Arquivo da tag: encontros

Mais 4 sinopses para comédias românticas contemporâneas

man_seeking_woman-2015-season_2_trailer_screenshot

Casal apaixonado mas com várias diferenças de personalidade e temperamento, vive relacionamento longo mas tempestuoso, até que a mocinha recebe uma proposta para trabalhar em outro país. Obrigada a escolher entre o relacionamento e sua carreira, ela parece ter decidido ficar até que mais uma discussão a faz questionar o futuro daquele romance e concluir que talvez o melhor seja mesmo investir nela mesma. Já no saguão do aeroporto, se preparando para o embarque, um apaixonado mocinho invade o local e, carregando uma caixa de som, faz emocionante discurso e promete que se ela ficar tudo vai dar certo, tudo vai ser melhor, tudo vai ser pra sempre. Ela fica. Dois meses depois eles terminam. A oferta de emprego no exterior não apenas foi retirada como, por conta da crise, ela perde o antigo trabalho. Ela odeia o ex-namorado pra sempre. Ele precisou vender a caixa de som e voltou a morar com a mãe no interior de Minas Gerais.

Continuar lendo

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em contos, Desocupações, romantismo desperdiçado, Sem Categoria, situações limite, Vacilo

Revisões sobre um encontro

Eu sei que deve ser estranho pra você receber esse email logo agora, afinal, não faz nem dez minutos que eu te deixei na porta do seu prédio, mas é que eu achei que algumas coisas que aconteceram hoje podem ter ficado confusas pra você e achei que o melhor seria corrigir qualquer mal-entendido da forma mais rápida possível. Então vou começar em ordem cronológica, ok?

Em primeiro lugar eu não queria aquela mesa perto da janela. Eu escolhi a mesa só porque você fuma e eu tive medo de ficar meio sufocado e tossindo o tempo todo, o que iria cortar totalmente qualquer tipo de clima. Claro, não tinha como imaginar que iria estar aquele vento todo ou que iria chover, então eu peço desculpas pelo seu cabelo e espero que você já tenha tirado o saco plástico da sua cabeça enquanto estiver lendo isso aqui. Me desculpe mesmo.

Sobre o problema com o garçom, eu não costumo ser sempre grosseiro com as pessoas, juro,é que ele estava obviamente dando em cima de você, o que, ok, é compreensível, você é muito atraente, mas por favor, ele poderia pelo menos esperar que eu fosse ao banheiro ou algo assim, não? Não é assim que as pessoas fazem nos filmes? E aquilo que eu disse sobre não ter dado um soco nele só porque você pediu era mentira, ok? Eu não bati nele porque ele era enorme e iria me triturar, eu disse aquilo só pra parecer fofinho.

Minha tia não é pediatra, é pedicure. Eu comecei a frase com um “pe” e você completou, então eu fiquei sem graça de te corrigir. Assim como fiquei sem graça de te corrigir quando você disse que ornitólogo é quem cuida do ouvido dos animais e quando você disse que a Bulgária fica na Ásia. Ah, e não existe carta de “fuga da prisão” no jogo de War, ainda que seja uma idéia interessante. Que só é impedida pelo fato de que o conceito de prisão não existe no jogo de War.

Quando você falou sobre o seu trabalho e eu respondi com um “aham” não era porque eu não estava interessado, mas sim porque eu fiquei tão impressionado com a sua animação que não sabia direito o que dizer. Fora que não entendo muito de polímeros, então não ia conseguir fazer nenhum comentário inteligente, sabe? Por isso preferi não falar muito. Mas saiba, seu trabalho é muito interessante, mesmo. Ou talvez um pouco menos, mas bem pouco. Ok, talvez ele seja realmente chato, mas quem sou eu pra criticar, certo?

Os cinco minutos que eu passei sem dizer nada não se devem a algum problema de autismo, como você provavelmente imaginou, mas ao fato de que eu estava te olhando e te achei tão linda que nem soube o que falar. Mas os dez minutos posteriores a esses foram culpa da minha total e completa incapacidade pra achar qualquer assunto vagamente interessante. E muito obrigado por ter ido ao banheiro e me dado tempo pra tentar entrar no google pelo celular e procurar algum assunto interessante pra começar uma conversa.

Sobre a gorjeta, eu realmente não paguei os 10% por causa da atitude do garçom, mas mesmo se ele tivesse sido solícito e não tivesse te assediado eu não pagaria, porque iria estourar o meu cheque especial e eu ando com o dinheiro contado nessa época do mês.

E agora algumas revisões finais: eu sou de centro-direita, mas disse que era de esquerda pra tentar te impressionar e quando você disse que era filiada ao PSDB eu achei que era tarde demais pra voltar atrás; curry me dá vontade de vomitar, mas quando você me ofereceu um pouco do seu prato eu aceitei pra não criar um clima chato; eu sou ateu e meu carro não está quebrado, é que eu nunca me interessei por aprender a dirigir e sempre prefiro andar de taxi.

Bem, desfeitas essas confusões, espero que no segundo encontro as coisas sejam legais como foram hoje, ok?

Beijo

Adolfo.

6 Comentários

Arquivado em Crônicas, Desocupações