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Algumas grandes pessoas imaginárias que em algum dado momento você inventou para fugir de algum compromisso, convenção social ou evento familiar, devido ao fato de que você é muito tímido para dizer não e inseguro demais para contrariar abertamente seus amigos e conhecidos

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a garota muito gata em quem você tava chegando: eles insistiram demais. você disse que não no bar, mas ele perguntaram de novo no outro dia, você falou que não podia pelo facebook mas te mandaram mensagem no whatsapp, você desligou o celular mas telefonaram no fixo, você tirou o fixo do gancho e no mesmo instante a campainha tocou e era só o cara do delivery mas mesmo assim. ficou o susto e a comidinha chinesa desceu com gosto de terror. você já tinha tentado ser sincero antes mas não tinha rolado – “quem fica em casa vendo buffy num sábado a noite, cara, que isso”. você já tinha tentado mentiras mais sutis mas não tinha rolado – “a gente não se importa se o campeonatinho do modo ultimate do fifa que vale mais pontos acaba em doze horas, fera”. você já tinha apelado até mesmo para desculpas que numa época mais antiga tinham dado certo, mas sem sucesso – “tu disse que sua mãe tava doente mas ela tá postando no facebook foto na praia, joão, que doença é essa?”. mas nada disso funcionou e você decidiu apelar. “cara, não posso, vou sair com uma gostosa” – “opa, a gente conhece?” – “não…não conhece…ela…ela…é de macapá. tá no rio de passagem, tem que ser hoje” – “e tem amiga?” – “não tem, nunca teve…quer dizer, veio sozinha” – “que beleza, se rolar depois encontra com a gente então”. você fica em casa mas gasta 2 horas da sua noite escrevendo uma espécie de bio da menina imaginária, envolvendo interesses (“gosta de cinema europeu, cachaça da roça, programa roletrando”), passado (“trancou a faculdade de sociologia no meio pra mochilar pelo estado de goiás”) e hábitos (“uma vez ela quis chutar um chihuahua e eu tive que impedir”). no dia seguinte ninguém te pergunta nada sobre o encontro imaginário e você se sente um pouco rejeitado.

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Grandes pequenos momentos conversacionais presenciados em aeroportos #67, #68 e #69

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#67 – o  telefonema ostentação:  quase sempre acontece numa fila. Pode ser a fila do embarque, poder ser a fila pra despachar mala, pode ser a fila pro detector de metais. Alguém na sua frente, ou atrás de você está falando ao celular. Mas não falando ao celular como você costuma estar num aeroporto, se despedindo da sua mãe, avisando pra namorada que vai chegar mais tarde. Não, essa pessoa está falando ao celular coisas importantes, ela está decidindo problemas, ela está tomando decisões. E ela está fazendo isso num volume muito alto, quase sempre mencionando o quão importantes são essas decisões, o quão críticos são esses problemas, o quão importantes são essas coisas importantes, além de sempre destacar, num volume mais alto ainda, o destino da viagem e quanto tempo ela vai ficar nesse lugar. Exemplo ilustrativo do telefonema ostentação: “Não, Selma, DIRETORA DE ESTRATÉGIA, eu não posso falar agora porque O PRESIDENTE me mandou nessa VIAGEM PARA MILÃO, onde estarei COMANDANDO A NEGOCIAÇÃO com os italianos, DURANTE SETE DIAS. E não, meu telefone IPHONE BEM CARO não tá com problemas de volume, por que você tá perguntando isso?”

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Algumas playlists extremamente específicas para momentos um tanto quanto particulares

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Cinco canções pra quando você está tentando se animar pra sair com seus amigos mas não está exatamente animado porque não apenas não acredita no rolê como também já se sente envolvido emocionalmente com alguém e imagina que ainda que isso não vá necessariamente te imobilizar em termos pessoais porque não é nada sério mas poderia vir a denotar uma certa falta de romantismo da sua parte com a qual você mesmo não quer conviver

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Gonna find my baby, gonna hold her tight, gonna grab some afternoon delight

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Nesta semana que passou não tivemos texto novo por aqui mas em compensação discutimos a obrigatoriedade dos “relacionamentos sérios” no Papo de Homem, o uso de palavrões e do constrangimento como ferramentas de humor no Sobre Comédia e também o ódio do Alan Moore pelos super-heróis no Danger!. Clique nos links para prestigiar os assuntos mas não deixe de ler os comentários, fui xingado de algumas coisas bem criativas essa semana e acho que em breve alguém vai superar o dia em que um cara disse que eu “colocava a vagina num pedestal” e eu senti como é viver na vida real uma cena do filme “O virgem de 40 anos”.

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As ideias básicas por trás do conceito de vida adulta, ao menos a vida adulta como venderam pra gente, são basicamente três: autonomia, estabilidade e maturidade.

Autonomia porque resolvemos nossas coisas sozinhos. Pagamos nossas contas sozinhos, moramos sozinhos, trabalhamos sozinhos, decidimos sozinhos. Mas trabalhamos em equipes, temos que consultar um chefe, arrumamos namoradas, passamos finais de semana na casa dos pais. Pedimos opinião dos amigos, consultamos resenhas na internet, temos happy hours com galera, nos sentimos sozinhos, trocamos piadas horríveis em grupos do whatsapp. Mandamos mensagens longas demais quando bebemos, vemos filmes que nos fazem lembrar de pessoas, queremos dividir com os outros aquela música. Escrevemos pra alcançar pessoas, viajamos pra encontrar pessoas, dormimos encostados em pessoas. Sentimos falta de outras pessoas de manhã.

