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Movie Review #1

Big Nothing/Numb

Cotação 5/8

Eu gostaria de assumir abertamente, antes da resenha “combo” dos filmes “Numb” e “Big Nothing”, que sempre fui um fã declarado de “Friends” e especificamente admirador do trabalho do Matthew Perry. Na verdade, eu comecei a gostar mais dele depois de “Studio 60”, mas em “Friends” ele era bem legal. E nem falo isso pela minha identificação com o Chandler, mas sim porque eu realmente acho o cara um bom ator (dentro das limitações dele). Mas bem, vamos as razões pelas quais eu resolvi resenhar os dois filmes no mesmo texto: além da semelhança temática que em breve vai ficar clara pra vocês, existe o fato dos dois serem protagonizados por ex-Friends (Matthew Perry em Numb e David Schwimmer em Big Nothing), além de tratarem de pessoas com distúrbios mentais de algum tipo.

Em “Big Nothing” Schwimmer é um escritor frustrado que se vê obrigado a trabalhar numa empresa de telemarketing para sustentar a família (caaaara, isso me lembra alguém…) e lá conhece um outro atendente, vivido pelo sempre campeão Simon Pegg (de “Shaun of the Dead”). O personagem de Schwimmer é rapidamente demitido e então convencido pelo novo amigo a entrar em um golpe envolvendo chantagear pessoas da cidade usando os dados obtidos no sistema da sua ex-empresa, com a ajuda de uma ex-miss e ex-namorada do colega de golpe. Tudo daria muito certo não fosse: a)o personagem de Schwimmer ser casado com a xerife da cidade; b)nenhum dos parceiros dele ser o que parece; c)ele não ter a mínima aptidão para o crime.

A história se desenvolve com algumas reviravoltas bem pensadas, como o problema de memória do protagonista que o faz repetir estatísticas e dados numéricos para tentar manter um controle da memória e o agente do FBI que chega à cidade para ajudar nas buscas. Um filme barato, sem grandes refinamentos técnicos e com atuações honestas dos atores principais, mas que conta uma história interessante e consegue deslanchar uma trama “criminosa” envolvendo pessoas comuns sem soar idiota.

Já “Numb” tira o distúrbio psicológico do protagonista da área periférica da trama para jogá-lo no centro da história. Matthew Perry é Hudson Milbank, um roteirista que após fumar mais maconha do que deveria acaba sofrendo de um distúrbio de “despersonalização”, ou seja, tendo dificuldades não só para perceber a realidade como também para se vincular com ela. O filme mostra basicamente o seu esforço para voltar a perceber o mundo real da forma correta e tentar novamente se vincular com ele. Entre drogas, terapias, problemas familiares e relacionamentos não-profissionais com psiquiatras, o filme transita entre a comédia, o romance (Lynn Collins é, pelo menos pra mim, uma revelação como mocinha cabeçuda de comédia romântica) e o drama.

Ainda que em alguns momentos acabe se tornando meio piegas, como nos momentos familiares de Hudson (naquela velha tática de culpar a família por qualquer problema que qualquer pessoa tenha), o roteiro é muito bem escrito e os coadjuvantes dão o apoio necessário para uma atuação segura de Perry, que consegue carregar bem o peso do papel principal. Um bom filme, mas que definitivamente José Wilker não iria achar uma gracinha.

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