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4 sinopses para filmes de ficção científica meio realistas

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#um grupo de cientistas acredita ter descoberto sinais de vida em um planeta muito distante e inicia um processo de décadas para permitir que a humanidade alcance esse canto ainda inexplorado do espaço. são obtidos avanços científicos, são realizados testes em busca da tripulação perfeita, até que num dia de muito júbilo para a espécie humana, e com transmissão para todos os países da terra, a nave “perseus” é lançada em direção ao espaço em sua missão de dez anos para finalmente confirmar a existência de vida fora do sistema solar. durante essa missão alguns astronautas enlouquecem, outros morrem, alguns são vítimas de doenças desconhecidas, pois nunca os seres humanos haviam sido expostos durante tanto tempo ao ambiente espacial. chegando no planeta, batizado de “terra 2”, o único cientista sobrevivente descobre que é um alarme falso, vida não é bagunça, não vai sair aparecendo assim, não vamos encontrar logo de primeira, o que vocês tavam pensando. agora ele precisa voltar pra terra sozinho e a viagem parece que vai ser longa porque ele viu todos os dvds bons já na ida.

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Mini-conto #20 – “Sobre a terceira temporada de Fringe”

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Na chamada Terra #2 eles não se conheceram. Os pais dela tinham ido pra outros país por causa de trabalho, ele quase nunca saía do interior, se cruzaram uma vez num aeroporto, ele teve a sensação de que aquela garota era familiar, de um jeito esquisito, mas não se preocupou muito.

Na Terra #4 eles se conheceram uma noite numa festa, ela era namorada de um amigo do irmão, ele era o cara contrariado bebendo drinks com guarda chuvinha. A festa não foi boa, duas garotas passaram mal, um amigo vomitou num chapéu, dois conhecidos foram colocados pra fora. Pessoas se perderam no estacionamento, no final os dois acabaram tendo que dividir um táxi. Ele achou que ela era bonita, ela achou que ele era engraçado, ele pensou em pedir o telefone dela, ela pensou que, se ele pedisse, ela não poderia dar. Se despediram um pouco sem graça, ela deixou dinheiro a mais na parte dela da corrida, ele só notou depois, se sentiu culpado. Nunca mais se viram.

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Do eterno dilema bumbum/virilha

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E então você está lá com a gatinha no cinema. A noite é bonita, a conversa é interessante, a previsão do tempo garantia chuva mas o único clima que você consegue perceber é de romance. A pipoca está gostosa, as balinhas estalam na boca com doçura e a vida parece curta, mas não tão curta quanto aquela sainha sensacional que ela está usando – você já consegue imaginar aqueles belos joelhos tocando os seus durante essa simpática sessão cinematográfica. O filme é de terror, ela disse que sente medo, perguntou se pode segurar a sua mão e você sente que a vitória se aproxima, o sucesso é garantido e antes do final da noite você já vai ter chamado aquela linda de Terra de Vera Cruz e colonizado aquele corpinho todo.

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Quando você diz que sente falta de ser solteiro eu penso em…

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# e ali você era o inocente útil. falaram que queriam te convidar por causa da música, que pensaram em você por conta do lugar, que tu não podia ficar de fora por causa da comida, mas na verdade você tava ali pra completar quatro no táxi, longe pra caramba a barra da tijuca, bandeira dois moendo, vai saber. chegando lá a música era ruim, a comida era cara, a faixa etária era errada e um cara muito musculoso coberto de glitter num dado momento tirou a camisa e quis te abraçar, te chamando de rômulo, você tá muito confuso. sentado na mesa, olhar perdido, perguntou pro garçom a senha do wi-fi, ele disse que ia trazer, trouxe um drink hi-fi, tu nem gosta de fanta laranja. começa a resmungar com seu casal de amigos em voz alta, diz que quer voltar, arca com a despesa do táxi, arca com a despesa do bar, arca com a dívida externa de diversos países em desenvolvimento, só quer ir pra casa. na mesma mesa, desolada, gatinha amiga da amiga da amiga, também dano colateral da balada, pratica os mesmos resmungos, não tá nada feliz, a aparência é de tristeza e abandono. amiga senta entre vocês dois, já mais alta que uma pipa, falando engrolado porque enrolado é complicado de falar. diz que vocês tão perdendo a festa, fala que precisam aproveitar, abraça os dois, fala que são duas pessoas ótimas, que na verdade até combinam, ela queria juntar os dois, te chama de rômulo também, você começa a achar que tá tudo errado. amiga insiste, você levanta a cabeça, olha pra gatinha com aquele ar de “estou constrangido mas aí até aprovo esse esquema se você quiser eu tô beleza, aproveitar essa noite linda, que tals?” e vê nos olhos da gatinha uma negação e um terror abjeto nunca dantes vistos pelo homem, já que a warner não quis financiar aquela versão do del toro pras montanhas da loucura do lovecraft. paga a conta, paga o táxi, paga o parabéns, vai pra casa, liga o xbox, entra na live, conexão tá ruim, perde de sete a zero porque o time se move em slow motion, vai dormir. a fanta laranja do hi-fi ataca a tua gastrite durante a noite.

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Mini-conto #16 – A nossa sexta última vez

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Da primeira vez ela foi embora por dois dias. Na sexta à noite ela disse que as coisas estavam indo rápido demais, que precisava pensar, mas que achava que a resposta era não. Me telefonou enquanto eu cochilava no sofá da minha mãe pra dizer que na verdade era um talvez, se eu ainda quisesse. Eu disse que queria.

