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Pequenas situações que dizem mais sobre a sua vida do que você gostaria

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Daí que você mudou de cidade e precisou arrumar um lugar pra cortar o cabelo.  Você não é de pesquisar, você não é de pedir opinião de conhecido, você só acha uma barbearia no caminho de casa, entra, explica vagamente o corte, o cara corta, aí ele pergunta como é o pezinho, você não sabe como é o pezinho, ele diz que pode ser disfarçado, a ideia de um pezinho que se disfarça de outra coisa parece intrigante, faz pezinho disfarçado então. Você sai da barbearia, o cara se despede de você com um “até a próxima, Guilherme”, você fica confuso, mas não corrige, já tá na porta, nem sabe se vai voltar ali, necessidade nenhuma de corrigir o cara numa besteira dessa.

Claro que no mês seguinte você volta, porque você descobriu uma barbearia, seu cabelo ficou socialmente aceitável, você não vai procurar outra barbearia. Chegando lá o mesmo cara te recebe com um “faaaala, Guilherme!” e você acena de cabeça com um “que?” como uma maneira de sinalizar que você entendeu o gesto mas não as palavras, tentando não precisar corrigir o cara mas não responder diretamente quando chamado de Guilherme, porque esse não é o seu nome, mas você não vai sair corrigindo uma pessoa por causa de uma coisa assim. Guilherme, João, Oswaldo, é tudo nome, tá tudo bem. Continuar lendo

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Arquivado em é como as coisas são, situações limite

Aquele sobre cabelo, salão masculino e a pastinha modeladora

Como qualquer um de nós pode notar, a alvorada do novo milênio trouxe uma série de mudanças no papel do homem como gênero. Antes criados para basicamente prover alimentação, proteção, cantadas pedreiras, comentários sobre futebol e reafirmar a idéia de que não, não precisa pedir informação, a gente sabe pra onde tá indo, nós machos nos vemos hoje diante de um novo contexto, em que os papéis e posições de identidade são muito mais flexíveis e no qual vemos surgir essa criatura ainda em formação e cheia de características contraditórias chamada “homem moderno”.

Sim, o homem moderno, esse que ao mesmo tempo em que não pode mais fazer várias coisas que antes eram consideradas “normais” se vê diante de diversas possibilidades que antes a sociedade lhe negava, no que meu pai chama carinhosamente de o paradoxo do “chamar de gostosa não pode, mas depilar o peito pode”. Uma dessas grandes revoluções fica clara no campo da estética masculina, antes uma área tão valorizada quanto a arquitetura cigana e o cursinho de latim para viajantes, mas hoje tão rentável quando os shows do Luan Santana e a venda de armas no Oriente Médio, e que para muitos de nós ainda é um território são assustador e misterioso quanto a discografia da Gloria Gaynor ou os livros da série Bianca. E poucas questões exemplificam tão claramente isso quanto a do cabelo e dos salões masculinos.

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Arquivado em crise de meia meia idade, homens trabalhando, situações limite, Vida Pessoal