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Music Review #1

The Cardigans Acoustic

Gravado em 2006

Cotação 6/8

Existem discos que acabam ganhando uma função importante na vida de quem ouve. Discos que simbolizam momentos, que curam depressões, que te animam nos piores momentos. Mas esse definitivamente não é o caso do acústico do Cardigans, uma gravação que, pelo menos na minha opinião, foi feita apenas para tornar mais torturantes os momentos de fossa e levar pessoas mais mentalmente frágeis ao alcoolismo.

São apenas seis faixas, gravadas durante uma participação em um programa de rádio, mas que parecem ter sido pensadas e selecionadas com o claro intuito de me deixar profundamente deprimido, principalmente quando utilizadas no combo “comédia romântica boba/audição de CD do Cardigans/noite de sono pensando em como o dia de trabalho vai ser uma droga”, o que tornam o disco um sério candidato ao título de “o mais triste do mundo”.

Começamos com a faixa 1, uma introdução triste feita por um locutor que parece ter perdido a mulher para o melhor amigo exatamente naquela manhã. Ele apresenta a banda, num tom compungido, e então o grupo começa a segunda faixa, “And then you kissed”, sobre amores complicados, cruéis e cheios de sofrimento.

and it hit me that love is a game/like in war no one can be blamed/yes, it struck me that love is a sport/so i pushed you a little bit more”

Então vem “Erase and Rewind”, uma espécie de pedido de “volta pra mim”, cheio de arrpendimento. Você começa a achar que X&Y do Coldplay era uma trilha sonora de festa junina. Infantil.

A primeira metade termina com “You’re the storm”, a clássica canção de desistência, com aquela mensagem de “finge que eu sou Vladivostok e me invade com 6 exércitos.” Ou algo assim, eu sou péssimo com analogias.

“I’m an angel bored like hell/And you’re a devil meaning well/You steal my lines and you strike me down/Come raise your flag upon me/And if you want me, I’m your country/If you win me I’m forever, oh yeah”

A faixa 5 é uma faixa de entrevista, em que todos eles contam histórias tristes sobre a morte de pessoas próximas e discutem imagens de foquinhas e pingüins molhados de óleo. Ok, não é sobre isso que eles falam e sim sobre a carreira da banda, mas não é pelo tom de voz que você nota a diferença entre os assuntos…

Surge então um dos hits da banda, “For what is worth”, uma das músicas do meu top 100 das canções fofinhas/depressivas, com o clássico refrão “For what it’s worth, I love you/And what is worst, I really do”. Nesse momento você deve pedir pra que alguém de confiança esconda as facas e garfos. E também as colheres, se você for do tipo que come demais quando fica triste.

A faixa 7, “Communication”, que já é triste até pra quem não entende a letra ou não compreende o contexto (acho que pessoas surdas ficariam tristes apenas com as vibrações da música), ganhou um grau de tristeza toda especial pra mim após algumas experiências pessoais recentes. Parabéns pra mim, né? Uhu…

“And I saw you/But that’s not an invitation/That’s all I get/If this is communication/I disconnect/I’ve seen you, I know you/But I don’t know/How to connect, so I disconnect”

Então, como que numa tentativa de se redimir e reduzir as estatísticas de suicídio na área de cobertura da rádio, a banda fecha o mini-show com “My favourite game”, uma das mais animadinhas deles. Que ainda é bastante triste, se você for pensar…

Em suma, um CD perfeito pra momentos de fossa, tristeza, ou pra quando você precisa chorar no funeral de uma pessoa da qual você não gosta e está difícil encontrar motivação.

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