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Mini-conto #9: “O eterno não dá”

Da primeira vez ele reparou nela, assim que chegou no bar. Ele estava voltando do trabalho, com três amigos e ela estava comemorando o aniversário da irmã. Ele gostou do jeito como ela sorria, achou bonitinha a forma como ela mexia no cabelo, sorriu quando viu que ela era a única bebendo coca-cola numa mesa cheia de tequilas. Ela nunca ficou sabendo, mas foi o melhor amigo dele que vomitou no pé dela naquela noite, logo na saída do banheiro.

Na segunda vez ela reparou nele. Era uma festa, e os dois estavam na fila do bar, ela queria uma cerveja e ele estava planejando pedir um mojito. Quando chegou a vez dele, olhou pra trás, viu a garota e perguntou se ela queria pedir primeiro. Ela aceitou e saiu achando que ele era um cara estranhamente educado, mas bem bonitinho. Ele respirou aliviado porque sempre ficava sem graça de pedir mojitos na frente de garotas. Mojito era meio bebida de veadinho.

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Arquivado em contos, Ficção, romantismo desperdiçado

Porque fiquei animadão com essa megafusão

Supermercado Pão de Açúcar, bairro do Flamengo, Rio.

“Só isso, senhor?”

“Aham, só isso”

“O senhor é solteiro, certo?”

“Yep, solteiro, sim. Por que?”

“Ah, é por causa das dez pizzas prontas e das quatro lasanhas congeladas”

“Ah…bem…promoção, sabe como é…”

“O senhor não deveria…sei lá…comer outra coisa?”

“Huh…mas tipo, por que?”

“Bem, o senhor sempre compra aqui e tal…e o senhor engordou um bocado desde que começou a comprar aqui com a gente…”

“Eu? Bem…é, acho que sim…mas é que…noite, dá preguiça de cozinhar…”

“Poderia comer fora então, não?”

“Humm…err…sim, eu faço isso as vezes…”

“E outra coisa…o senhor é novo, não devia arrumar uma namorada, algo assim?”

“Bem…humm… não enquanto vocês venderem pizza por menos de dez reais. E essa lasanha realmente é boa, sério”

Pão de Açúcar: porque nós nos importamos com sua saúde e sua vida pessoal. E fazemos você ficar sem graça e dando satisfações na fila do caixa rápido.


Ao telefone com o serviço de atendimento da loja virtual das Casas Bahia

“Oi, eu estou telefonando por causa do pedido 9978674”

“Certo, senhor, preciso que o senhor confirme alguns dados, por favor”

[confirmação vagamente inútil de dados em que me perguntam meu estado civil, idade e signo]

“Então, o pedido está atrasado em vinte dias e no site consta que houve um erro na expedição. O que isso quer dizer?

“Quer dizer que houve um erro na expedição, senhor.”

“Ah…bem, quem poderia imaginar, né? Mas que tipo de erro seria esse?”

“Não sei informar, senhor. Mas pode ter sido um problema de acesso, problemas no transporte físico, falta do produto, várias coisas”

“Outra coisa que eu jamais imaginaria sozinho…E você tem uma nova data de entrega?”

“Bem, senhor, eu não tenho. Mas posso pedir urgência para o seu caso, e será feito um contato num prazo de três a cinco dias úteis”

“Parece legal. Só uma dúvida, essa urgência é a mesma que a outra atendente pediu cinco dias úteis atrás?”

“Errrrr…não sei dizer, senhor.”

“Resumindo: você não sabe o que aconteceu, não sabe porque aconteceu e não sabe me dizer quando vai ser resolvido, é isso?”

“Bem, senhor, eu vou fazer o pedido de urgência e te passar o protocolo, certo, senhor?”

“Tudo bem, ok”

“O protocolo é 83439434”

“Última dúvida. Esse é meu décimo protocolo, juntando todos eles eu ganho algum prêmio, desconto, posso pelo menos dedicar meu protocolo número 1000 para todas as crianças pobres e tal?”

“Hummm…acho que não, senhor…”

“Tudo bem, eu já imaginava…”

Casas Bahia virtual: porque nós não sabemos o que aconteceu com o seu ar-condicionado. E simplesmente ignoramos o seu sarcasmo. Quer um protocolo?

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