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Top 5 – Problemas de ser considerado um cara bonzinho

– Ao contrário dos outros homens que podem ser rejeitados com toda uma miríade de frases, desculpas e razões, você vai ouvir apenas três frases de rejeição na sua vida, que são “eu gosto de você, mas como amigo”, “não quero me envolver com ninguém” e “estou saindo de um relacionamento complicado”. E não, elas não vão ser ditas de acordo com o contexto e nem escolhidas de forma racional: você vai estar numa micareta e a garota vai dizer que não quer um envolvimento sério; vai chegar numa desconhecida e ela vai dizer que gosta de você, mas como amigo; e vai se apaixonar por uma freira recém-saída do convento e ela vai dizer que não quer se envolver com outro relacionamento complicado. Sei lá, acho que as mulheres escolhem essas coisas no modo shuffle e só deixam rolar.

– Pessoas irão tentar te explorar em diversas situações apenas pelo fato de saberem que você tem uma grande dificuldade para dizer não e em vários momentos você vai notar que está na linha tênue que separa um cara gentil e prestativo de um cara trouxa e idiota. Por exemplo, um dia você vai sair com uma garota de quem você está afim e vai pagar o táxi. Normal. No outro dia você vai sair com essa mesma garota, sendo que está óbvio que não vai ficar com ela, e vai pagar o lanche. Você não percebeu, mas na mente dela isso pavimentou uma estrada que, se você não souber contornar, irá levar a que no futuro você esteja pagando a conta de luz da namorada de um desconhecido.

– Você vai notar que na mentalidade feminina o cara bonzinho* é sempre o cara “pra depois” ou o cara “pra apresentar pra uma amiga”. Por exemplo, você é tão legal que ela realmente não pode ficar contigo mas você com certeza é o cara certo para aquela prima ex-viciada que acabou de sair da prisão de Guantánamo por ter auxiliado algumas ações terroristas na África e ok, ela tem aquele problema de esfaquear as pessoas em situações de pressão, mas você é um cara bonzinho, não vai se importar com isso! E vão formar um casal tão fofo!

– Quando você descreve a sua noite para os amigos você acaba sendo o único que usa a linguagem denotativa com muita freqüência. Por exemplo, se um amigo seu disser que foi “deixar uma amiga em casa”, ele evidentemente foi pra casa de alguém transar. Você, quando diz que levou uma amiga em casa é porque realmente levou uma amiga em casa. E depois parou no Pão de Açúcar porque o desinfetante tinha acabado e você lembrou que precisava comprar mais.

– Você vai notar que passar de “cara bonzinho” para “cara mau” é basicamente como passar de país de terceiro para país de primeiro mundo: não rola. Se você começar a tentar agir de forma mais firme e egoísta as pessoas vão automaticamente comparar esse comportamento com a sua conduta antiga e considerar que você se tornou um babaca (o que é bem diferente de “cara mau”), enquanto a persistência no comportamento considerado “bonzinho” vai te levar a carregar coisas pesadas para as pessoas, pagar mais caro nas festas e ficar com a consciência pesada por ter discutido com o barbeiro que deixou seu cabelo parecendo as costas de uma ovelha que fugiu no meio de uma sessão de quimioterapia.

*Eu sempre tive uma certa desconfiança de que isso da mulher te dar um fora te achando “bonzinho” ou “legal” tem um nível muito grande de falsidade. Por exemplo, se eu conheço uma garota e acho ela realmente legal ou realmente uma boa pessoa eu fico com ela, não dou um fora e digo que ela ainda vai fazer um outro cara muito feliz. Ou seja, quando ela diz que você é legal ou bom mas não vai ficar contigo ela está claramente dizendo que você é legal, mas não o bastante e bom, mas não o bastante. Sério, eu seria um péssimo terapeuta motivacional, mas essa é a óbvia verdade. O problema não é com ela, é com você.

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