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8 Tópicos aleatórios que substituem a minha resenha de Hot Tub Time Machine

Quando você traduz “The Hangover” como “Se beber não case” e logo depois traduz “Hot Tub Time Machine” como “A ressaca” você gera um tipo de paradoxo lingüístico de tradução que permite que, de uma certa forma estranha, “A banheira máquina do tempo” possa ser traduzida para o inglês como “If you drink, don’t marry” sem problemas.

O conceito de uma banheira de hotel que, quando quebrada, faz com que as pessoas viajem no tempo é uma daquelas idéias que te fazem soltar um “meu deus, por que eu não pensei nisso antes?” e logo depois um “porra, mas se eu tivesse pensado, o que eu faria com isso?”

Toda comédia, seja do tipo que for, desde romântica até dramática, deveria ter a obrigação contratual de contar com pelos menos um ator/atriz que participou de forma proeminente de um dos seguintes filmes: Evil Dead, Caça Fantasmas ou Férias Frustradas.

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Sexo Mata – O Filme

Sexo Mata - Pôster Thiago

Quase todo mundo adora cinema. O clima, as pessoas, o escuro, a arte da coisa em si. E eu cresci totalmente apaixonado, ainda que não pelas mesmas razões que todo mundo. Se a grande maioria dos que sonha em trabalhar com cinema vai citar Fellini, Trouffaut, Ford, Welles ou Spielberg, eu posso dizer com certeza que os caras que me inspiraram a querer ficar do lado de trás da câmera foram muito mais Kevin Smith, Judd Apatow, e os irmãos Farrelly (além do mestre Woody Allen). Então, existindo essa paixão, nada mais natural do que tentar fazer filmes. E eu tentei.

O primeiro foi um curta experimental, filmado em formato digital, em parceria com meu amigo Ronaldo Campbell, chamado “Perspectiva 2”. Exibido em alguns festivais o filminho era interessante, brincávamos com luzes, imagens, essas coisas. Mas eu ainda não sentia que era algo “meu”, já que desde o roteiro até as filmagens, era tudo em parceria. Claro, foi divertido, eu aprendi um bocado (meu amigo me ensinou, por exemplo, a tirar a tampa da lente antes de filmar as cenas) mas era um projeto totalmente coletivo. Aí surgiu a idéia de fazer um roteiro meu, pra que eu mesmo “dirigisse”: “Sexo Mata”.

“Sexo Mata” era a história de um grupo de jovens que sai pra acampar e acaba morrendo, um por um, nas mãos de um maníaco assassino. Sim, isso mesmo, o clichê máximo do gênero de terror. A única diferença é que seria uma comédia. Meio musical. Com cenas de sexo. Só que num clima de romance. Ou algo assim.

E então eu comecei e em uma semana tinha pronto um roteiro para um filme de vinte minutos. Mas e aí, eu ia fazer o que com ele? Começou então esse caos chamado pré-produção. Convidar pessoas, suplicar para amigos, conseguir câmera, microfone de captação de som, cenários (achar uma floresta não é tão fácil quanto as pessoas fazem parecer…), figurino, pessoas dispostas a ajudar, horários para ensaios, gravações e coisas do tipo. Mas por mais incrível que possa parecer, e graças a ajuda de vários amigos, estava tudo certo. Era a noite de filmar.

Sim, a noite, porque diferente de uma filmagem profissional, onde se gravam apenas alguns takes, algumas cenas por dia, nós teríamos que, em duas noites, filmar tudo, sem margem para erros, afinal, ninguém estava sendo pago(na verdade eles até gastaram dinheiro pra atuar). E lá fui eu, com minha melhor cara de cineasta, dirigir um grupo de corajosos amigos no meu primeiro curta-metragem como autor-diretor.

Erramos takes, perdemos cenas, queimamos dedos na lâmpada de iluminação, tropeçamos uns nos outros, o bucho de boi que seria usado como efeito especial em uma cena de assassinato desapareceu, gastamos cinco litros de katchup em só take, minha ex-namorada quase terminou comigo porque achou que aquilo tudo era só pretexto pra dar em cima de uma das atrizes (mas não era, juro…) e tivemos que rodar uma cena cerca de dez vezes, com cortes absurdamente rápidos, porque um amigo meu simplesmente não conseguia guardar mais de duas palavras de cada vez e não conseguia terminar a cena final. Isso sem contar que não achamos uma floresta e tivemos que filmar na garagem do meu prédio, tendo que parar sempre que algum carro entrava ou algum vizinho dava a descarga com mais força.

