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Minhas referências icônicas de romance (2 de 5)

O momento: A cena da despedida em Casablanca

O contexto: Num dos últimos momentos de um dos filmes mais importantes do século XX, Rick e Ilse se despedem logo antes que ela pegue o vôo junto com o mala do Victor Laszlo em direção a Lisboa para ajudar nos planos contra o Eixo. Rick neste momento sai de sua impassividade cool num gesto que não só sacrifica seus interesses pessoais como também colabora diretamente com a vitória dos Aliados na 2ª Guerra e de quebra nasce uma das cenas mais relembradas e recriadas da cultura pop e o clássico “sempre teremos Paris” que todo mundo passou a usar deliberadamente e sem o menor respeito, como em “sempre teremos o Rei do Mate” ou “sempre teremos aquela noite na casa da sua tia em que sua avó pegou no sono na cozinha e rolaram aqueles amassos debaixo da escada”.

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Don’t play it again, Sam, for god’s sake!

“Caro Rick,

Como vão as coisas? Tudo indo bem por aí? Faz tempo que não nos vemos, hein? Desde aquela reunião na França, se me lembro bem. Soube que muitas coisa aconteceram por aí, você esteve no meio da Guerra e tudo mais. Agora está no Congo. Quem poderia imaginar, hein? Você, meu amigo Rick, no Congo. Impressionante, cara.

Sobre mim eu posso dizer que pouca coisa mudou. Voltei para a antiga fazenda, me casei com Peggy Sue e tomo conta da loja de ferragens do pai. Eu sei, eu sei, nem de longe tão emocionante quanto a sua vida, mas fazer o que, certo? Alguns de nós simplesmente preferimos voltar pra casa quando tivemos nossa chance.

Mas deixando as amenidades de lado existe uma pergunta que eu e vários amigos queríamos realmente te fazer, Rick. Espero que você não considere isso grosseiro, afinal, é apenas uma dúvida entre velhos conhecidos e só perguntamos porque soubemos de alguns boatos e ficamos preocupados contigo. A pergunta é bem simples, Rick: que porra foi aquela com a Ilsa? Sério, Rick, que merda te passou pela cabeça pra ajudar aquela piranha?!

Na boa, cara, eu realmente não entendo. Sei que você tem toda essa coisa cool, todo esse jeitão de “não tô aí pra nada”, mas pelo amor de deus! A mulher te largou, a mulher não se deu ao trabalho de telefonar, de explicar nada, ela apenas sumiu! Sumiu! Lembra da merda em que você ficou? Espero que se lembre, porque todos nós lembramos, Rick. Você escreveu o nome dela seguido de palavrões em todos os banheiros da Europa que ainda não tinham sido ocupados por Hitler! Você telefonava de madrugada xingando e dizendo que ela era uma traidora vagabunda, Rick! Você ficou deprimido, bebendo. Lembra aquela noite em que você tentou agarrar o Sam pensando que ele era a Ilsa? O Sam, Rick, o Sam!

E em que estado ela deixou a sua vida? Você virou um dono de boteco na África. Um boteco. Na. África! E por favor, não me venha com essa de que Casablanca é um ponto vital para a guerra ou coisas do tipo, nós dois sabemos que isso é só papo seu. E aí, depois dessa bosta toda que aconteceu na sua vida essa mulher aparece e o que você faz? O que você faz?! Você arruma vistos pra ela e pro marido dela (também conhecido como “o cara por quem ela te chutou”) saírem de Casablanca! Vistos! Vistos que você poderia ter vendido, doado, picotado, usado como porta-copos, qualquer coisa! E por que? Porque ela te disse que quando vocês estavam juntos ela não sabia que o marido estava vivo? Que tipo de mulher é tão burra assim? Por favor, será que sempre que o Laszlo deita pra dormir ela sai tendo casos porque não sabe se ele vai acordar? Qual o problema com ela?! E qual o problema contigo?!

Sério, tenha alguma dignidade! Não basta virar um dono de bar, agora você ainda se tornou um daqueles caras que aceitam ser capachos de qualquer maluca? E que papo é esse de ter amigos franceses? O que vai vir agora, teatro infantil? Hein? Hein? Sério, Rick, que merda.

Um abraço e tomara que tudo dê certo.

Ted”

*Este texto provavelmente só vai fazer algum sentido se você assistiu Casablanca. Mas eu não darei garantias de nada.

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