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Sobre facebook, eleições e a nefasta ascensão do amigo do seu amigo

amigo do amigo

Todos nós sabemos, desde pequenos, que a discussão política pode trazer à tona o que existe de pior no ser humano. Um assunto claramente racional e merecedor de profunda reflexão analítica, mas que é sempre abordado da maneira mais passional e pessoal possível – “enfia o crescimento lento do pib no seu cu, aqui é dilma, porra!!!!” – a discussão política padrão costuma servir menos para trocar opiniões, enriquecer debates, ajudar a formar posições, do que para gerar brigas na mesa de jantar, garantir constrangimentos no trabalho, separar casais antes apaixonados (“sem sexo até você entender que apenas o psdb pode e vai resolver os problemas do brasil”).

E outra coisa que temos certeza faz um certo tempo é do poder da internet para potencializar as coisas. Seja pornografia, seja o acesso a livros clássicos, seja o conceito de lip sync, não há nada que a internet não consiga tocar e elevar até a sua enésima potência, explorando as qualidades, agravando os defeitos, tornando muito melhor ou muito pior do que poderia ser.

Portanto não foi surpresa pra ninguém o resultado da combinação entre uma eleição disputada como a que passou e um período de grande participação das redes sociais como temos hoje. O resultado foi muito chato. Assim, bem chato mesmo.

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Sobre a política folclórica, as campanhas conceituais e vereadores de 3 segundos

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Acho que ninguém realmente acredita que o horário político ou mesmo as campanhas eleitorais funcionem pra informar um eleitor. Aquelas vinhetas rápidas, aquelas musiquinhas, aqueles candidatos que piscam na sua tela por 3 segundos gritando um número que você não vai guardar, aqueles ex-participantes de reality show dos quais você lembra vagamente mas que pedem que você deixe o futuro da sua cidade nas mãos deles, aqueles comediantes pedindo seu voto de protesto como se ele não fosse receber o salário integral do cargo, você protestando ou não. Aquilo de sempre.

Mas acho que mesmo assim, mesmo entendendo a vacuidade do processo e  sabendo que ele é repleto de falhas e não cumpre o que se esperaria de mais básico dele, eu sempre tive aquela tolerância distraída de quem  não pensa muito sobre o assunto, mais ou menos aquela que a gente dedica aos documentários sobre maus-tratos a animais e as campanhas sobre as guerras na África. Pensamos que é um mundo sujo, que as coisas são erradas, mas mantemos apenas a desolação padrão que se espera de nós, sem realmente aprofundar seja a reflexão ou a indignação. E era assim que eu provavelmente iria tratar essa eleição até me deparar com um cartaz de um vereador aqui no Rio cujo grande mote de campanha é “contra a pedofilia”.

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