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Novas aventuras em lo-fi #9

Uma coisa que acontece com freqüência quando a gente é garoto, não sabe falar inglês direito ou apenas ouve as músicas de relance é não sacar muito bem qual que era o exato conceito da canção e acabar vivendo a vida tranqüilo, de boa, mas com uma visão distorcida do que está rolando naquela faixa 4. Pensamos que “Santeria” era uma música romântica sobre Miami e não sobre como queremos matar um cara chamado Sancho; confundimos hinos de solteironas com canções sobre tempo virando; pensamos que o Billy Idol queria mesmo ajudar o peixe e ficamos horas nos perguntando porque nas festas do Cláudio Zoli rolava intercâmbio de biquínis. E uma dessas canções que eu conhecia desde moleque mas cujo sentido eu realmente nunca tinha alcançado até um dado momento no metrô carioca – coração batendo forte sentido zona norte – é “Quase um Segundo”, dos Paralamas do Sucesso.

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Pequenos diálogos cariocas: “Coxinha”

Parei pra fazer um lanche no centro, pedi uma coxinha e um suco de laranja e me sentei num banquinho rente ao balcão. A coxinha foi servida e quando eu fui dar a primeira mordida notei que ao contrário do planeta Terra, cuja temperatura está subindo constantemente, ela estava fria e a tendência era congelar. Chamei pela garçonete para fazer uma reclamação.

“Moça, aqui, a coxinha…”

“Rapaz, espera que eu estou falando ao telefone…”

“Mas é que a coxinha…”

“Calma, eu vou só falar aqui e já atendo você…Mas então, Kelly, desculpa, o rapaz me incomodou aqui. Como eu estava te falando, acredita que ontem eu achei uma mensagem daquela vadia no celular dele? Acredita? É, dela mesmo! E o que você acha que eu fiz? Peguei aquela merda e joguei no vaso! Ele que se foda! E que fique feliz por não ter acordado com aquela bosta enfiada no rabo! Como? Se eu bati nele? Não, não bati não…Mas avisei meu irmão e o pessoal dele pra darem um pega no safado! Podem até matar se quiserem! Eu não me importo mais! E o seu Alberto também vai levar a dele se continuar com esse papo de me deixar trabalhando sozinha aqui? Quem ele pensa que é? Verdade, verdade, de que adianta ser irmã de traficante se eu não usar isso? Vou passar a mandar matar mesmo, que se dane, sabe? Ah, você é que ta certa, tem gente que tem mais é que morrer mesmo, não vou mais agüentar provocação de vagabundo por aí, gente metida a espertinha. Vou mandar meu irmão despachar mesmo! Não vou ser capacho de ninguém mais não! Bando de filhos da puta! Ah, já vai desligar? Compra logo um Nextel, sua vaca, aí a gente pode conversar o dia todo…Mas te vejo no salão a noite então. Beijo. Ah, rapazinho, o que você queria dizer da coxinha mesmo?”

“Oi? Eu?”

“É, você.”

“Nada não, nem lembro o que eu ia falar…Nada importante…”

“Não, você ia falar alguma coisa, o que era?”

“Humm…Ah…Tipo…Melhor coxinha que eu já comi, você que fez? Muito boa…”

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