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Top 5 – Músicas pra pedir pra ex voltar

Weezer – Put me back together: Da mesma escola de músicas como “Valerie” do The Zutons e “Volta pra casa” do Yahoo, “Not getting better” joga em um esquema clássico do pedido de retorno no namoro: o argumento de que você precisa dela e com ela sua vida é bem melhor. Sem ela você se veste mal, não acorda na hora certa, não chega no trabalho, perde o ônibus, é criticado em casa, não consegue sintonizar a TV, seu time perde todos os jogos, seu cabelo pára de crescer, seu pai engorda, seu cachorro faz greve de fome, sua mãe não acerta o tempero, a vida perde o sentido, o sol para de brilhar e a Heloísa Perisse ganhou programa próprio. Ou seja, o universo se tornou uma merda e ela precisa voltar logo antes que a entropia e as humoristas sem graça dominem o mundo. Bem, se funcionar é ótimo, porque você conseguiu convencer a garota, mas se não funcionar e isso tudo for mesmo verdade…bem…aí você está fodido.

The Police – I can’t stand losing you: Bem, você tentou argumentar, disse que ela faz falta, disse que ela é especial, disse que ela é a mulher da sua vida, e ela não ouviu. Agora você decidiu dizer que vai se matar se ela não voltar e ela que se prepare pra viver com essa culpa na consciência. Admito, é a típica atitude covarde e desesperada do cara que fura a bola quando está perdendo o jogo e rouba nas trocas quando brinca de War, mas pelo menos você tem um projeto. E ninguém disse nada sobre o seu projeto não poder envolver covardia e chantagem emocional, disse?

Jackson Five – I want you back: Ela pode resistir a você pedindo pra voltar. Ela pode resistir a você dizendo que vai melhorar. Ela pode não dar a mínima pro seu sofrimento, pra sua dor, pra sua tristeza. Ela pode rir do seu choro, das suas ameaças de suicídio, da sua cabeça enfiada dentro do forno elétrico (porque, tipo, é engraçado, sabe? não tem gás ali, cara!). Mas ela nada, sim, eu digo, nada, poderá fazer diante do Michael Jackson criança, ainda negro, de black power e usando uma roupa colorida, pedindo que ela dê mais uma chance porque você vai mostrar pra ela o amor que ela quer se ela te deixar voltar pro coração dela. Seria desumano se ela fizesse isso, cara.

Elvis – Are you lonesome tonight: Uma coisa que todos nós tempos que aprender é que neste mundo existem três jeitos de fazer as coisas: o jeito certo, o jeito errado e o jeito do Elvis. Elvis não chora, Elvis não suplica, Elvis não pede perdão, Elvis não dá pinta de quem passou a noite toda chorando sozinho enquanto olhava álbuns de fotos e assistia “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” pela sexta vez. Elvis sabe que se o relacionamento terminou quem perdeu foi ela, que se você está sozinho o mundo das mulheres solteiras sorri, que toda e qualquer garota se rasgaria por um cara feito você. Mas mesmo assim Elvis, cara boa praça que é, aceita dar mais uma (e apenas uma) chance pra que ela reconsidere, sabendo que ela está sozinha, carente, largada e que ele foi o ponto alto da vida dela, depois do qual virá apenas o vazio, a depressão e caras com cabelo menos bonito. É assim que Elvis resolve essas coisas.

Take That – Back for good: Você não entendeu direito porque terminou. Ela estava chorando, falando enrolado, parecia meio bêbada e as coisas que você conseguiu pescar serviam tanto pra justificar um final de namoro, um discurso de despedida do futebol ou uma declaração de guerra no oriente médio. Mas você imagina que a culpa deva ser sua e portanto você deva pedir desculpas já que não quer terminar (além de não querer começar uma guerra no oriente médio). E existe algum pedido de desculpas mais genérico do que “o que quer que eu tenha dito, o que quer que eu tenha feito, não foi de propósito”? É aquela coisa, seja qual for o problema foi sem querer e eu vou resolver, mas se você puder falar de uma forma menos confusa vai facilitar um bocado pra mim.

Menções honrosas

Waguinho – A mina de fé: É impossível falar de músicas sobre retorno de namoro sem citar essa pérola do “você não sabe o que tem até perder” cometida pelo sempre sensacional Waguinho, homem por trás do mega-sucesso “Tô dentro, tô fora” dos Morenos. Não só toda a letra é permeada por um genuíno terror em relação a perda (“eu era feliz sem saber e isso me revolta”) como é impossível não notar que Waguinho realmente mudou sua postura de vida e agora não leva mais aquela vida de dissipação e degradação moral de antigamente (“eu aprendi, não vale nada, noite, farra, madrugada”). Ou seja, mais do que uma canção é o retrato de uma mudança de vida em letra e música. Tocante.

