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Os 378 hábitos das pessoas extremamente irritantes – #19: Indiretas em voz alta

Aconteceu duas vezes só essa semana. Na primeira eu estava sentado num bar, com uns amigos, vendo o jogo do Botafogo e descobri que, por alguma razão neurológica que eu possivelmente nunca vou conseguir explicar, eu acho Seedorf uma palavra muito bacana pra se gritar.  “Seeeeedorf”. Ele pegava na bola eu gritava “Seeeedorf”, ele chutava e eu gritava “Seeedoorf”, ele era substituído e eu gritava “Seeeedorf”, o Elkeson errava um chute eu gritava “Seeedorf…não teria perdido esse, mas o Elkeson na frente é foda, o que fazer?”. E após um certo tempo de “Seeeedorf” e da minha empolgação com o nome “Seeeedorf” ser anabolizada pela ingestão de cerveja, comecei a notar uma senhora na mesa ao lado dizendo, num volume tão alto quanto os meus “Seeeeedorf”, que “algumas pessoas não se tocavam”, “tem gente que adora ser inconveniente”, “as pessoas precisam aprender a ver futebol sem gritar”, tudo isso sem em nenhum instante se dirigir a mim, mas sempre usando um tom de voz muito mais alto do que o necessário para se comunicar com seu interlocutor no banco ao lado.

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5 estilos de dança das pessoas que não sabem dançar

david bowie
O pulo
– Possivelmente uma das reações mais comuns entre as pessoas que não sabem dançar quando expostas a alguma situação de dança obrigatória, o pulo consiste na maneira mais fácil de executar algum tipo de movimento, ainda que não-ritmíco, de forma a tentar se misturar a um ambiente no qual todos se encontram, de uma maneira ou de outra, dançando. Utilizado com variados graus de êxito dependendo do local e da música de fundo – show aberto envolvendo rock/alto sucesso, cerimônia de casamento na hora da valsa/baixo sucesso, canções específicas durante shows de Sandy e Junior ou Van Halen/êxito total – o pulo, em suas diversas variações, é uma das formas mais primitivas de mostrar que você está animado ou pressionado demais para ficar parado mas ainda não bebeu o bastante para tentar ensaiar passinhos ou fingir que está manipulando uma bola imaginária de energia [ver: “passinhos de rave”]

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Dois pequenos interlúdios profissionais

 

#1

Escritório lotado, começo da tarde. Por alguma razão todos usam seus telefones de trabalho no viva-voz, como se estivessem jogando aqueles simuladores de direção com volantinhos enquanto falam ao telefone, o que seria muito legal mas não é verdade. Ao meu lado uma colega começa a discar e logo em seguida tenho acesso ao seguinte diálogo.

“Boa tarde, eu queria marcar uma aula com o professor Kumon”

“Como assim professor Kumon, senhora?” Continuar lendo

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Breves conceitos para uma análise das sub-amizades

A amizade de ocasião: nascida quase sempre de forma fortuita e majoritariamente derivada da exposição de pessoas a um ambiente hostil e desconhecido, a amizade de ocasião é o melhor exemplo de relacionamento instrumental, no qual duas pessoas desenvolvem um vínculo – tênue ou não – apenas pelo período necessário para que superem uma situação específica ou supram uma necessidade pontual, sem que exista necessariamente o planejamento ou intenção de que essa relação seja mantida fora daquele contexto ou após aquele período. Como exemplos de amizade de ocasião podemos mencionar aquela sua extrema simpatia pelo seu vizinho que comprou um videogame novo antes de você, aquela sua profunda ligação com a colega nova do trabalho até notar que ela não tinha amigas gostosas e todas as noites em que você, bêbado, aluga o garçom falando sobre como sente falta da Luana e terminar com ela foi o pior erro da sua vida. Continuar lendo

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