Arquivo da tag: clichês

Mini-conto #19 – “Submarino”

submarineunpopular

Primeiro eu tinha que esquecer o seu sorriso. Esquecer a sua boca, esquecer as covinhas do seu rosto, esquecer o jeito como a sua franja caía pela sua testa, como você prendia o cabelo atrás da orelha. Depois esquecer a sua risada, esquecer o som da sua voz, esquecer o seu jeito de cantarolar, esquecer o sotaque que você achava que tinha perdido mas eu notava, esquecer o jeito como você piscava pra mim quando achava que ninguém estava olhando.

Depois seriam as coisas maiores. O seu jeito de encostar os pés nos meus na cama, o gosto da sua boca, a sensação da sua cabeça no meu ombro enquanto a gente assistia algum filme chato no sofá, as suas mãos debaixo da minha camisa pra se esquentar quando sentia frio. Os abraços quando a gente se encontrava, os beijos quando a gente se despedia, você apertando a minha mão quando alguém estranho passava do nosso lado na calçada.

Continuar lendo

8 Comentários

Arquivado em cinema, citações, contos, crise de meia meia idade, homens trabalhando, referências, romantismo desperdiçado, Sem Categoria

Grandes clichês da vida noturna de solteiro – I

A ficada de banheiro: Uma das mentiras mais clássicas da noitada é a de que você ficou com uma garota lá perto do banheiro. “Ficar com uma garota perto do banheiro” é, em termos de mentira clichê, algo naquela linha tênue entre “não é nada disso que você está pensando” e “o Polystation é a mesma coisa que o Playstation, pode levar!”, já que é o tipo da coisa que já se convencionou considerar mentira antes mesmo que haja qualquer argumentação. Afinal você está dizendo que, ainda que no ambiente teoricamente propício e aberto da pista você não tenha tido sucesso nenhum e tenha sido rechaçado por todas as garotas tal qual um projeto de continuação para Acquária, você conseguiu na saída (ou dentro, como ainda tentam afirmar alguns) do banheiro puxar conversa e ainda ficar com aquela garota linda que ninguém tinha visto antes e que logo depois foi embora, sem deixar telefone e com quem você nunca mais vai sair. É a versão masculina não-amazônica da frase “fiquei grávida do Boto Rosa”.

Continuar lendo

11 Comentários

Arquivado em Crônicas, Mundo (Su)Real