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Sobre a tia dos patins e uma proposta de relativização do estranhamento no ocidente

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No meu prédio tem uma senhora que costuma ficar andando de patins, segurando sacolas e falando sozinha numa língua desconhecida toda noite, ali entre as 20h e 22h, circulando exclusivamente entre a área do portão e da portaria, sempre apoiada na grade e olhando pra tudo e todos com cara de surpresa. No começo eu tentava achar justificativas racionais para aquele comportamento – a violência no rio, a dificuldade inerente ao processo da patinação, o fenômeno de pentecostes no qual o espírito santo desceu nos apóstolos e os caras saíram por aí falando outras línguas, o que pode parecer forçado pra você mas eu fiz crisma e eu também acreditava no teste de fidelidade do joão kléber, então qual o problema, certo? – mas com o passar o tempo e a repetição constante do ritual eu acabei aceitando a realidade de que, como bem considerou um amigo quando ciente do evento, se tratava apenas de uma tia esquisita pra cacete.

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Minha lista de grandes sucessos para o próximo verão: itens #1 e #2

#1 – Fuck You, do Cee Lo Green: Existem músicas que você ouve e com as quais você automaticamente se conecta, que você imediatamente compreende, que num átimo de instante atingem seu coração, sua mente e com as quais você tem a sensação não de estar conhecendo algo novo mas sim de estar reencontrando algo há muito tempo perdido. E quando eu, no twitter, cliquei em um link postado por Kevin Smith e ouvi, sobre um fundo de puro funk e suingue, a frase “i see you driving ‘round town with the girl i love and i’m like, fuck you”, eu soube que ali estava uma dessas canções. E quando após alguns minutos de puro delírio em R&B eu topei com vários tweets surfando na mesma onda, e posteriormente vi no Maracujá Rey o clipe definitivo da música tive certeza que se o primeiro single desse disco do Cee Lo Green (o único cara capaz de se apresentar vestido de Darth Vader e mencionar dois nomes de vídeo game numa canção sobre final de relacionamento) não bombar totalmente nessa estação nenhum de nós merece ter verão esse ano. Vejam o clipe e curtam esse momento comigo, galera.

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O lado negro da força – Parte I

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Eu sempre tentei ser uma pessoa legal. Não que eu consiga com freqüência, mas eu tento. Procuro sempre ver o lado bom das pessoas, não me irritar com as coisas, aceitar que os animais não fazem certas coisas por culpa deles e que a programação da TV aberta sempre foi ruim, não é nada pessoal. Mas claro, todo mundo tem seu lado ruim, egoísta, cruel e deliberadamente babaca. E ainda que eu evite ter contato com esse meu lado (só faço isso durante o horário de trabalho ou em reuniões de condomínio) acabei tendo contato com esse lado há alguns dias atrás. E admito, eu realmente não sou uma pessoa tããão legal assim.

Explicando. Estava eu de bobeira no orkut, deixando um scrap para um amigo suplicando por um convite para jogar futebol quando topei com o perfil da minha ex-namorada. Lá dizia que ela estava namorando e pela foto ela parecia ótima e feliz. Feliz mesmo, assim, felicidade em proporções homéricas, quase uma viagem de lsd pelo mundo dos teletubies. E ótima mesmo, assim, linda, impressionantemente bonita. Bastante, mas bastente atraente mesmo. Mas não vou me estender sobre isso. A questão é que eu fiquei feliz, por saber que ela estava bem. Fiquei mesmo, com toda a sinceridade. Saber que ela, uma pessoa de quem eu gostei muito e ainda gosto, estava bem, me fez bem. Por exatos 3,467 segundos. Depois eu fiquei…hummm… puto.

Sim, eu sei, isso não faz sentido. Fui eu que terminei, fui eu que pulei fora, ela tem todo o direito de estar bem, feliz e com um outro cara. Era isso que o hemisfério racional da minha cabeça dizia. Mas ele era pequeno diante do hemisfério irracional e rancoroso (numa comparação proporcional, seria algo como “estado do Espírito Santo versus Macedônia dos tempos de Alexandre”) que dizia que havia algo de muito errado nisso. Claro, eu não queria que ela, depois que a gente terminou, passasse o resto da vida chorando de saudade e pensando em como eu era legal. Mesmo porque eu realmente não sei se sou legal. Mas…será que ela não poderia fazer isso? Sei lá, ficar pelo menos uns…cinco, seis, talvez sete, no máximo oito anos em depressão profunda, chorando diante de uma foto minha e ouvindo repetidamente aquela música “Os outros” do Kid Abelha?

Claro, eu entendo que eu não tenho nenhum “capital emocional” nesse caso, já que ela realmente tentou me mostrar que eu estava errado em terminar, e eu mesmo fiquei com outras pessoas nesse meio tempo, quase namorei de novo, mas não existe algum tipo de acordo tácito entre pessoas que terminam sobre a pessoa que “foi terminada” só poder ficar feliz e alegre assim que a pessoa que terminou estiver relativamente bem estabelecida emocionalmente? Sério, é no mínimo injusto da parte dela estar linda, feliz e bem sucedida (e na foto ela realmente estava sexy) enquanto eu estou engordando, tendo como principal amigo um rinoceronte de pelúcia e semana passada aceitei ir no enterro de uma pessoa desconhecida só pra não ficar em casa sozinho (fora que essas entradas no meu cabelo não parecem ter boas intenções).

E admito, fiquei com um certo peso na consciência por ter sentido isso. Sério, não é legal ficar chateado diante da felicidade e do bem estar dos outros.  Não mesmo. Mas dane-se, eu fiquei…E me sinto bem melhor por ter compartilhado isso com todos vocês. Quer dizer, na verdade não…

Ah, e o enterro foi um saco, só pra constar.

(Esse post também não teria sido possível sem este post da Elisa)

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