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Pessoas que comentam aquele seu post no facebook: #73

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#o arquivo confidencial: quase sempre se trata de uma amizade de intensidade baixa pra média, vamos dizer assim. uma pessoa que você conheceu sim, conheceu até bastante, e com quem viveu algumas situações, criou até uma boa intimidade, mas durante um período relativamente limitado de tempo, o que faz com que vocês tenham histórias mas não exatamente um vasto repertório delas. é aquele colega de trabalho de quem você foi muito amigo por seis meses mas depois foi transferido, é aquela menina da turma de inglês com quem você andou direto durante um ano mas depois trocou de cidade, é aquele bróder gente boa da pelada de terça que teve filho e aí não apareceu mais pra jogar.

aí um dia você encontra ele ou ela no facebook. já é amigo de um amigo comum, tá numa foto com alguém de lá da sua cidade, foi marcado num daqueles posts de “e a galera nunca mais, né?” e você tem uma vaga lembrança dos momentos, da amizade legal, e ainda que saiba que dificilmente ela vai ser retomada, é alguém gente boa do seu passado que você gostaria de saber como tá, o que virou, pra onde foi. adiciona, trocam umas mensagens, rola aquela eterna falsa promessa de tomar um chopp juntos quando estiverem na mesma cidade (“se vier no rio me liga”, mas você não deu seu telefone, não atende números que não conhece, na verdade se mudou do rio em 2005)

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Mais algumas recentes adições ao guia cada vez mais pessoal de desconfortos cotidianos

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#Você não lida bem com elogios, então sua primeira reação é dizer que não foi nada. “Não foi nada, que isso”, você diz. A pessoa insiste e você tenta dizer que não foi algo especial, nada de mais. “Você faria igual, sério, foi bem ok”. A pessoa não deixa quieto e diz que não tem nada de ok, ela nunca faria algo assim, foi bacana mesmo. “Que isso, é você sendo gentil, certeza que tem um monte de gente que faria melhor, claro”. A pessoa definitivamente gostou e diz que não, cara, melhor que ela já viu na vida, foi espetacular mesmo. “Mas foi na sorte, sabe? Tipo, eu não consigo sempre fazer assim, né?”. Mas o cara te acha um gênio, ele gostou mesmo, ele curtiu muito. “Não, mas você não tem ideia, esse saiu bom, você gostou, mas o resto? Pô, faço muita merda, é que você me viu numa hora boa, sabe? Assim, uma em um milhão”. Mas o cara não pára, ele diz que tá lindo, ele fala que tá sensacional, ele quer te dar um abraço. E então você diz que não. Que não é assim. Que você não é tão bom. Que é tudo uma farsa. Que você não faz aquilo tão bem, que você não é um bom profissional, não é um bom filho, que queria ser um namorado melhor, que fez aulas de natação mas não se sente seguro na piscina, que as vezes cospe quando fala, que não consegue mais viver essa mentira e quando você tá começando a mencionar que chorou logo após a sua primeira vez o cara já foi embora e bem, como eu tava dizendo, você não lida bem com elogios.

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Publieditorial #73: As novas mídias estão mortas, viva as antigas mídias

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Acredito que uma das grandes lições que eu aprendi nessa vida sobre o valor e relatividade da fama na internet aconteceu quando eu disse pro meu irmão que meu blog tinha conseguido dez mil acessos num dia, ele me perguntou o que isso queria dizer, eu disse que queria dizer muita gente e ele me perguntou “mas vai conseguir transar por causa disso?”. Nesse dia eu não apenas aprendi muito sobre o mundo online quanto também sobre o mundo offline, além de ter aceitado o fato de que não, eu não ia conseguir transar por causa daquilo. E dez mil acessos não são isso tudo também.

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Da necessidade de canais incomuns para escape de frustração em situações de irritação repetitiva

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Daí que você tem um problema. Não é um problema novo, não é um problema grande, não é um problema dramático, não é um problema inédito, é apenas um problema. Ele já vem de algum tempo, ele já vem consumindo algum esforço, ele já foi comunicado a todas as pessoas com quem você tem contato o bastante para comentar sobre algum problema seu. Com algumas você abordou o problema de forma vaga (“ah, sei como é, também tenho esse problema”), com outros de forma pormenorizada (“então, e por causa disso, disso e disso, isso é um problema, me deixa trazer o retroprojetor, eu fiz umas lâminas”), mas nesse meio tempo o problema persistiu, não foi resolvido, e a duração dele não fez diminuir o seu nível de contrariedade em relação ao problema. Na verdade ele apenas vem aumentando.

