Arquivo da tag: discutindo assuntos sobre os quais provavelmente não entendo picas

Da nossa eterna irritação com o comum – ou “porque você odeia tanto o Latino”

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Uma coisa comum de ouvir por aí é que vivemos numa cultura da mediocridade. As pessoas não querem ver arte, as pessoas querem ver Big Brother, as pessoas não querem ouvir boa música, as pessoas querem Justin Bieber, as pessoas não querem grandes filmes, elas querem imensas franquias com carros que viram robôs. E ainda que existam ótimos argumentos tanto para questionar se não estamos realmente nos aproximando de um menor denominador comum cultural quanto para defender a graça de carros que viram robôs – sério, são carros, que viram robôs, você precisa admitir que isso é legal, vai – um aspecto dessa sensação geral de irritação sempre me pareceu muito curioso e ao mesmo tempo pouco abordado. O motivo disso nos irritar tanto.

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Sobre a política folclórica, as campanhas conceituais e vereadores de 3 segundos

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Acho que ninguém realmente acredita que o horário político ou mesmo as campanhas eleitorais funcionem pra informar um eleitor. Aquelas vinhetas rápidas, aquelas musiquinhas, aqueles candidatos que piscam na sua tela por 3 segundos gritando um número que você não vai guardar, aqueles ex-participantes de reality show dos quais você lembra vagamente mas que pedem que você deixe o futuro da sua cidade nas mãos deles, aqueles comediantes pedindo seu voto de protesto como se ele não fosse receber o salário integral do cargo, você protestando ou não. Aquilo de sempre.

Mas acho que mesmo assim, mesmo entendendo a vacuidade do processo e  sabendo que ele é repleto de falhas e não cumpre o que se esperaria de mais básico dele, eu sempre tive aquela tolerância distraída de quem  não pensa muito sobre o assunto, mais ou menos aquela que a gente dedica aos documentários sobre maus-tratos a animais e as campanhas sobre as guerras na África. Pensamos que é um mundo sujo, que as coisas são erradas, mas mantemos apenas a desolação padrão que se espera de nós, sem realmente aprofundar seja a reflexão ou a indignação. E era assim que eu provavelmente iria tratar essa eleição até me deparar com um cartaz de um vereador aqui no Rio cujo grande mote de campanha é “contra a pedofilia”.

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