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“Interlúdio #11 – O que você quer?”

“O problema é que você não sabe o que você quer. É exatamente esse o problema. Você não tem a mais mísera e remota idéia do que você quer da vida, do trabalho, das pessoas e por isso não tem a menor idéia do que você quer de mim. Você não tem padrões, entende? Por isso você nunca está satisfeito. Você não sabe o que é bom, o que é ruim, o que te deixa bem, o que te deixa mal. Não sabe se é um cara legal ou um canalha. Você não sabe como dizer as coisas, não sabe quando como e nem porque cobrar. É impossível te deixar satisfeito se você não se decide. E eu tento, sério, eu tenho tentado. Desde que você está aqui eu tenho tentado, mas nada te agrada, nada te conquista, nada te comove. Eu tentei ser a garotinha dos seus sonhos de garoto, a mulher dos seus sonhos de adolescente, eu tentei te dar atenção, não te dar atenção, partir seu coração, colar seu coração de volta, simplesmente ignorar seu coração. Você não sabe o que quer. E quando você acha que sabe o que quer, você sempre quer algo que não faz sentido, já notou? O inviável, o impossível, aquilo que você sabe que não pode ter, só pra poder continuar reclamando de não ter conseguido. Você não fala, você não se expõe, você não diz o que quer e a culpa é minha por não saber? Ou você quer tudo ao mesmo tempo ou você não quer nada. Como eu posso ser assim? Me diz, me explica? Só uma vez, me diz exatamente o que você quer?”

“Eu…bem…bem…então…eu não vou mais cancelar o Bob’s Picanha e eu aceito o… extra de queijo… Apenas pare de gritar, eu estou ficando constrangido…por favor…”

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Outra pequena história romântica

Ele era do tipo que pensava em um monte de coisas. Um monte. Não conseguia tomar uma decisão sem pensar em opiniões, repercussões, nos problemas, no tempo, nas coisas. Um monte delas. Se sentou e enquanto esperava que ela chegasse pensou nisso, em coisas, em coisas que acabavam vindo a mente enquanto ela não chegava. Imagens icônicas de romance. Músicas dos Beatles. Primeiros e últimos beijos. Relacionamentos. Quadros. Chuva. Pessoas andando sozinhas em bicicletas feitas pra duas. Isso era uma música? O sol se pondo. A cena da declaração de amor no banheiro em Zack and Miri Make a Porno e o conselho do Stan Lee em Mallrats. Ela demorou mais trinta segundos e ele pensou em pátios de colégio, no péssimo rumo das histórias atuais do Hulk, abraços quentes, ninhos de pássaro e em como não tinha curtido a sextape da Paris Hilton. Continuar lendo

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