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Mais duas breves inseguranças causadas por filmes que eu vi faz um tempinho

ben affleck

# começou quando você viu aquela comédia romântica com o rapaz de harry potter. comédia romântica só fofura, comédia romântica só carinho, comédia romântica é mocinha e mocinho, aquela torcida, não tem grande surpresas. quinze minutos e você não tá curtindo o mocinho, meia hora e você tá simpatizando com o namorado da mocinha, uma hora de filme e você tá torcendo contra o casal, manifestando em voz alta que romance é mais que momento, que é fácil ser romântico sem as contas pra pagar, que estabilidade também é importante na vida. e aí você nota que na comédia romântica da vida você claramente não é o mocinho mas sim o namorado da mocinha. você não faz grandes gestos, você pede comida em casa, você defende rotina, você gosta do restaurante de sempre, você não é do tipo que leva flores mas sim do tipo que diz pra não esquecer a notinha fiscal do outback porque depois dá pra pegar petisco grátis da próxima vez (se possível as asinhas porque você curte asinha). você fica bem pensativo. você não gosta de imaginar sua namorada perto de caras parecidos com o adam sandler agora. você tá preocupado. comédia romântica com o rapaz de harry potter te deixou preocupado.

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Movie Review [Especial – FIC]

500 Dias com Ela

Cotação: 7/8

Tom: What happens when you fall in love?
Summer: You believe in that?
Tom: It’s love, it’s not Santa Claus.

O gênero da comédia romântica é, assim como as piadas envolvendo o time do Fluminense e as capas de Caras falando da vida pessoal da Adriane Galisteu, algo que parece já ter sido explorado até a exaustão. Garoto conhece garota, primeiro há um conflito inicial que os aproxima, depois existe a felicidade abobada, depois existe um segundo conflito que os separa e no final eles superam esse segundo conflito de forma impressionantemente fofa e ficam juntos num final feliz com alguma música bonitinha ao fundo, numa fórmula que vem sendo repetida e repetida, com poucas alterações, desde as comédias em preto e branco do tempo em que vovós não falavam sobre sexo em propagandas de chinelo. Por isso é tão interessante ver algum filme que consegue, não diria fugir desse “esquema”, mas trabalhar com ele e usar a linguagem própria das comédias românticas de forma criativa e inteligente. E “500 dias com ela” conseguiu fazer isso, com méritos.

Tudo começa com a sinopse que descreve o filme bem melhor do que eu posso conseguir: “Boy meets girl. Boy falls in love. Girl doesn’t”. O “garoto”, Tom Hansen (muito bem interpretado por Joseph Gordon-Levitt, o moleque etê de 3rd Rock), conhece a “garota”, Summer (Zooey Deschanel, se estabelecendo no papel de melhor mocinha linda/estranha do cinema atual) e fica apaixonado por ela, tendo seu coração partido quando ela termina o “caso” por não querer nada sério no relacionamento. O que vemos então é a jornada de Tom para esquecer aquele que ele considera o amor verdadeiro da sua vida, contado através de cenas que vão intercalando os momentos de vários dos 500 dias que se passaram desde que ele conheceu Summer até o desfecho do filme, num jogo de comparações e revisões sobre todas as fases do relacionamento. Mas o que vale no filme, tanto quanto a jornada do protagonista passando por todas as fases de uma relação, é a forma como o roteiro e o diretor nos guiam por esse caminho.

Marc Webb, diretor estreante e recém saído do mundo dos videoclipes (onde já dirigiu dois belos clipes do Weezer), conduz a jornada de Tom revisitando todas os clichês e metáforas da comédia romântica, com direito a toda a metalinguagem necessária pra uma obra que tanto analisa quanto homenageia o gênero. Vemos lá a felicidade do rapaz que conquista sua amada (traduzida numa cena musical genial e numa “participação especial” de Harrison Ford), vemos os momentos de alegria boba, intimidade dividida e romantismo quase constrangedor, mas também somos testemunhas dos pequenos percalços, das crises e do final angustiante da relação, tudo isso ambientado por uma cinegrafia inteligente, um roteiro muito bem amarrado e uma das melhores trilhas sonoras dos últimos anos (vale destacar o momento em que o protagonista ataca “There comes your man” do Pixies no karaokê, por exemplo), além de várias pequenas referências cinematográficas e de cultura pop que tornam o filme ainda mais interessante.

Mas o principal valor do filme é a capacidade de, mais do que revisitar os conceitos clássicos que formam uma comédia romântica, saber retratar esses conceitos com a dose necessária de autenticidade. A crença sorridentemente boboca do amor romântico permeia todo o filme? Claro que sim. Mas anda de mãos dadas com a idéia de que isso no final não faz sentido nenhum. E a trajetória de Tom acaba refletindo isso, esse conceito que foi descrito pelo diretor, logo antes do começo do filme, como “a colisão entre o que você espera da vida e o que você pode encontrar”. Ou, como o filme e muitas vezes o mundo real acabam mostrando, a colisão entre o amor que você espera e o amor que você consegue, e o seu caminho até conseguir encontrar um ponto em que o segundo seja o mais parecido possível com o primeiro.

*Se tiverem tempo procurem pelos outros pôsteres do filme, existem várias versões e são todas excelentes.

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