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Diários da ex-adolescência #6 – O estagiário pornô [1/2]

A época era o começo dos anos 2000, a cidade era Viçosa, o período era o sexto da faculdade de jornalismo, as aulas de fotografia eram feitas com pinhole, a vida era complicada, o contexto econômico era catastrófico. Após anos de uma confortável vida como jovem de classe média eu me via, após a implosão das empresas pontocom, a crise do óleo no oriente e a demissão do meu pai, obrigado a finalmente me defrontar com a realidade de um mundo sem mesada, sem dinheiro pra livros, sem mochila nova e onde independente da sua opinião sobre café da manhã, almoço e jantar, a refeição mais importante do dia seria fatalmente o macarrão com salsicha.

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Arquivado em é como as coisas são, Crônicas, homens trabalhando, situações limite, trabalho, vida profissional

Novas aventuras em lo-fi #19

Uma coisa engraçada da adolescência é que, apesar de ser possivelmente a época mais rica em transições, revoluções e reviravoltas que qualquer um de nós chega a ter na vida, já que não apenas não temos o controle de muitas das coisas que nos acontecem (quando se tem 16 anos não se pode escolher a casa onde se mora, o colégio onde se estuda, o curso de inglês que se faz ou que fotos suas vão ou não ser exibidas quando as visitas chegam na sua casa) como também estamos num momento de diversas transições pessoais (emos viram grunges, que viram hipsters, que viram metaleiros, que viram pagodeiros, que resolvem mudar o nome pra um símbolo como se fossem o Prince), ela consegue ser ao mesmo tempo a época das decisões mais contundentes, das opiniões mais fortes, das convicções mais firmes. Continuar lendo

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Arquivado em crise de meia meia idade, Músicas e derivados, teorias

Terminando um caso com a minha adolescência

Cara timidez, venho através dessa terminar o nosso relacionamento. É, eu sei, foram muitos anos e eu admito que sempre te achei até bastante charmosa, mas penso que agora, nessa altura do campeonato, já é hora de nos separarmos. Sabe aquela relação que quando começa é bonitinha mas depois você cresce e nota que perdeu o sentido, passou apenas a complicar a sua vida? Nós mudamos, eu mudei. Precisei tomar muita coragem pra te dizer isso, mas espero que você entenda.

O mesmo vale para você, senso de humor. Não, não que eu esteja terminando, mas temos que repensar nossa relação. Nós fazemos mesmo bem um pro outro? Em que sentido você torna minha vida melhor? Claro, eu te adoro, eu te acho o máximo, mas e todas as outras pessoas? Eu digo isso porque quase ninguém entende a nossa relação e eu estou cansado desse “nós dois contra o resto do mundo”. Amigos não gostam de você, família não gosta de você, quando nós nos encontramos no trabalho eu quase sempre passo vergonha. Claro, nunca comentei isso contigo, mas sabe quantas vezes as pessoas já me pediram pra que quando eu saísse deixasse você em casa? Não digo terminar, mas acho que temos que nos ver menos, entende? Precisamos mesmo repensar a nossa relação.

E tem você, complexo de inferioridade.Sim, eu sei o que você vai dizer. Que você já sabia, que você tinha certeza que não ia durar, que você sempre esteve preparado pra que terminasse assim, mas não é verdade.O problema sou eu, não você, entende? Você é um grande complexo, sério. Dos mais complexos,cara. Sinceramente, eu não sei como teria passado a adolescência sem você (na verdade eu sei) e pode ter certeza que eu sempre vou me lembrar de você. Não, não estou te trocando por um complexo de superioridade, nada disso, não precisa chorar. Eu apenas preciso de um tempo sozinho, longe desse tipo de companhia. Tenho certeza que em breve você vai achar algum adolescente emo problemático com quem ficar, pode apostar.

Sobre você barriga, eu realmente preciso ser direto. Eu sei pra onde a nossa relação está indo e você sabe muito bem que eu não quero compromisso nessa altura. E se nós continuarmos juntos agora a nossa relação vai provavelmente durar pra vida toda (isso se não crescer) e eu depois não vou conseguir ter a força de vontade pra me livrar de você. Mas claro, te prometo que a separação vai ser gradual, ainda mais porque estamos no começo, apenas nos conhecendo, nada de te abandonar de uma hora pra outra. Mesmo porque eu não tenho grana pra uma lipo.

Quanto a vocês, quadrinhos…eu tenho que dizer que…ok, brincadeira, não vou me separar de vocês. Fiz isso apenas pra ver a cara que vocês faziam. Não, senso de humor, não voltamos ao que éramos antes, foi apenas uma recaída.

E agora tem vocês dois, barba e óculos. Nós curtimos um bocado juntos, não? Colégio, tempos da faculdade, férias… Foram bons momentos. Irritamos namoradas, causamos briga com minha mãe, enfrentamos piadinhas juntos. É, bons tempos aqueles. Mas bem…as coisas mudam, certo? Sério, barba, nada pessoal, mas…acho que alguma coisa da magia que existia entre nós se perdeu.  Não combinamos mais, quando estamos juntos eu me sinto velho, não sei. Claro, não é o final, não é definitivo. Talvez nas férias, quem sabe? A culpa não é nem minha nem sua, talvez seja apenas o momento que seja errado. Quem sabe no futuro as coisas não se acertem entre a gente? Mas não, cavanhaque, com você a história acabou mesmo. Não sei onde eu estava com a cabeça quando saí contigo. Você me envergonha, cara. E já você óculos… vai parecer cruel mas…é melhor não andarmos mais juntos em público, sabe? É que…olha, eu sou a última pessoa pra dizer isso, mas…você é muito nerd, sabia? Mas bem, ainda podemos ficar juntos lá em casa, pra…sei lá, ler um livro, ver TV, alguma coisa desse tipo…Espero que você também entenda.

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