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Possíveis gimmicks que eu considerei utilizar para definir minha personalidade se aquele lance da fonoaudióloga tivesse dado certo e eu tivesse deixado de gaguejar

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E no começo desse ano eu decidi voltar a fazer sessões de fonoaudiologia, visando resolver o meu decrescente, porém constante, problema de dicção. Não foi uma decisão fácil, não foi uma decisão tomada de forma leviana, não foi uma decisão que durou mais de um mês porque eu tinha que acordar muito cedo e aí eu acabei desistindo. Mas durante esse mês em que fiz as sessões um receio passou pela minha mente: o de, me livrando da gagueira, perder aquele que possivelmente é o meu mais definido e claramente perceptível traço de personalidade (“cara, bebi ontem com o joão” – “qual joão?” – “o moreno” – “hummm” – “o barbudo” – “hummm…” – “o jornalista” – “não tá me dizendo nada” – “o que tem as mãos muito pequenas em proporção aos pés e ao resto do corpo, se você reparar bem” – “ainda não” – “o gago, cara, o gago” – “ah, o gago, cara, grande gago”). Diante da necessidade de, nesse tipo de situação, desenvolver um novo traço marcante de personalidade, cheguei nessas, que foram as minhas cinco melhores ideias.

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Movie Review #16 – “Os Muppets”

 

Uma coisa que fica cada vez mais clara é que vivemos na era do “humor de borda”. Sim, o humor que está tentando desafiar convenções, o humor que está lutando desesperadamente pra ser “inteligente”, o humor que quer se mostrar politizado, o humor que quer dar tapas de lado de mão na cara da sociedade, levar até seus máximos limites a discussão sobre responsabilidade jurídica e deixar a esquerda atônita, a direita confusa e os adolescentes de centro discutindo inconclusivamente no twitter.

E diante desse humor que tem os mais diversos objetivos e acaba várias vezes deixando de lado algumas das premissas básicas nas quais deveria se sustentar – ser engraçado, por exemplo – várias vezes a gente se pega sentindo falta do humor garoto, do humor moleque, do humor de pés descalços, mais ingênuo e infantil, que mais do que te fazer refletir sobre a humanidade, dissertar sobre a vida e a morte ou mesmo questionar os limites humanos do mau-gosto, tem apenas a intenção de te fazer rir, ter umas duas horas agradáveis e não precisar acompanhar o desenrolar de cada uma das piadas através das manchetes dos jornais. E é nessa categoria, praticamente esquecida, que se encontra o novo filme dos Muppets. Continuar lendo

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