Mas mesmo assim, com tudo isso, conseguimos terminar as filmagens e eu pude editar o filme, o que, fazendo sozinho e usando programas de mínima tecnologia, demorou um belo de um tempo. Mas vendo o resultado pronto e lembrando da diversão do processo, ainda que eu realmente duvide que o filme tenha a chance de ganhar algum Oscar em 2010, eu  só posso é dizer que espero ter várias outras noites como aquelas.

Obrigado a todos pela ajuda, desculpa pela demora e saibam que nada disso teria acontecido sem vocês.

“Sexo Mata” é um curta metragem de terror/comédia/camping/musical, ou algo assim. Foi recusado em todos os festivais em que foi inscrito e está disponível online aqui.

(Obs: Agora ou eu me recupero do fail dos palitinhos ou o link não aparece e eu destruo a minha reputação de vez…)

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Movie Review #2

John Rambo (Rambo IV)

Cotação 6/8

Sim, temos mais um filme do Rambo. E para definir esse filme precisamos de apenas duas frases “O Ministério do Turismo de Myanmar não recomenda” e “Se sujar faz bem”.

Você não soube Myanmar

Mas vamos começar do começo. Como em todos os filmes da série, lá está nosso amigo John Rambo levando sua vida tranqüila, caçando cobras e dirigindo um barco velho por rios asiáticos repletos de piratas assassinos, num daqueles momentos de chill out que apenas Rambo sabe ter. Aí, é claro, surge alguém para estragar toda essa felicidade e alegria. Dessa vez são alguns malditos missionários cristãos americanos que, por viverem em um país onde não existe fome, preconceito ou sofrimento, decidem ir até Myanmar numa missão humanitária. Ou seja, gente sem mais o que fazer. Eles pedem a Rambo que os leve em seu possante barco velho até o pais em guerra para que possam ajudar a sofrida população oprimida de lá, mas Rambo se nega. Até que uma missionária loira, com a roupa colada no corpo por causa da chuva, pede exatamente a mesma coisa. E Rambo diz que tudo bem. Ah, então tá bom.

Nessa hora você deve estar se perguntando “mas por que raios Myanmar?!”. Bem, todo mundo sabe que os filmes do Rambo funcionam porque ele é colocado contra o mal absoluto, contra aqueles vilões que são tão ruins, mas tão ruins, que você consegue aceitar qualquer tipo de medida que o simpático John tome contra eles, desde estripar até degolar com uma espátula de patê. E bem, o exército de Myanmar, pelo menos segundo o filme, é um exemplo de maldade. Além de perseguir de forma sanguinária minorias étnicas pelo país todo, eles também matam crianças (todas), estupram mulheres (várias vezes por dia) e abusam de adolescentes (de ambos os sexos), além de ter como hobby forçar as pessoas a andar sobre minas terrestres. Ou seja, só gente legal, daqueles que você queria ter no seu prédio. E bem, você deve ter reparado que eu chamo o país de Myanmar, mas no filme todo mundo chama de Burma…Bem, isso é mais um exemplo de maldade: o governo de lá é tão ruim que mudou o nome do país assim, do nada, sem consultar a população! Ou seja, os caras são tão sem coração que mudam o nome do país e de várias cidades sem nem avisar! É como se você acordasse e descobrisse que agora mora na Zuzubalândia e não no Brasil…

Se sujar faz bem!

