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Novos sentimentos desagradáveis na era do romance fluido

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#o paradoxo egoísta da disponibilidade ideal: daí que você quer mais tempo com aquela pessoa. mas você não quer namorar aquela pessoa, claro, porque você não tá pronto pra um relacionamento, você valoriza a sua independência, você vive um momento complicado, qualquer uma dessas coisas que você sabe que são verdade mas um lado seu tem medo que sejam apenas jeitos elaborados de dizer “quero estar disponível se rolar de beijar mais gente na boca”. mas você quer mais tempo com aquela pessoa. mas também não pode ser muito tempo, porque você também tá tentando focar mais no trabalho, você quer se reconectar com seus amigos, você quer ver mais sua família. mas você quer mais tempo com aquela pessoa. mas não pode ser em dia de futebol ou quando tem viagem da galera ou quando você tá cansado e apenas acha melhor ficar em casa. mas você quer mais tempo com aquela pessoa. mas não podem ser atividades que exijam compromisso emocional ou que sejam fora de mão em termos de trânsito e horário ou que venham a dar uma ideia errada das suas intenções e gerem implicações com as quais você não quer lidar. mas você quer mais tempo com aquela pessoa. mas também não quer vivenciar nenhum grau muito elevado de intimidade ainda que você queira em dados momentos realizar atividades que implicariam um grau mais elevado de intimidade. mas você quer mais tempo com aquela pessoa.

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Arquivado em referências, romantismo desperdiçado, situações limite, Vacilo, Vida Pessoal

3 situações simples em que o limite de caracteres no sms do seu celular permite que sua namorada te considere um cara bem mais normal e equilibrado do que você efetivamente é

#1

Mensagem que você recebeu: “Ei, tudo bem aí no trabalho?”

Primeiro rascunho mental da mensagem: “Não. Assim, na verdade tá tudo péssimo. Eu apenas não gosto daqui, sabe? As pessoas, o trabalho, as reuniões, os relatórios, a máquina de café que sempre espirra em mim e olha que eu nem bebo café e é como se ela praticamente me perseguisse pelo corredor pra me sujar. Eu apenas odeio isso. Odeio. Na verdade eu não quero mais ficar. Sério, eu decidi, eu vou embora. Eu vou largar essa merda. Eu não preciso disso, certo? Eu posso fazer outras coisas. Foda-se essa porra, eles que se danem. Eu tenho 27 anos, eu tenho talentos, eu posso arrumar outro emprego em outro lugar. Você foge comigo? Eu tava pensando em alguma coisa com praia, um litoral aí mais pro nordeste. Coloca biquínis na mala e leva aqueles vestidinhos que você usou nas férias. Eu juntei algum dinheiro e acho que a gente consegue se ajeitar. Eu apenas não suporto mais um dia aqui nesta porra, sabe? Você acha que consegue pilotar um catamarã? É assim que se chama aquele barco? Eu posso fritar peixes. Eu te amo e quero fugir com você mesmo que seja pra nós dois virarmos representantes jequiti. Sempre gostei daquele programa com o Sílvio Santos e a roda, sabe? – Ps: “Se chama ‘Roda a Roda’ o programa, achei o nome engraçado”.

Mensagem que você envia: “Ah, tá meio chato, e por aí, como ta?”

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Arquivado em é como as coisas são, homens trabalhando, romantismo desperdiçado, situações limite, Vacilo, Vida Pessoal

Novas aventuras em lo-fi #19

Uma coisa engraçada da adolescência é que, apesar de ser possivelmente a época mais rica em transições, revoluções e reviravoltas que qualquer um de nós chega a ter na vida, já que não apenas não temos o controle de muitas das coisas que nos acontecem (quando se tem 16 anos não se pode escolher a casa onde se mora, o colégio onde se estuda, o curso de inglês que se faz ou que fotos suas vão ou não ser exibidas quando as visitas chegam na sua casa) como também estamos num momento de diversas transições pessoais (emos viram grunges, que viram hipsters, que viram metaleiros, que viram pagodeiros, que resolvem mudar o nome pra um símbolo como se fossem o Prince), ela consegue ser ao mesmo tempo a época das decisões mais contundentes, das opiniões mais fortes, das convicções mais firmes. Continuar lendo

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Arquivado em crise de meia meia idade, Músicas e derivados, teorias