao menos é isso que vocês sempre explicam quando todo mundo vem dizer que é óbvio que vocês ainda tão transando e esse papinho de amizade e retas paralelas só pode ser sacanagem, na boa.

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5 sinopses para comédias românticas com finais tristes

sarah marshall

Rapaz feio e complexado conhece por acaso garota bonita durante a festa de um amigo e ela se mostra interessada por ele. Os dois vão se encontrando outras vezes, sempre de forma acidental e fortuita, mas o jovem continua incapaz de acreditar que uma garota tão fisicamente bonita e disputada por outros caras esteja real e sinceramente atraída por ele, opinião essa que encontra eco em seus amigos e familiares, que também acham que ali deve ter alguma coisa de errado. Por fim ele acaba se apaixonando e por conta dessa nascente relação se vê obrigado a passar por um complexo (e bem-humorado) processo de crescimento pessoal que o leva a entender que somos todos humanos, o amor acontece e ninguém está acima de ninguém. O auge do filme seria quando ele, informado por uma amiga em comum que a garota estaria se mudando para estudar artes cênicas em Chicago, finalmente toma coragem e a convida para jantar, se declarando com uma serenata em frente a janela do prédio em que ela mora. No jantar ela contaria que não, não estava afim dele, apenas se envolveu num esquema de pirâmide e precisava vender uma massa caseira de biscoito pra mais 5 pessoas, mas era dinheiro garantido, não tinha erro. Garoto compra massa e depois não consegue vender pra mais ninguém, porque essa coisas de pirâmide sempre dão errado no final.

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5 grandes canções que você encontra quando digita “Wando” no Grooveshark e arca com as consequências desse ato

“Gazela” – Uma das lembranças mais antigas que eu tenho da minha infância é a capa de um disco do Wando que minha mãe tinha, chamado “Tenda dos Prazeres” na qual ele, fantasiado de califa, está deitado sensualmente numa tenda árabe cenográfica, segurando uvas cenográficas enquanto ao fundo desponta uma lua minguante cenográfica. E mesmo sendo eu na época ainda um garotinho com pouco ou nenhum conhecimento do mundo, uma coisa me passou pela cabeça: esse deve ser o tipo do cara que se refere a uma mulher como “gazela”. E não, não vamos discutir que tipo de influência negativa essa capa pode ter tido sobre minha mente na época em formação e nem porque eu realmente considero que fico bacana vestido de Alladin.

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5 orientações pra quando você for conhecer a nova namorada/parceira casual/amiga especial do seu amigo

#Não seja proativo: Uma das grandes posturas geradoras de gafes no mundo é a proatividade.  As pessoas querem ser proativas no trabalho e estragam projetos, querem ser proativas no acampamento e matam animais fofinhos com pedaços de madeira, querem ser proativas na cozinha e incendeiam o fogão, daí ser necessário quando você conhece a namorada de um amigo, manter a postura mais reativa possível. Só chame a garota pelo nome depois que o seu amigo repetir essa identificação duas vezes, só se refira a ela pelo status depois que ele for confirmado por uma fonte externa e só expresse opiniões se tiver quem possa referendá-las. Essa é a melhor forma de evitar que você chame a Letícia de Marcela, a ficante de quem ele quer se livrar de namorada e comente que a ex dele lembrava um pouco um travesti exatamente quando está conversando com a mãe dela.

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Mais 4 razões pra respeitar o pagode da década de 90

Os nomes: Todo mundo sabe como é complicado achar um bom nome pra uma banda, ainda mais nos dias de hoje, quando boa parte dos nomes bacanas já tem dono e as pessoas são forçadas a usar coisas como palavras sem sentido, fusão de apelidos dos integrantes ou o nome da barraquinha de cachorro quente na qual o carro deles bateu naquele dia em Santos.

Exatamente por isso devemos respeitar a sempre impressionante criatividade dos grupos de pagode da década de 90, que gerou nomes que foram desde as mais absurdas variações em torno da palavra “samba” (Exaltasamba, Abolisamba, Badallasamba, Descontrasamba, Dedicasamba e etc) até coisas totalmente nonsense e beirando o absurdo como “Só Preto sem Preconceito”, “Bala, Bombom e Chocolate”, “Chocolate sensual” e, meu favorito, o “Grupo Sónabusanfa”. Porque pagode e modalidades sexuais não reprodutivas, ao que parecem, caminham juntos.

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