E onde tem problemas, temos Rambo! Liderando uma equipe de mercenários (também desocupados…) ele se embrenha pela selva para resgatar os missionários que, é claro, foram capturados pelo sacana exército burmanês. E aí a farra começa. Cabeças voando, joelhos explodindo, sangue jorrando como em um bom filme de guerra sem noção, e Rambo praticamente dizimando o exército de todo um país para salvar uma meia dúzia de desocupados. Stallone prova que definitivamente não está velho demais para o rock’n roll, com belas cenas bizarras de tiros estourando crânios, perfurando barrigas e claro, a cena clássica da metralhadora com munição infinita (terá ele usado algum macete de Duke Nuken? Cheater!) e um resgate final que traria um sorriso ao rosto de George W. Bush. Destaque para a cena da festa dos soldados, em que eles, bêbados, espancam e estupram varias garotas até que um deles (desocupado também, claro) tira uma bomba de fumaça vermelha do bolso e faz com que todos tenham que sair do local, porque não dá pra ver nada. Além de maus, são burros! Enquanto isso, o líder do pelotão deixa intocada a prisioneira loira e se tranca no quarto com um menino vietnamita…Ê pessoal ruim!

No geral, mantém o alto nível da franquia, com muito sangue, pouca lógica e nenhum respeito pelas convenções da ONU. Assista se você gosta de sangue e atores de boca torta.

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Movie Review #1

Big Nothing/Numb

Cotação 5/8

Eu gostaria de assumir abertamente, antes da resenha “combo” dos filmes “Numb” e “Big Nothing”, que sempre fui um fã declarado de “Friends” e especificamente admirador do trabalho do Matthew Perry. Na verdade, eu comecei a gostar mais dele depois de “Studio 60”, mas em “Friends” ele era bem legal. E nem falo isso pela minha identificação com o Chandler, mas sim porque eu realmente acho o cara um bom ator (dentro das limitações dele). Mas bem, vamos as razões pelas quais eu resolvi resenhar os dois filmes no mesmo texto: além da semelhança temática que em breve vai ficar clara pra vocês, existe o fato dos dois serem protagonizados por ex-Friends (Matthew Perry em Numb e David Schwimmer em Big Nothing), além de tratarem de pessoas com distúrbios mentais de algum tipo.

Em “Big Nothing” Schwimmer é um escritor frustrado que se vê obrigado a trabalhar numa empresa de telemarketing para sustentar a família (caaaara, isso me lembra alguém…) e lá conhece um outro atendente, vivido pelo sempre campeão Simon Pegg (de “Shaun of the Dead”). O personagem de Schwimmer é rapidamente demitido e então convencido pelo novo amigo a entrar em um golpe envolvendo chantagear pessoas da cidade usando os dados obtidos no sistema da sua ex-empresa, com a ajuda de uma ex-miss e ex-namorada do colega de golpe. Tudo daria muito certo não fosse: a)o personagem de Schwimmer ser casado com a xerife da cidade; b)nenhum dos parceiros dele ser o que parece; c)ele não ter a mínima aptidão para o crime.

A história se desenvolve com algumas reviravoltas bem pensadas, como o problema de memória do protagonista que o faz repetir estatísticas e dados numéricos para tentar manter um controle da memória e o agente do FBI que chega à cidade para ajudar nas buscas. Um filme barato, sem grandes refinamentos técnicos e com atuações honestas dos atores principais, mas que conta uma história interessante e consegue deslanchar uma trama “criminosa” envolvendo pessoas comuns sem soar idiota.

Já “Numb” tira o distúrbio psicológico do protagonista da área periférica da trama para jogá-lo no centro da história. Matthew Perry é Hudson Milbank, um roteirista que após fumar mais maconha do que deveria acaba sofrendo de um distúrbio de “despersonalização”, ou seja, tendo dificuldades não só para perceber a realidade como também para se vincular com ela. O filme mostra basicamente o seu esforço para voltar a perceber o mundo real da forma correta e tentar novamente se vincular com ele. Entre drogas, terapias, problemas familiares e relacionamentos não-profissionais com psiquiatras, o filme transita entre a comédia, o romance (Lynn Collins é, pelo menos pra mim, uma revelação como mocinha cabeçuda de comédia romântica) e o drama.

Ainda que em alguns momentos acabe se tornando meio piegas, como nos momentos familiares de Hudson (naquela velha tática de culpar a família por qualquer problema que qualquer pessoa tenha), o roteiro é muito bem escrito e os coadjuvantes dão o apoio necessário para uma atuação segura de Perry, que consegue carregar bem o peso do papel principal. Um bom filme, mas que definitivamente José Wilker não iria achar uma gracinha.

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