Molejo – Voltei: Pra que se fazer de vítima depois do fim? Afinal, se você tinha problemas, que forma melhor de atrair a mulher amada de volta do que corrigindo suas atitudes, mudando sua postura, buscando se adequar aos elevados padrões que ela estipulou para um parceiro ideal? E é isso que Anderson Leonardo nos ensina. Abandone o cigarro, comece a malhar, pare de freqüentar a zona da sua cidade, acorde cedo, se comporte bem, seja um ser humano melhor! E se ela não voltar? Bem, aí você volta a fazer aquelas merdas todas de novo, é claro.

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O lado negro da força – Parte I

vader

Eu sempre tentei ser uma pessoa legal. Não que eu consiga com freqüência, mas eu tento. Procuro sempre ver o lado bom das pessoas, não me irritar com as coisas, aceitar que os animais não fazem certas coisas por culpa deles e que a programação da TV aberta sempre foi ruim, não é nada pessoal. Mas claro, todo mundo tem seu lado ruim, egoísta, cruel e deliberadamente babaca. E ainda que eu evite ter contato com esse meu lado (só faço isso durante o horário de trabalho ou em reuniões de condomínio) acabei tendo contato com esse lado há alguns dias atrás. E admito, eu realmente não sou uma pessoa tããão legal assim.

Explicando. Estava eu de bobeira no orkut, deixando um scrap para um amigo suplicando por um convite para jogar futebol quando topei com o perfil da minha ex-namorada. Lá dizia que ela estava namorando e pela foto ela parecia ótima e feliz. Feliz mesmo, assim, felicidade em proporções homéricas, quase uma viagem de lsd pelo mundo dos teletubies. E ótima mesmo, assim, linda, impressionantemente bonita. Bastante, mas bastente atraente mesmo. Mas não vou me estender sobre isso. A questão é que eu fiquei feliz, por saber que ela estava bem. Fiquei mesmo, com toda a sinceridade. Saber que ela, uma pessoa de quem eu gostei muito e ainda gosto, estava bem, me fez bem. Por exatos 3,467 segundos. Depois eu fiquei…hummm… puto.

Sim, eu sei, isso não faz sentido. Fui eu que terminei, fui eu que pulei fora, ela tem todo o direito de estar bem, feliz e com um outro cara. Era isso que o hemisfério racional da minha cabeça dizia. Mas ele era pequeno diante do hemisfério irracional e rancoroso (numa comparação proporcional, seria algo como “estado do Espírito Santo versus Macedônia dos tempos de Alexandre”) que dizia que havia algo de muito errado nisso. Claro, eu não queria que ela, depois que a gente terminou, passasse o resto da vida chorando de saudade e pensando em como eu era legal. Mesmo porque eu realmente não sei se sou legal. Mas…será que ela não poderia fazer isso? Sei lá, ficar pelo menos uns…cinco, seis, talvez sete, no máximo oito anos em depressão profunda, chorando diante de uma foto minha e ouvindo repetidamente aquela música “Os outros” do Kid Abelha?

Claro, eu entendo que eu não tenho nenhum “capital emocional” nesse caso, já que ela realmente tentou me mostrar que eu estava errado em terminar, e eu mesmo fiquei com outras pessoas nesse meio tempo, quase namorei de novo, mas não existe algum tipo de acordo tácito entre pessoas que terminam sobre a pessoa que “foi terminada” só poder ficar feliz e alegre assim que a pessoa que terminou estiver relativamente bem estabelecida emocionalmente? Sério, é no mínimo injusto da parte dela estar linda, feliz e bem sucedida (e na foto ela realmente estava sexy) enquanto eu estou engordando, tendo como principal amigo um rinoceronte de pelúcia e semana passada aceitei ir no enterro de uma pessoa desconhecida só pra não ficar em casa sozinho (fora que essas entradas no meu cabelo não parecem ter boas intenções).

E admito, fiquei com um certo peso na consciência por ter sentido isso. Sério, não é legal ficar chateado diante da felicidade e do bem estar dos outros.  Não mesmo. Mas dane-se, eu fiquei…E me sinto bem melhor por ter compartilhado isso com todos vocês. Quer dizer, na verdade não…

Ah, e o enterro foi um saco, só pra constar.

(Esse post também não teria sido possível sem este post da Elisa)

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