Da segunda vez ela foi embora por quase uma semana. Disse que tinha sido um erro, que não queria assim. Não atendia o telefone, não descia na portaria. Apareceu na frente do meu trabalho e disse que a gente deveria beber um café, mas eu nunca bebi café. Falou que as vezes ela duvidava e eu disse que todo mundo duvida às vezes, o que era mentira, porque eu sempre tive certeza.

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Mini-conto #15 – Diabolyn

wildfireEm minha defesa eu preciso dizer que fui pego de surpresa.

Era uma viagem de reconciliação, sabe? Eu tinha pisado na bola, ela tinha sido muito dura, passamos uns dias sem se falar. Eu telefonei primeiro, ela me ignorou, eu tive que telefonar de novo, mandei mensagens. Ela não queria me ver, eu tive que telefonar pra uma amiga, descobri que não era tão minha amiga. Tive que esperar na porta da casa dela, levei flores, estava chovendo, elas chegaram amassadas. Ela demorou pra voltar e eu peguei no sono na porta, só acordei com ela tentando entrar sem eu perceber.

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Mini-conto #14 – “Pilates”

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Eu gosto de pensar que era uma noite chuvosa. Que você me esperou dormir e me deu um beijo na testa antes de pegar as suas coisas. Separou algumas roupas às pressas se aproveitando do meu sono pesado, não achou sua mala, pegou uma das minhas. Lá fora fazia frio. Você hesitou antes de abrir o portão e enquanto parava um táxi pensou em voltar. Mas vendo as luzes se aproximarem teve certeza que era a decisão certa. Enquanto ele colocava suas coisas no porta-malas você olhou uma última vez pra luz acesa na sala do nosso apartamento e timidamente sorriu. Então você foi embora.

Gosto de acreditar que foi aos poucos. Não acho que nenhum amor comece com um estalo ou algum romance termine com uma explosão. Sempre duvidei de big bangs emocionais e achei que essas coisas acontecessem aos poucos. Da mesma forma que a gente começou durante semanas, em cada encontro, em cada beijo, em cada noite em claro na sala, a gente deve ter terminado durante meses. Em cada telefonema curto, em cada data esquecida, em cada manhã sem tempo, eu devo ter te perdido um pouquinho sem nem perceber. Acho que não foi você que terminou, nós já tínhamos terminado sozinhos. Você só foi a primeira a perceber.

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Mini-conto #13: “Comédia romântica”

Nas comédias românticas as pessoas gostam de dizer que se lembram tudo. Que você usava vermelho, que a lua estava cheia, que nós pedimos macarrão, que o táxi atrasou, que o garçom era engraçado, que o seu perfume tinha algo de jasmim. Eu lembro que você me esperava na frente de uma banca de jornal, que quase não conseguimos achar um bar, que as pessoas falavam alto em torno da gente, que um garotinho se ofereceu pra fazer alguma coisa em troca de dinheiro – falar os dias da semana em inglês,foi isso? – e você foi muito simpática com ele e achei isso muito bacana em você. Eu não lembro exatamente da sua roupa, eu não lembro exatamente da lua, ou se estava frio, ou se estava quente, mas eu lembro que você estava com uma câmera e eu fiquei inseguro pensando se esse era um plano de emergência caso eu fosse muito chato – “ei, desculpa sair assim, mas esqueci que precisava fotografar uns canários agora à noite pra um trabalho e olha só, esse é meu táxi, tchau”. E no tempo que eu precisasse pra perguntar se canários efetivamente saem à noite e que tipo de trabalho era aquele você ia ter ido embora, algo assim. Mas naquela noite você ficou. E ainda consigo lembrar do primeiro sorriso que você me deu.

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Mini-conto #12: As incríveis aventuras espaciais de Adam Strange no planeta Rann

De madrugada o telefone tocou e era alguém procurando Orlando. Depois disso não consegui mais dormir direito, rolei na cama, tomei três copos d’água. Quando finalmente peguei no sono o despertador tocou, fui tentar caminhar em direção ao banheiro ainda de olhos fechados e bati com a cabeça na porta. Não achei meu chinelo, o aquecedor não funcionava, tomei banho frio. Tia da roupa não tinha vindo na véspera, vesti aquela calça jeans de quando eu estava gordo, coloquei a camisa que estava em cima da cadeira. Essa era a que eu tinha separado pra lavar na noite anterior porque tinha uma mancha de molho na manga. Só notei quando já estava dentro do metrô.

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Mini-conto #11: “Carol Brown apenas pegou um ônibus pra fora da cidade”

Cíntia disse que estava tudo bem e no meio da noite foi embora levando roupas, discos, livros, anseios, sonhos e minha única mala de rodinhas. Que ela nunca devolveu. Jéssica me deixou pra trás numa fila de cinema, com um imenso medo de me envolver e dois ingressos pra sessão das nove de “A casa do Lago”, perdas que ninguém nunca vai poder me ressarcir. Carina me trocou por um colega de trabalho que era mais alto e ainda comentou com as amigas que agora poderia voltar a usar salto.

Letícia me pediu pra não ligar mais e prometeu mandar minhas coisas pelo correio, mas nunca fez questão de confirmar meu endereço ou mesmo de fazer comigo um checklist pra saber quais seriam as minhas coisas. Clara me chamou de infantil e foi embora, Lisandra mudou de telefone, Cecília mudou de cidade, Mariana mudou de país. Paula alegou ter mudado de país, mas dois meses depois alugou um apartamento no mesmo andar que eu e numa manhã de sábado ainda bateu na minha porta pedindo açúcar. Não que com isso eu tenha algum problema, apenas achei grosseiro ela reclamar quando viu que eu só tinha cristal. Fernanda mudou de opção sexual e agora sai com garotas, mas eu não gosto de falar sobre isso porque meu apelido na faculdade era Ross e sempre dá trabalho explicar que não é porque eu gosto de dinossauros.

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