Arquivo da tag: Futebol

Da namorada enquanto entidade essencial para um dimensionamento correto dos eventos relacionados ao futebol

#1

“Mas esse time é foda, putaquepariu…”

“O que houve?”

“Empatamos com o Sport, tá vendo? Sport nem é time de série a, é foda acreditar numa merda dessas. Bando de filhos da puta. Como me conseguem empatar um jogo bosta desses”

“Puxa, que pena…era final do que?”

Continuar lendo

15 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, Futebol, homens trabalhando, situações limite

5 frases padrão pra você que não sabe nada de futebol usar em qualquer discussão sobre o assunto

“O técnico tem que aproveitar melhor a base” – Mais ou menos como “o ano que vem”, “o próximo final de semana” e “aquela garota que você mal conhece”, as categorias de base de um time são o receptáculo máximo da esperança e do sebastianismo de qualquer torcida, mesmo que nunca vençam nenhuma competição, tenham atletas que aos 12 anos já tem seus passes divididos entre 14 empresários ou apenas promovam jogadores que aos 17 já adquiriram a mesma velocidade, ímpeto para jogar bola e felicidade com a vida que o Petkovic gastou 40 anos – incluindo 10 anos de guerra na antiga Iugoslávia – para conseguir. Ou seja, diante de qualquer discussão sobre futebol, seja no time, continente ou âmbito que for, a observação de que os jovens da base merecem mais oportunidades sempre vai ser recebida com um aceno encorajador e aquele comentário otimista de que “certeza que esse tal de Toró vai ser o novo Rivellino, tô te falando”.  Continuar lendo

11 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, Futebol, homens trabalhando, referências, teorias

A fantastic fear of everything

Eu nunca fui um cara corajoso. Nunca. Sabe aquelas histórias de crianças que fazem as coisas mais absurdas, se penduram nos lugares mais altos, brincam com as facas mais afiadas, pegam qualquer coisa em qualquer lugar e colocam na boca? Eu nunca fui assim. Eu era a criança que ficava sentadinha direito na cadeira, eu era o garotinho que tinha receio do porta-talheres, eu era o bebê que não apenas não pegava coisas do chão como possivelmente partiu direto do “gugu”, “dada” e mamãe” para “isso se encontra devidamente higienizado, minha boa senhora? não me venha com rodeios”.

Continuar lendo

8 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, crise de meia meia idade, Futebol, Rio, teorias, Vida Pessoal

Delírios de jogar futebol

Acho que foi o filósofo Kevin Arnold quem disse que crescer é um pouco desistir de um monte de coisas que a gente poderia ser. No caminho pra maturidade nós deixamos de lado os sonhos sem sentido da primeira infância (“mãe, quer ser garçom”, “mãe, quero ser caminhoneiro”, “mãe, quero ganhar a vida comendo queijo”), as ambições desorientadas da adolescência (“não sei, cara, tô em dúvida entre astronomia, biologia, direito e o crime organizado, tá complicado me decidir”) e até mesmo os projetos bem-intencionados mas inviáveis do começo da vida adulta (“eu sinto que dá pra viver do que eu escrevo, sério, amor”), tudo isso até chegar naquele momento em que nós alinhamos, ao menos de uma forma rudimentar, o que nós queremos e o que nós podemos ser.

Continuar lendo

22 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, crise de meia meia idade, Futebol, Vida Pessoal

É estranho sentir saudades de um Ronaldinho que eu nunca vi ou evitava ver?

E agora ao que parece uma das ondas mais bacanas do futebol brasileiro é reclamar do Ronaldinho Gaúcho. Jornalistas questionam os excessos de sua vida noturna, ex-jogadores discutem sua apatia em campo, comentaristas elucubram sobre seu posicionamento tático, Neto diz que ele não teria vaga nem na reserva do Guarani e, o mais perceptível, a grande massa dos torcedores reclama que ele não é mais aquele Ronaldinho que ele era no Barcelona. Sim, Ronaldinho já não cabe mais nas roupas que cabia, já não enche mais a casa de alegria, os anos se passaram enquanto ele dormia e o futebol dele agora é tão deprimente quanto uma música do Nando Reis.

Continuar lendo

18 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, Futebol, Rio

Formas simples de tornar emocionante um dia que de outra maneira seria um tédio #14

Vá ao futebol de sempre com um amigo e na volta para casa, ao invés de descer no ponto de ônibus em que você sempre desce, resolva ouvir o palpite dele sobre a existência de um outro ponto, logo depois, que seria bem mais próximo da sua casa. Note que, assim que o ônibus passa pelo seu ponto de costume ele começa a se distanciar perigosamente da sua casa, deixando sua rua vários quarteirões pra trás, até finalmente chegar no ponto sugerido pelo seu amigo, cuja definição de proximidade em relação ao seu prédio seria o que em Minas chamamos de “logo ali” e no resto do planeta as pessoas chamam de “longe pra cacete”.

Logo ao descer do ônibus note que seu amigo dobrou uma esquina e sumiu na rua seguinte e que você está total, completa e irremediavelmente perdido, mas nem tanto por estar numa parte desconhecida do bairro, mas sim por estar sem lentes de contato e sem óculos, o que torna sua miopia algo profundamente significativo na sua vida.

Rode durante 15 minutos pelo seu bairro pensando em como uma dessas cirurgias corretivas à laser poderiam te fazer mais feliz. Ainda mais se fosse feita no seu amigo, que não tem miopia, na região da virilha.

Ache sua rua e volte para casa.

8 Comentários

Arquivado em Futebol, Mundo (Su)Real, Sem Categoria

Top 4 – Razões pelas quais a FIFA nunca irá abolir o impedimento

O impedimento separa os fãs de futebol dos n00bs: O futebol não é exatamente o esporte mais complicado do mundo pra se entender. 11 pra cada lado, uma bola, tem que botar ela dentro dos postes brancões, tem a galerinha que usa o pé e os dois malucos que podem usar as mãos. Básico e simples, nada que você precise daquele diploma de física quântica pra pegar de primeira. Exceto, é claro, a regra do impedimento. A regra do impedimento, o lance de não poder estar à frente do último defensor (e do goleiro) é uma das poucas coisas vagamente complexas no futebol (ainda que nem tanto) e que servem pra basicamente separar os meninos dos homens em termos de esporte bretão, da mesma forma que a cronologia separa o joio do trigo nos quadrinhos (“peraí…existe mais de um Flash? como assim?”) e o ovo rosa define quem realmente gosta de boteco ou não (“ai, que nojo, não vou comer isso não!”). Tirando isso das regras você coloca os torcedores experientes e treinados na mesma vala comum da sua mãe que acha que o Ronaldo deveria ir pra Copa (seja qual for o ano) e do seu primo pequeno que acha que o Zé Love é craque.

Continuar lendo

16 Comentários

Arquivado em Futebol, teorias