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Mais algumas metáforas de amor

O amor é como um jogo de pôquer. Porque provavelmente o Mel Gibson em Maverick se sairia bem melhor nele do que qualquer um de nós. O amor é como um Opala antigo que seu avô te deu de presente, porque vai te dar problemas, algumas vezes vai te fazer passar vergonha na rua, mas não é socialmente aceitável que você venda ele pro ferro velho. O amor é como o Acre, ele fica longe, algumas pessoas dizem que não existe e na maior parte das vezes vai te dar uma baita preguiça de ir até lá, porque você leu sobre ele nos livros mas conhece no máximo duas ou três pessoas que já viram o lugar de perto.

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Trecho de Livro #1

Johnny Vai à Guerra

Dalton Trumbo

Segunda Edição (2003) – Editora Relume Dumará

Pàgina 224

“Se fizerem uma guerra se há armas a apontar se há balas a disparar se há homens para morrer não seremos nós. Não seremos nós os camaradas que fazem crescer o trigo e o transformam em alimento os camaradas que fazem as roupas e o papel e as casas e os tijolos os camaradas que constroem as represas e as casas de força e que estendem os fios de alta tensão e que gemem os camaradas que tomam o petróleo bruto e transformam em dúzias de coisas diferentes que fazem lâmpadas e máquinas de costura e pás e automóveis e aeroplanos e tanques e armas oh não não seremos nós a morrer. Serão vocês.

Será você – você que nos impulsiona aos campos de batalha você que nos incita contra nós próprios você que faz um sapateiro matar outro sapateiro você que faz um homem que trabalha matar outro homem que trabalha você que faz um ser humano que quer apenas viver matar outro ser humano que quer apenas viver. Lembrem-se disto. Lembrem-se bem disto vocês pessoas que planejam as guerras. Lembrem-se disto. Lembrem-se disto vocês seus patriotas enfurecidos seus germes de ódio seus inventores de lemas. Lembrem-se disto como jamais se lembraram de qualquer outra coisa na vida.

Somos homens de paz homens que trabalham e não queremos brigar. Mas se destruírem a nossa paz se nos tirarem o nosso trabalho se nos tentarem atiçar uns contra os outros nós saberemos o que fazer. Se nos disserem para salvar o mundo para a democracia nós os levaremos à sério e por deus e por Cristo assim o faremos. Usaremos as armas que colocam à força em nossas mãos e empregaremos para defender nossas próprias vidas e a ameaça às nossas vidas não está do outro lado de uma terra de ninguém que foi escolhida sem o nosso consentimento está dentro de nossas próprias fronteiras aqui e agora que a vimos já sabemos.

Ponham as armas em nossas mãos e as utilizaremos. Dêem-nos os lemas e os transformaremos em realidade. Cantem os hinos de batalha e nós seguiremos com eles quando vocês pararem. Não um não dez não um milhão mas todas as pessoas da terra teremos os lemas e teremos os hinos e teremos as armas e as usaremos e viveremos. Não se enganem a esse respeito nós viveremos. Estaremos vivos e caminharemos e falaremos e comeremos e cantaremos e riremos e sentiremos e amaremos e iremos gerar nossos filhos na tranqüilidade na segurança na decência e na paz. Planejem as guerras vocês os senhores dos homens planejem as guerras e apontem o caminho e nós apontaremos as armas.”

Dalton Trumbo – Escritor, roteirista, ator e diretor.

1905 – 1976

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