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Do conhecido enquanto ferramenta de estranhamento e reconhecimento social (ou apenas: “Alfacinha”)

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Como qualquer um dos 7 usuários do google + poderia apontar, nossa vida social é composta basicamente por círculos, cada um deles diretamente relacionado ao nível de intimidade e ao volume de características que compartilhamos com seus membros. Com familiares dividimos material genético, alguns traços físicos e um acordo tácito de nunca perguntar como o tio Alfredo ganha o dinheiro dele. Com amigos compartilhamos interesses, visões de mundo e histórias desagradáveis sobre aquela vez em que alguém se alimentou apenas com frolic durante dois dias e nem era aquele com vitaminas. Com colegas de trabalho compartilhamos uma fonte de renda, uma copa e um clima de hostilidade constante derivado da total dedicação deles a foder com a sua vida. Mas esse sou eu, que não tenho uma relação legal com o meu trabalho. Não vou generalizar.

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Sobre perdas, histórias e um amigo que foi embora

A gente nunca sabe lidar com a perda das pessoas de quem a gente gosta. Sejam familiares, sejam amigos, sejam colegas, a gente apenas não tem os mecanismos, emocionais ou sociais, pra lidar com a idéia de que uma pessoa que é importante pra nós, de cuja presença nós gostamos e precisamos, apenas foi tirada do nosso convívio e não existe a chance de que ela volte. Soa errado, soa arbitrário, soa cruel. É o tipo de coisa que, por mais que aconteça, por mais que a gente tente entender, por mais que seja parte do processo e da dinâmica da vida em si, nunca fica mais fácil, nunca faz mais sentido. Por mais que a gente viva, por mais que aconteça, a gente nunca vai ficar mais experiente nisso, aprender a lidar melhor, estar realmente preparado pra perder alguém. Continuar lendo

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Breves conceitos para uma análise das sub-amizades

A amizade de ocasião: nascida quase sempre de forma fortuita e majoritariamente derivada da exposição de pessoas a um ambiente hostil e desconhecido, a amizade de ocasião é o melhor exemplo de relacionamento instrumental, no qual duas pessoas desenvolvem um vínculo – tênue ou não – apenas pelo período necessário para que superem uma situação específica ou supram uma necessidade pontual, sem que exista necessariamente o planejamento ou intenção de que essa relação seja mantida fora daquele contexto ou após aquele período. Como exemplos de amizade de ocasião podemos mencionar aquela sua extrema simpatia pelo seu vizinho que comprou um videogame novo antes de você, aquela sua profunda ligação com a colega nova do trabalho até notar que ela não tinha amigas gostosas e todas as noites em que você, bêbado, aluga o garçom falando sobre como sente falta da Luana e terminar com ela foi o pior erro da sua vida. Continuar lendo

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Da zoeira bacana e da zoeira vacilo – Ep #1

Uma coisa muito complicada no trato com os seus amigos, parceiros, bróderes e congêneres é a questão do limite entre a brincadeira saudável, o chiste sadio, o humor que agrega, muito comumente conhecido como “zoeira bacana” e a brincadeira sem graça, o chiste maldoso, o humor que gera inimizades, várias vezes chamado de “zoeira vacilo”. Isso porque, ainda que mulheres quase sempre discordem e aleguem que homens são insensíveis, frios e só conseguem expressar 4 sentimentos, sendo que dois deles são referentes a estar ou não com fome, nós também temos pontos fracos, inseguranças e somos capazes de sofrer e de nos sentir magoados, seja por parceiras, familiares ou amigos. Uma frase errada, uma declaração mal-colocada, uma brincadeira além do limite podem fazer com que um cara fique chateado, triste, nervoso ou até mesmo violento. Mas não, nada de chorar. Chorar é meio coisa de veado.

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Outro post de aniversário

E nesse mês de junho o Just Wrapped completou três anos de vida. Sim, três anos de vida, amigos. E isso, é claro, além de nos lembrar que o tempo passa, a vida acontece, e os anos não são medidos pelo sistema decimal – porque se eles fossem teríamos 3,6 deles e eu estaria certo quando faço aqueles cálculos do tipo “300 minutos igual a 3 horas” – também torna necessário que algumas coisas sejam ditas.

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Top 5 – Formas clássicas de terminar relacionamentos

Término em local privado: Terminar é uma tarefa das mais duras e complicadas, que você não pediu e nem gostaria de ter recebido, mas acabou caindo nos seus ombros. Então, em respeito ao seu parceiro, ao tempo que vocês passaram juntos e a tudo que aconteceu entre os dois, você decide que a melhor maneira de informar sobre a sua rescisão unilateral desse contrato bonito que foi o relacionamento de vocês é num local íntimo em sua casa ou na casa dela, onde os dois podem conversar com calma, sem a impessoalidade de um local aberto ou a presença de pessoas desconhecidas. Apenas vocês dois, celebrando um passado em comum e pensando num futuro que ambos esperam que seja feliz. Prós: discrição, privacidade, dá pra fazer nuggets se alguém sentir fome. Contras: se ela começar a tirar a roupa e disser que quer sexo de despedida fodeu tudo.

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