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Um texto clichê (ou “Notas sobre o casamento do Eric”)

Como todo mundo sabe, quando você chega na casa dos vinte e tantos é um tremendo clichê escrever texto reflexivo depois de casamento de amigo. Essa coisa de dizer que isso te faz pensar em como o tempo passou pra todos vocês, em como todo mundo amadureceu, em como o seu amigo de 25 está tomando uma das maiores decisões da vida dele sem pestanejar enquanto você demorou um ano pra decidir entre um PS3 e um Xbox e até hoje acorda de madrugada suando frio pensando que pode ter tomado a decisão errada e não sabe se vai conseguir conviver com isso, é algo que você deve ler em uma dezena de outros blogs toda semana.

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Arquivado em crise de meia meia idade, Sem Categoria, situações limite, Vida Pessoal

Você quer se casar comigo?

E lá fui eu pra festa de formatura de um amigo meu. Evento militar, todo mundo fardado, pompa, cerimônia e uma baiana servindo acarajé frio na entrada (eu sei, essa última parte não faz muito sentido, mas discuta isso com a organização do evento, não comigo). E eis que no meio do baile, durante aquela fase dos discursos em que basicamente ninguém presta atenção direito porque está tentando conseguir o whisky que vai manter a pessoa animada até o final da noite, um cara sobe no palco e pede uma das formandas em casamento. Mas ele não apenas sobe, puxa ela pra um canto e faz o pedido no palco. Não, nada disso (mesmo porque isso não faria absolutamente sentido nenhum, certo?). O cara sobe ao palco, pede o microfone, faz um discurso e, de joelhos, pede a menina em casamento diante de, sei lá, cerca de 400, 500 pessoas. A menina que estava ao meu lado começa a chorar copiosamente (no começo eu achei que ela fosse namorada do cara do palco, só depois entendi que era emoção mesmo) e mesmo eu, esse cara frio e insensível que trocou o coração por dois pacotes de figurinhas da Copa de 94, fico emocionado. Porque, ok, admito, pedidos públicos de casamento mexem comigo.

Primeiro pela idéia do casamento em si. Eu respeito demais o conceito de achar alguém de quem você realmente goste e que te faça feliz e tomar a decisão de assumir um compromisso com essa pessoa, respeito mesmo. Claro, admito que um casamento, assim como um pônei em casa, é algo que pode parecer um sonho infantil de menininha, deve ser bem complicado de manter e eu dificilmente vou conseguir ter um dia, mas eu sinceramente acho a idéia do casamento, o conceito em si, muito bonito.

E depois vem a parte do pedido público. Eu sei, é uma dessas coisas que caminham naquela linha tênue entre o brega, o vexatório e o sem-noção, mas eu respeito demais pessoas capazes de expressar seus sentimentos de forma pública sem medo da vergonha, do fracasso e da total e degradante rejeição que podem disso decorrer. Você está ali, ajoelhado, na frente da mulher que você ama, com centenas de pessoas ao seu redor e você pergunta se ela quer viver a vida dela junto contigo pra sempre. Sério, eu jamais seria capaz de fazer uma coisa dessas. E se ela disser não? Porque bem, existem milhares de razões pra dizer não. Eu gostaria de pensar que essas coisas devem ser combinadas antes (“eu vou perguntar e você vai dizer sim, ok? ok? ok?!”), mas parece tudo tão espontâneo! E se ela decidir repensar o relacionamento na hora? E se ela decidir que ainda não está pronta? E se ela decidir dizer não just for the lulz ? E se ela não entender e você tiver que repetir de forma constrangida? Sério, são muitas as possibilidades de erro e pra um cara feito eu que fica sem graça de pedir que o pessoal do Macdonalds retire o picles do Big Mac essa coisa de pedir alguém em casamento em público é algo de impressionantemente corajoso e romântico. Parabéns e um forte abraço a todos os envolvidos, sério.

Finalizando o assunto: a garota aceitou o pedido e, emocionada, trocou juras de amor com o cara no meio do palco, para delírio da platéia e felicidade de todos que gostam de soltar uma boa frase feita como “o amor venceu” e “sempre choro em casamentos”. E eu, claro acabei soltando um comentário desagradável pra garota que estava chorando perto de mim (acho que eu disse que esperava que ela um dia recebesse um pedido desse tipo, desde que não fosse significar a total e completa desidratação do corpo dela. Sim, eu digo essas coisas idiotas e quase sempre é totalmente sem querer)

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