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Três observações sobre meu retorno ao mundo das academias

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# como amigos, namorada e familiares sabem, eu, apesar de ter uma certa habilidade com noções abstratas e discussões conceituais, apresento uma imensa dificuldade para seguir instruções simples ou mesmo me movimentar em espaços físicos menos abertos – “joão, busca o creme na gaveta de cima do armário? não, joão, de cima. do armário, joão. não, o armário do quarto. não, não, armário, você não sabe o que é um armário? o quarto, joão, o quarto. por que…mas…por que você tá me trazendo um sapato da cozinha, e acionou o alarme da garagem, joão?”- e isso claramente vem à tona sempre que eu entro no ambiente da academia, que não apenas possui um volume grande de informações visuais como também algumas músicas contagiantes do gênero dance noventista que reduzem mais ainda minha concentração. somando a isso o fato da academia ser toda espelhada, os aparelhos estarem dispostos de forma irregular e serem completamente ajustáveis, e você tem o ambiente perfeito para que eu bata em paredes, tropece em pessoas, me flagele com barras de ferro ou mesmo fique com o braço preso numa corda metálica e volte pra casa todo coberto de graxa. diante disso não é exatamente uma surpresa que, sempre que eu chego na academia, os professores me olhem com a perplexidade de quem vê um cãozinho voltando com a bola na boca depois deles terem lançado a bola do topo de um penhasco.

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Das palavras de apoio que numa análise mais fria não te apóiam tanto assim

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Com uma certa freqüência durante nossas vidas nos deparamos com situações em que estamos buscando um objetivo que não é considerado necessariamente fácil ou para o qual não nos sentimos completamente preparados. A carreira que oferece poucas vagas, a garota que nunca deu muita brecha, o apartamento na zona sul carioca cuja fila de visitação é maior do que a do louvre. E nessas horas nossa confiança muitas vezes pode fraquejar. Achamos que não somos bons o bastante pro emprego, que não vamos saber como falar com a garota, que não vamos nunca ser capazes de conseguir os 16 fiadores, pagar os 12 meses de caução e entregar o mapeamento de DNA que a imobiliária pediu (“e é bom trazer rápido porque alguém já fez uma proposta e trouxe a endoscopia em HD pra gente analisar”)

E é nesses momentos que muitas vezes precisamos de uma palavra de estímulo, de um conselho amigo, de uma voz repleta de confiança nos lembrando que sim, é possível, que somos capazes, que vamos conseguir. Aquela frase bem colocada que, mesmo não aumentando nossas chances de solucionar o problema, nos ajuda a acreditar e encontrar dentro de nós mesmos a força necessária para resolver aquilo que antes parecia impossível. E dentre todas as palavras, todas as frases, todas as sentenças que consideramos capazes de realizar essa missão, uma das piores é, sem dúvidas, a clássica “você vai conseguir porque todo mundo consegue”.

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