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Três observações sobre meu retorno ao mundo das academias

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# como amigos, namorada e familiares sabem, eu, apesar de ter uma certa habilidade com noções abstratas e discussões conceituais, apresento uma imensa dificuldade para seguir instruções simples ou mesmo me movimentar em espaços físicos menos abertos – “joão, busca o creme na gaveta de cima do armário? não, joão, de cima. do armário, joão. não, o armário do quarto. não, não, armário, você não sabe o que é um armário? o quarto, joão, o quarto. por que…mas…por que você tá me trazendo um sapato da cozinha, e acionou o alarme da garagem, joão?”- e isso claramente vem à tona sempre que eu entro no ambiente da academia, que não apenas possui um volume grande de informações visuais como também algumas músicas contagiantes do gênero dance noventista que reduzem mais ainda minha concentração. somando a isso o fato da academia ser toda espelhada, os aparelhos estarem dispostos de forma irregular e serem completamente ajustáveis, e você tem o ambiente perfeito para que eu bata em paredes, tropece em pessoas, me flagele com barras de ferro ou mesmo fique com o braço preso numa corda metálica e volte pra casa todo coberto de graxa. diante disso não é exatamente uma surpresa que, sempre que eu chego na academia, os professores me olhem com a perplexidade de quem vê um cãozinho voltando com a bola na boca depois deles terem lançado a bola do topo de um penhasco.

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Gym class heroes

E eu voltei a malhar. Sim, foi uma decisão difícil e que sim, só aconteceu porque eu cheguei ao extremo do descaso com a minha forma física. Não que eu seja exatamente um cara vaidoso ou daqueles que cultuam o corpo, já que na verdade eu me preocupo com a minha aparência mais ou menos tanto quanto o pessoal da Atlântida se preocupava com vazamentos na caixa d’água, mas chega num ponto em que você precisa decidir se vai ser um cara que consegue apoiar um prato de comida na barriga ou não e eu acabei decidindo pela segunda opção. Mas aí vem um problema clássico da malhação: ir numa academia.

Não vou citar coisas como as dores no corpo, os exercícios que te fazem se sentir um idiota (“isso, agora você levanta essa perna, gira o pescoço, pula de lado e começa a recitar a música tema de Dragon Ball. Como? Não, não, isso não vai melhorar o seu físico, é só pra alegrar meu dia mesmo”) ou mesmo a minha vergonhosa avaliação física (ninguém nunca tinha dito coisas tão ruins sobre mim antes de ao menos uns seis meses de namoro, eu acho), porque acho que esses não são de culpa exclusiva do ambiente (mesmo se eu fizesse como o Rocky e malhasse arrastando alguém numa planície russa eu ainda teria que aguentar o Paulie dizendo que eu estou fora de forma), a questão é que o próprio espaço físico da academia colabora bastante para tornar toda a experiência mais dolorosa e cansativa.

Primeiro por conta das pessoas que freqüentam a academia, um tanto quando diferentes das pessoas com quem eu costumo conviver. Nada contra as mulheres usando roupas coladas (coool) ou as senhoras muito idosas que tem uma carga de supino maior do que a minha, mas admito que é evidentemente complicado pra mim conviver com os caras bombados que me olham como se eu fosse um coelho em um DVD sobre grandes escapadas feito pelo Animal Planet. E isso não apenas pela clara situação de inferioridade física em que me encontro, mas também pelos momentos visualmente desagradáveis que a convivência com certos caras obcecados por musculação pode te proporcionar, como ver um homem beijando o próprio bíceps. Sério, eu já vi isso. E é tão bizarro quanto parece.

Outro problema é a minha natural dificuldade com os aparelhos de musculação, só comparável com aquela que existe entre John Connor e as máquinas em geral: pesos se soltam sozinhos, anilhas me atacam, o Leg-press ganha vida e tenta me derrubar no chão, cabos se soltam e até mesmo a esteirinha de abdominal parece estar possuída por algum ente maligno. É como se diante da minha simples presença todo o espaço físico da academia notasse um elemento estranho e votasse, em unanimidade, pelo meu imediato extermínio, sem direito a ressarcimento do dinheiro da matrícula para a minha família, claro.

E aí vem, é claro, a música. Nada é pior numa academia do que a música. Se você tem azar o seu aparelho fica logo ao lado da sala das aulas de dança e você pode ouvir coisas gloriosas como um calypso, um forró, um zouk (seja um zouk o que for), e se você tem mais azar ainda vai ficar lá no meio da academia, onde toca essa mágica combinação de música dance ruim atual e música dance ruim antiga chamada “música de academia” cuja função parece ser a de te apressar pra terminar sua série logo e se afastar daquele som torturante ou mesmo fazer com que você perca peso porque a gordura vai querer fugir do seu corpo pra nunca mais ter que ouvir Lady Gaga.

Em suma, voltei a malhar e malhar é ruim, cansativo, chato e levemente degradante em vários momentos, mas é uma coisa que eu realmente preciso fazer se não quiser, num futuro próximo, virar um cara com problemas de joelho, de saúde e em quem todas as camisas ficam apertadas. Espero que quando eu escrever um post dizendo que parei de malhar por preguiça vocês joguem isso na minha cara e riam de mim apontando e me chamando de gordinho.

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