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Três tentativas de resenha gourmet

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Minha casa – Focada numa culinária mais contemporânea, com toques de moderno, pitadas de ousadia e uma certa propensão a não lavar a louça depois de quinta porque a faxineira já vai vir na terça que vem mesmo, não sei pra que se desgastar, o primeiro avaliado da lista vem funcionando desde 2011 no mesmo local, após um período funcionando no Flamengo e seu começo ainda no interior de Minas Gerais, trabalhando basicamente como uma miojaria, com sábados de salsicha e batata. Com uma decoração baseada na cultura pop, com ênfase em quadrinhos, desenhos animados e aquilo a que minha namorada se refere como “bonequinhos feios”, tem capacidade para atender até quatro pessoas ao mesmo tempo, se o notebook ficar no quarto e eu tiver paciência pra tirar as coisas da mesa da cozinha.

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Mini-conto #17 – Uma breve justificativa

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Eu ando tendo uns problemas no trabalho. Desgaste, cansaço, estão me impedindo de sair pra procurar outra vaga, coisas assim, sabe?  Tive uma conversa franca, tentei argumentar, apresentei propostas, mas as coisas não andaram. Aí um dia esperei todo mundo sair e escrevi nas cascas das bananas que eles deixam no cesto de frutas palavras como “morte”, “terror” e “medo”, de maneira que conforme as frutas forem amadurecendo e as letras forem ficando pretas eles imaginem que o nosso andar tem fantasmas.

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Sobre perdas, histórias e um amigo que foi embora

A gente nunca sabe lidar com a perda das pessoas de quem a gente gosta. Sejam familiares, sejam amigos, sejam colegas, a gente apenas não tem os mecanismos, emocionais ou sociais, pra lidar com a idéia de que uma pessoa que é importante pra nós, de cuja presença nós gostamos e precisamos, apenas foi tirada do nosso convívio e não existe a chance de que ela volte. Soa errado, soa arbitrário, soa cruel. É o tipo de coisa que, por mais que aconteça, por mais que a gente tente entender, por mais que seja parte do processo e da dinâmica da vida em si, nunca fica mais fácil, nunca faz mais sentido. Por mais que a gente viva, por mais que aconteça, a gente nunca vai ficar mais experiente nisso, aprender a lidar melhor, estar realmente preparado pra perder alguém. Continuar lendo

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Sobre inclusão digital, cupcakes e a sua mãe

Uma coisa que parece estar realmente em voga nesses últimos tempos na internet é reclamar da inclusão digital, seja ela exatamente o que for. As pessoas reclamam que o facebook está sendo orkutizado, que qualquer um compra um iphone, que a nova classe média não sabe usar a internet e os aeroportos, que o twitter deixou de ser um fórum elitizado onde se decidia o futuro do planeta para se tornar um espaço democrático de retuítes de piadas do Rafinha Bastos e meu irmão veio semana passada me dizer que o badoo é o “orkut do sexo”, o que não tem nada a ver com o assunto mas foi realmente uma surpresa pra mim. O badoo, sério? Nunca imaginei, na boa.

Mas mesmo assim não estou aqui para falar exatamente sobre isso. Não me incomodo com as piadas sobre a Preta Gil na timeline, não fico preocupado que os tumblrs sobre cupcake sejam soterrados por fotologs com imagens de broas de fubá, não tenho problemas com as pessoas que atualizam o status do facebook com músicas do Legião Urbana (na verdade até tenho, mas não quero falar disso agora). Não, nada disso. Pra mim o dado mais assustador de tudo isso, e fico impressionado que tão poucas pessoas reclamem dele, é que finalmente chegamos a um ponto em que nossas mães estão usando a internet.

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All the best cowboys have (grand)daddy issues


Um dia desses eu estava conversando com os caras sobre filhos. Sim, quando você chega na casa dos 26 as conversas sobre garotas rapidamente se tornam conversas sobre relacionamentos, que desembocam em conversas sobre namoros, que descambam para conversas sobre casamentos e subitamente, quando você menos nota, as pessoas estão falando de crianças, bebês, filhos e você fica ali com aquela sensação de que o tempo passou rápido demais, o futuro já acabou e em breve não vai ter mais ninguém pra jogar kinect contigo no meio da semana. Mas não, o texto não é sobre isso, é sobre um problema maior.

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Um texto clichê (ou “Notas sobre o casamento do Eric”)

Como todo mundo sabe, quando você chega na casa dos vinte e tantos é um tremendo clichê escrever texto reflexivo depois de casamento de amigo. Essa coisa de dizer que isso te faz pensar em como o tempo passou pra todos vocês, em como todo mundo amadureceu, em como o seu amigo de 25 está tomando uma das maiores decisões da vida dele sem pestanejar enquanto você demorou um ano pra decidir entre um PS3 e um Xbox e até hoje acorda de madrugada suando frio pensando que pode ter tomado a decisão errada e não sabe se vai conseguir conviver com isso, é algo que você deve ler em uma dezena de outros blogs toda semana.

