Arquivo da tag: franjinhas estranhas

Top 5 – Canções mais bonitas de Alexandre Pires

Mineirinho: Alexandre Pires, como todo grande artista, sempre gostou de desde o começo da carreira, flertar com o complexo, o criativo, o paradoxal. E quer coisa mais paradoxal do que um mineiro fazendo uma música pra falar pra todo mundo que o mineiro é de fazer e não de falar? Com essa canção que é a versão musical de começar a gritar dentro de uma biblioteca para pedir silêncio, o Só Pra Contrariar não só fez self-marketing (e espero que todos eles tenham conseguido pegar alguém graças a isso) como alcançaram as paradas de sucesso e lançaram Alexandre como um sex symbol para o novo milênio.

Interfone: É até um pouco complicado pra mim falar dessa música pelo tanto que ela me emociona. Afinal, eu imagino Alexandre Pires sentado em casa, sozinho, solitário. Ele viu o Jô, ele viu o Intercine (no qual ele tinha votado em “Simples como amar” mas acabou tendo que ver “Fuga de Absolon”) e depois, no auge da derrota, ele viu o Amaury Junior. Aí ele ficou chateado, até eu ficaria. Então ele saiu, entrou no carro e foi, a duzentos por hora, até a frente do prédio da amada. Chegando lá ele foi barrado pelo porteiro que, recém-contratado e nada afeito as revistas de fofoca, ainda acha que Alexandre namora com uma das Scheilas e não entende o que a voz máxima do pagode mineiro está fazendo ali. E então, num gesto de supremo amor e desespero, Alexandre pega o celular, abre seu coração e manda, de lá de dentro, do seu âmago mais recôndito um “mas o porteiro é novo, ele não me conhece, tá cheio de suspeitas, tá desconfiaaaaaaaaado”. Cara, eu estou chorando aqui. É foda.

A barata : Nunca é demais dizer que Alexandre Pires é acima de tudo um pioneiro. Muito antes da Wired, muito antes do Steve Jobs, muito antes dos caras do Google, do Facebook, do Twitter, o ex-vocalista do SPC já trabalhava na música interativa, no pagode 2.0, no partido-alto colaborativo, no samba wiki. Sim, ou o que mais você pode dizer de um samba em que Alexandre lança as bases rítmicas e você mesmo pode continuar a letra de acordo com sua vontade, oferecendo uma colaboração pessoal e inovadora como letrista? Afinal, a barata era da vizinha do Alexandre, mas quem decidia o que fazer com ela era você! Pistolada, sapatada, cabeçada, desintegrada, o poder era todo seu, meu amigo.


Essa tal liberdade:
Nessa música Alexandre propõe uma das grandes questões da humanidade, tão complexa quanto o paradoxo do gato de Schrödinger, o “ser ou não ser?” de Hamlet ou o “should i stay or should i go?” do The Clash. Afinal, o que que eu vou fazer com essa tal liberdade se estou na solidão pensando em você? Eu andei errado, eu pisei na bola, troquei quem mais amava por uma ilusão, mas a gente aprende, a vida é uma escola. Não é assim que acaba uma grande paixão. E ainda virou música-tema de propaganda da Malwee, lembra? Gênio, gênio.

Depois do Prazer: Primeira coisa a ser dita sobre “Depois do prazer” é que apenas um campeão, um gênio, um macho-alfa, um predador emocional, é capaz de começar uma declaração de amor com as palavras “tô fazendo amor com outra pessoa” e ainda se dar bem. Mas para Alexandre Pires, um conquistador que ganha pela confusão e dissuasão da mulher amada, isso é pouco, claro. Depois dessa ele ainda manda um verso de extrema complexidade como “a verdade é que eu minto” e a mulher, que não sabia se ele estava indo ou vindo, começa a se questionar que raios está acontecendo ali. E aí, pra fechar, ele manda o “posso até gostar de alguém, mas é você que eu amo”, o que faz com que a mulher perceba que as emoções de Xandeco são tão complexas que Stephen Hakwings era o amigão com quem ele desabafava durante os namoricos de colégio e que resistir é inútil, tem mais é que voltar com o cara antes que ele diga qualquer outra coisa desse tipo e ninguém entenda mais nada. (E claro, não podemos deixar de lembrar mais duas frases épicas dessa canção: “o que o corpo faz a alma perdoa”, um belo verso sobre traição e “emoção foi embora e a gente só pede pro tempo correr” que é evidentemente sobre a incapacidade de Alexandre de achar algo para fazer durante as 7 horas e meia que sobraram na suíte do motel após pegar aquela promoção de pernoite)

9 Comentários

Arquivado em Músicas e derivados, Sem Categoria, Top