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Novas aventuras em lo-fi #19

Uma coisa engraçada da adolescência é que, apesar de ser possivelmente a época mais rica em transições, revoluções e reviravoltas que qualquer um de nós chega a ter na vida, já que não apenas não temos o controle de muitas das coisas que nos acontecem (quando se tem 16 anos não se pode escolher a casa onde se mora, o colégio onde se estuda, o curso de inglês que se faz ou que fotos suas vão ou não ser exibidas quando as visitas chegam na sua casa) como também estamos num momento de diversas transições pessoais (emos viram grunges, que viram hipsters, que viram metaleiros, que viram pagodeiros, que resolvem mudar o nome pra um símbolo como se fossem o Prince), ela consegue ser ao mesmo tempo a época das decisões mais contundentes, das opiniões mais fortes, das convicções mais firmes. Continuar lendo

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Novas aventuras em lo-fi #9

Uma coisa que acontece com freqüência quando a gente é garoto, não sabe falar inglês direito ou apenas ouve as músicas de relance é não sacar muito bem qual que era o exato conceito da canção e acabar vivendo a vida tranqüilo, de boa, mas com uma visão distorcida do que está rolando naquela faixa 4. Pensamos que “Santeria” era uma música romântica sobre Miami e não sobre como queremos matar um cara chamado Sancho; confundimos hinos de solteironas com canções sobre tempo virando; pensamos que o Billy Idol queria mesmo ajudar o peixe e ficamos horas nos perguntando porque nas festas do Cláudio Zoli rolava intercâmbio de biquínis. E uma dessas canções que eu conhecia desde moleque mas cujo sentido eu realmente nunca tinha alcançado até um dado momento no metrô carioca – coração batendo forte sentido zona norte – é “Quase um Segundo”, dos Paralamas do Sucesso.

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Novas aventuras em lo-fi #3

Eu não curto muito hip-hop americano*. Nada pessoal, nada contra, apenas não rola aquela identificação conceitual (eles são grandes, eles falam sobre prostitutas e brigas de gangues e, no caso do Eminem, querem matar a própria mãe, ou seja, realmente não faz sentido pra mim) e muito menos aquela compreensão da letra (se eu não agüento um amigo meu falando durante 5 minutos sobre como é mau, fodão e transa com todo mundo, porque eu agüentaria um desconhecido, certo?), o que faz com que o hip-hop seja possivelmente um dos ritmos pelos quais eu demonstre menos interesse (ainda que eu ache o Snoopy Dogg engraçado e sempre tente me manter atualizado quanto ao nome atual do P. Diddy e coisas do tipo)

Por isso quando eu domingo passado na sala, meio gripado, despenteado e abraçado a um edredon como se fosse o Linus em Peanuts, apenas a inércia me fez manter a TV no Multishow durante uma daquelas intermináveis e dolorosas sessões de clipes que eles têm, que deveriam servir pra mostrar o que faz sucesso hoje em dia mas na maior parte do tempo só servem pra nos lembrar de que sim, o mundo merece acabar numa imensa bola incandescente e isso vai acontecer ao som de Jonas Brothers e Cine.

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