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Novas aventuras em lo-fi #21

travolta

[este texto pode conter spoilers para aqueles que ainda não assistiram o filme “garota exemplar”. sério, pode mesmo. não é uma ameaça vazia. ainda que, num certo grau, todo texto pode conter spoiles pra “garota exemplar”, né? assim, falando em termos de possibilidades e tal]

Uma coisa que eu sempre gostei, desde moleque, é a chamada “música com historinha”. Sim, é bacana aquela canção num esquema mais lírico, é fera um verso mais livre, é bonito quando a coerência vai pro espaço e tão ali apenas umas palavras legais e a pessoa tá gritando que quando ela se sente metal pesado e mente e é fácil o tempo todo, mas um lado meu sempre admirou demais o esforço necessário pra contar, de maneira rimada, uma historinha, seja essa uma trama em que você descobre que o chico mineiro era [spoilers] seu legítimo irmão ou uma em que um bróder conta que ele conheceu a menina, escreveu o nome dela na mão, a chuva apagou como numa propaganda de corsa. Em suma, historinhas.

E de todas as músicas com historinha poucas até hoje me fascinaram mais do que “Escape”, ou “The Pina Colada Song”, do artista Rupert Holmes. Isso porque, ainda que à média distância ela possa parecer apenas uma canção setentista sobre drinks exóticos ela é, na verdade, uma das mais perturbadoras e tensas narrativas sobre infidelidade, crise nos relacionamentos e o fardo do eterno romance que o ocidente já chegou a produzir. Acompanhem comigo.

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Arquivado em é como as coisas são, Desocupações, homens trabalhando, Music Review, Sem Categoria, situações limite, Vacilo

Novas aventuras em lo-fi #19

Uma coisa engraçada da adolescência é que, apesar de ser possivelmente a época mais rica em transições, revoluções e reviravoltas que qualquer um de nós chega a ter na vida, já que não apenas não temos o controle de muitas das coisas que nos acontecem (quando se tem 16 anos não se pode escolher a casa onde se mora, o colégio onde se estuda, o curso de inglês que se faz ou que fotos suas vão ou não ser exibidas quando as visitas chegam na sua casa) como também estamos num momento de diversas transições pessoais (emos viram grunges, que viram hipsters, que viram metaleiros, que viram pagodeiros, que resolvem mudar o nome pra um símbolo como se fossem o Prince), ela consegue ser ao mesmo tempo a época das decisões mais contundentes, das opiniões mais fortes, das convicções mais firmes. Continuar lendo

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Novas aventuras em lo-fi #13

meredith

Existem canções que, mais do que divertir, mais do que entreter, mais do que mostrar seu valor como produto artístico, acabaram ganhando status de revolucionárias, seja por sua mensagem, por seu contexto ou por seu significado dentro de um plano maior do que a da música em si. “Imagine” foi o libelo de John Lennon para um mundo de paz, amor e pessoas cabeludas na cama; “Respect” foi o grito de Aretha Franklin que se tornou hino feminista na virada da década de 60; “Blowin’ in the Wind” afirmou Bob Dylan como o bardo de uma geração e “God Save the Queen” foi um marco do movimento punk, que ultrapassou o campo musical e se tornou um estilo de vida que você não quer que sua filha tenha. E hoje venho aqui para pedir que seja adicionada nessa lista de músicas que atingiram corações e mentes, mudando o mundo e a forma como nós o vemos, uma simpática canção chamada “Copo de Vinho”, do lendário funkeiro Robinho da Prata. Me deixem explicar por quê.

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