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A mais longa playlist de músicas tristes (ou relativamente tristes) do universo: itens #556, #557, #558 e #559

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#556 – Peter and Kerry – Split for the city: Baseada no terror inato e primordial de não estar lendo os sinais, não estar pegando as deixas, não estar entendendo as pistas e ela estar fazendo as malas pra ir embora e levando o gato enquanto você apenas se pergunta porque uma bolsa tão exageradamente grande só pra ir comprar o café que acabou – “e você sabe que o Willie sempre espirra quando você leva ele nessas padarias” – essa cançãozinha disfarça como pop vagamente dançante um monstro lovecraftiano mais perverso e aterrorizante que Cthulhu, que é o “eu ainda te amo mas acho que não estou mais apaixonada por você”. Para pistas de dança com espaço para você se deitar em posição fetal enquanto bebe vodka de canudinho.

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Três observações sobre meu retorno ao mundo das academias

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# como amigos, namorada e familiares sabem, eu, apesar de ter uma certa habilidade com noções abstratas e discussões conceituais, apresento uma imensa dificuldade para seguir instruções simples ou mesmo me movimentar em espaços físicos menos abertos – “joão, busca o creme na gaveta de cima do armário? não, joão, de cima. do armário, joão. não, o armário do quarto. não, não, armário, você não sabe o que é um armário? o quarto, joão, o quarto. por que…mas…por que você tá me trazendo um sapato da cozinha, e acionou o alarme da garagem, joão?”- e isso claramente vem à tona sempre que eu entro no ambiente da academia, que não apenas possui um volume grande de informações visuais como também algumas músicas contagiantes do gênero dance noventista que reduzem mais ainda minha concentração. somando a isso o fato da academia ser toda espelhada, os aparelhos estarem dispostos de forma irregular e serem completamente ajustáveis, e você tem o ambiente perfeito para que eu bata em paredes, tropece em pessoas, me flagele com barras de ferro ou mesmo fique com o braço preso numa corda metálica e volte pra casa todo coberto de graxa. diante disso não é exatamente uma surpresa que, sempre que eu chego na academia, os professores me olhem com a perplexidade de quem vê um cãozinho voltando com a bola na boca depois deles terem lançado a bola do topo de um penhasco.

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Não culpe a internet por não falar mais com a sua tia

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Depois de passarmos um bom tempo defendendo que a tecnologia iria resolver todos os nossos problemas – “viagens espaciais, vida eterna, queijo em spay!”- a tendência mais recente é falar que a informatização, os celulares e a internet são os grandes culpados por tudo. Nossos jovens são violentos por causa dos videogames, nossas famílias são distantes por causa dos celulares, nossos relacionamentos estão em frangalhos por conta dos computadores.

E de todas essas teorias vagamente apocalípticas, uma das que mais me intrigou sempre foi a ideia de que a evolução dos meios de comunicação e o desenvolvimento da internet estariam servindo para nos afastar das pessoas. Por causa do facebook não fazemos amizades, por causa do skype não saímos mais, por causa do twitter não conversamos de verdade, por causa do orkut gastamos nosso dinheiro com moedas para o jogo da fazendinha. E essa teoria sempre me fascinou porque, se você pensar bem, ela obviamente não passa de uma desculpa esfarrapada.

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Simples situações românticas da vida adulta que não são nem tão simples, nem tão românticas e nem tão adultas

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a data é comemorativa, o momento é bonito, a namorada já alertou que a estante está lotada e não parece uma boa ideia você continuar dando livros de presente. ela mencionou que gosta de massagens, você andou lendo sobre o valor das experiências em comparação com os presentes materiais, a clínica de spa parecia bonita no site. você pensou em reservar só pra ela, achou que seria pouco romântico, decidiu reservar pros dois pra não ficar jogando candy crush na sala de espera. fez a pesquisa, envolvia massagens, envolvia banhos relaxantes, envolvia pétalas de rosa, você leu em algum lugar que pétalas de rosa são uma boa, mulheres curtem pétalas de rosa, se por exemplo você matar alguém e chegarem duas policiais femininas você se cobre com pétalas de rosa. telefonou antes perguntando se precisava levar alguma coisa, clínica disse “não precisa levar nada, tá tudo sob controle, apenas pode vir”, chega o dia, você vai. chegando lá o clima é esquisito, você na sala de espera vê um gringo passando de toalha, ele não parece ter nada por baixo, você fica pensativo, você não manja de spa, você deveria ter pesquisado melhor.

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Ortobom é a nova Chilli Beans

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E depois de apenas quatro anos se tornou necessário trocar o colchão. Um pouco porque as pernas se quebraram na mudança, um pouco porque o tecido se desgastou após ser sucessivamente banhado por líquidos coloridos das mais diversas origens, um pouco porque as molas se quebraram devido as diversas vezes em que eu me pendurei na janela para regular manualmente o ar condicionado e deixei meu corpo cair de uma altura de cerca de dois metros dizendo “iupiiiii” no meio da cama.

Diante desse contexto e da necessidade de adquirir não apenas um novo colchão como também uma nova cama, comecei as pesquisas preliminares pela internet, descobrindo rapidamente a complexidade do ramo dos acolchoados, um mundo de valores altos, menções a NASA e tipos de espuma cujo nome é mais longo do que o meu. Mas existe um limite para o quão longe você pode ir pesquisando na internet algo que claramente envolve tato e conforto, e num dado momento precisei ir para as ruas em busca das respostas que procurava.

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