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Anotações sobre meu tio

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Eu não sou um cara que saiba falar sério. Meu “senso de humor” não é charme, não é um traço de personalidade, não é algo que eu consiga controlar com um “on/off”. Na verdade ele está mais pra uma patologia, um mecanismo de defesa, acho. E eu realmente fico chateado com isso quando preciso falar sério. E hoje eu vou ter que pelo menos tentar. Eu perdi meu avô paterno ano passado, mais ou menos nessa mesma época do ano e admito que foi um baque e tanto. Eu sempre fui próximo dele e da última vez que nos encontramos tínhamos tido “a conversa” estilo “O poderoso chefão” em que ele passou pra mim a responsabilidade pela família, incluindo meus tios e meus primos, aquela coisa de que o neto primogênito se tornaria naturalmente o patriarca e tudo mais. Assustador. Ainda mais se você sabe como meus tios são. E ontem, no meio da tarde eu recebi a notícia de que meio tio Nilson, irmão da minha mãe, e que pra mim sempre foi praticamente um irmão mais velho, também faleceu.

Eu não sou um cara religioso ou mesmo alguém com fortes crenças espirituais. Eu sou bem lógico e frio quanto à vida após a morte, por exemplo. Eu não acredito em paraíso, reencarnação, sinceramente não consigo achar que nada disso seja verdade. Torço muito pra que seja, mas não acredito. Então eu não consigo o consolo de pensar que as pessoas de quem eu gosto foram pra um lugar melhor ou algo parecido, o que só me deixa a obrigação de lembrar delas e mostrar o quanto elas marcaram as pessoas que ainda estão por aqui. Por isso, para deixar claro que meu tio não vai ser esquecido e vai continuar existindo, pelo menos nos atos e na memória, eu vou fazer uma pequena lista com algumas coisas importantes que eu devo pra ele, que eu lembro sobre ele e que me ajudaram a ser quem eu hoje sou.

– A primeira revista em quadrinhos que eu li era do meu tio. Era uma edição de “Heróis da TV” com o Hulk, que começava com ele saindo de dentro de uma espécie de lago e eu li isso na casa da minha avó materna, quando ainda morava no Rio.

– O primeiro disco que eu ouvi sozinho era do meu tio, “Os grãos”, dos Paralamas.

– A pessoa que mais se orgulhava de mim, na face da Terra, era meu tio. Não que meus pais não tenham orgulho de mim, mas eles têm imperativos biológicos que os obrigam a isso, então é um outro caso. Meu tio sempre me apresentava para as pessoas como “o meu sobrinho jornalista. Esse garoto escreve pra caralho!”. Não que isso fosse impressionar ninguém, ou mesmo que fosse verdade, mas era a forma dele de mostrar que tinha orgulho de mim pelas coisas que eu gosto de fazer. E também uma das poucas formas de elogio que realmente me deixam feliz.

– Meu tio me emprestou “Christine”, do Stephen King.

– Meu tio, mesmo doente, já com problemas sérios em relação a bebida, construiu um sistema de alarmes para a própria casa usando sobras de fios e pedaços de um rádio. Eu disse pra ele que ele estava virando o Mcgyver e ele disse que o Mcgyver usaria bem menos fio.

– Meu tio era a síntese do cool em um ambiente extremamente uncool. Mesmo morando na periferia da baixada fluminense ele conseguia ser fã de Arquivo X, saber quem era John Byrne e discutir Watchmen comigo. Na verdade ele conseguia conversar sobre qualquer coisa. Eu, com internet e fazendo faculdade de comunicação, ficava pra trás numa discussão com meu tio que só via a primeira página dos jornais e trabalhava como frentista. Muito pra trás.

Isso são apenas pedaços, cacos mal escolhidos. Eu não vou conseguir resumir meu tio ou o que ele fez por mim em tópicos ou coisas do tipo. Possivelmente ele foi uma peça fundamental no fato de que eu seja quem sou, tenha os gostos que tenho e queira fazer as coisas que quero.  Sem ele eu tenho uma pessoa a menos pra quem mostrar as coisas que eu conseguir e uma pessoa a menos que acredita que eu posso conseguir grandes coisas. Acho que perdi de uma vez só um tio, um irmão mais velho e um amigo. Mas espero algum dia, conseguir as “coisas grandes” que ele esperava de mim. Pra que, se realmente existir algum lugar além desse aqui, ele possa, conversando com alguém, apontar lá de cima pra mim e dizer “aquele é o meu sobrinho jornalista. E o garoto realmente escreve pra caralho!”.

Até mais, tio.

(Espero, sinceramente, não voltar a falar sério nesse blog tão cedo. Por isso o próximo post será alguma forma bem pueril de humor pra que eu tente voltar ao normal)

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