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Top 5 – Coisas que demonstram que estamos crescendo

Trabalho: Primeiro o fato de que trabalhamos. Crianças não trabalham (teoricamente), adolescentes não trabalham (exceto nos EUA, onde com 16 anos você dirige, trabalha e conhece a mulher da sua vida após evitar que o mundo seja dominado por robôs de outro planeta) e se você está trabalhando, então você é, por pura eliminação, adulto (tudo isso na teoria, claro). Fora que ao contrário da adolescência e da infância, em que não trabalhar é um bom sinal (quer dizer que você não precisa e que seus pais não são explorados por um dono de canavial, por exemplo) na vida  adulta o trabalho vai passar a ser parte importante da sua identidade, do seu status e do seu processo de felicidade pessoal. Em suma, um monte de coisas de velho.

Relacionamentos: Assim como tudo na vida, relacionamentos ganham um nível maior de exigência e de complexidade conforme o tempo passa. Se o seu namoro de colégio envolvia a expectativa de uns amassos e ela exigia bichinhos de pelúcia e seu namoro da faculdade envolvia a expectativa de sexo e ela esperava que você conhecesse os pais dela, o seu namoro adulto já vai envolver coisas que vão desde jantares até viagens de férias e a exigência vai girar em torno de conceitos bem mais complexos como maturidade, capacidade de comprometimento e não chegar bêbado na casa dela no meio da madrugada. Ou seja, se a sua parceira tem alguma oposição a você aparecer bêbado e gritando no apartamento dela às 3:25 da manhã é porque a sua juventude foi embora, amigo.

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Cenas pouco prováveis com finais um tanto quanto súbitos (#4 de 4)

#4: Eu não estava preparado para ser pai. Na verdade eu nem sei dizer se eu saberia se estivesse preparado, porque tudo era, não sei, surreal demais. No começo de um ano você é um cara solteiro, tranqüilo, que mora sozinho e tem como maior preocupação descobrir se uma mesa de bilhar profissional cabe ou não na sua sala (“e por sinal, quanto custaria pra ter um fliperama feito esse no quarto?”) e se aquela garota de azul vai topar ir pra casa contigo. Já no meio do outro ano aquela garota de azul não só mora contigo como vetou a mesa de sinuca, iria rir diante da possibilidade de uma máquina de fliperama e não cabe mais naquele vestidinho azul porque está grávida de oito meses de um filho seu, que você desconfia que não faz a menor idéia de como criar. Não que eu não quisesse ser pai ou não planejasse fazer isso um dia. Claro, eu sempre sonhei em ter meus filhos, em criar pequenos garotos ouvindo Beatles e jogando vídeo-game na sala (ainda que eu fosse precisar pensar bem se seria uma boa deixar os dvds do GTA ao alcance deles) mas era o tipo da idéia que eu pensava em postergar ao máximo, mais ou menos como as consultas ao dentista e as viagens pra visitar minhas avós. Mas não, simplesmente aconteceu, do nada, quando eu menos esperava. Ok, talvez não “do nada”, porque não tínhamos recebido nenhuma visita de nenhum anjo e nem eu trabalhava com carpintaria, mas vocês entendem o que eu quero dizer. Tinha sido inesperado, pra dizer o mínimo. Eu amava a Julia, mas daí a ter um filho com ela depois de menos de um ano de namoro ia uma distância bem grande, do tipo que você não iria superar com um salto. Mas eu era pai e tudo que eu podia fazer era lidar com isso da melhor maneira possível: comprei livros, vi filmes, fui em aulas de ioga para gestantes (o que teria sido menos constrangedor se Julia estivesse junto comigo, mas ela simplesmente não conseguia parar de trabalhar), me envolvi em tudo, desde a escolha das roupinhas até a definição do padre para o batizado do garoto. Julia, é claro, me deixou de fora da escolha do nome (Lucca definitivamente não era minha primeira opção) mas consegui vetar o nome do pai dela (Demóstenes) e do avô dela (Temístocles), o que ao menos faria com que eu sempre pudesse ter uma forma fácil de cobrar gratidão do garoto. No dia do parto eu estava nervoso como se eu fosse dar a luz e tudo em que eu tinha conseguido pensar para marcar a data foi em comprar charutos para mim e todos os parentes e amigos (o que teria saído muito caro se eu tivesse comprado charutos decentes e quase me fez pensar em oferecer um Derby suave pra cada um e deixar pra lá) além de deixar crescer um bigode que só depois eu notei que ficaria ridículo nas fotos. Mas tudo com que eu conseguia me preocupar era com o meu garoto. Na sala do parto eu estava mais nervoso do que Julia e desconfio que apertava a mão dela mais do que ela apertava a minha enquanto o médico tentava fazer sabe-se lá o que ele fazia para que ela desse a luz (eu estava olhando apenas pra ela, o que evidentemente a deixava mais irritada ainda, mas ao menos evitava que eu desmaiasse na sala). E foi então que eu ouvi um som de choro e vi o médico levantar o bebê em seus braços. Quase comecei a chorar. Ainda não tinha visto o rosto do meu filho, mas o médico já havia cortado o cordão e o enrolava em uma manta, colocando-o no colo de Júlia. Só então pude ver que meu filho tinha olhos puxados. Sim, eu sou negro, Júlia é morena e eu tinha um filho japonês. Mas antes mesmo que eu pudesse fazer qualquer menção de gritar um “mas que porra é essa?!” o médico ficou de frente pra mim e abaixou sua máscara cirúrgica. E então eu pude ver quem era o médico: Mário Jorge Lobo Zagallo. Nesse momento ele me olhou nos olhos, apontou o dedo para meu rosto e gritou, quase com as veias do pescoço saltando: “Aí sim, fomos surpreendidos novamente!”

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