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Sobre simpatia, antipatia, trabalho e todas essas pessoas que não gostam de você

Poucas coisas são mais complicadas para um ser humano do que processar o conceito de que outras pessoas realmente não gostam dele. Talvez seja por conta da sociedade narcisista em que vivemos, que tende a valorizar tanto o “eu” que torna praticamente absurdo que alguém não simpatize com uma pessoa tão sensacional quanto você (seja “você” quem for). Talvez seja culpa da educação que recebemos e da incapacidade dos nossos pais de, durante nosso processo de formação, apenas nos “mandar a real”, fazendo com que perguntas como “por que as outras crianças não gostam de mim?”, “por que as meninas não querem sair comigo?” ou “por que não tenho amigos no curso de inglês?” recebam respostas vagas como “porque elas ainda não te conhecem bem”, “por que elas são umas bobas” e “você só precisa ter paciência”, ao invés de respostas claras como “porque você é esquisito”, “porque você é feio” ou “porque você é esquisito, feio e faz perguntas demais”. Mas no final a verdade é que, criados e ambientados numa lógica pessoal que nos faz amar a nós mesmos e ser tolerantes com os nossos defeitos – afinal, nós somos nós – é sempre um desafio compreender como alguém pode apenas não gostar de pessoas tão legais, divertidas, engraçadonas e sensacionais como nós. E bonitas também. Esqueci de mencionar bonitas.

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Arquivado em é como as coisas são, homens trabalhando, teorias, trabalho, Vacilo, vida profissional

Plano de Comunicação 2010 – Tentativa rejeitada #878

Tema: A nossa gerência é… [substitua aqui o “nossa gerência” pelo nome da sua gerência]

Ações previstas:

Nossa gerência é…amor: Será feita uma relação de todas as pessoas solteiras,separadas,desquitadas e/ou solitárias da gerência e isso será incluído em um banco de dados visando a busca de parceiros dentro da própria unidade através de encontros proporcionados pelo setor de comunicação e orientados por uma junta de gerentes. Esse programa visa não só elevar a moral dos funcionários, que não mais se sentirão abandonados ou rejeitados como também aumentar a produtividade da unidade, já que funcionários casados tendem a passar menos tempo em casa e buscar no trabalho um refúgio, o que aumentaria as horas extras e a dedicação ao trabalho, como válvula de escape. Outra vantagem da campanha seria a de tornar mais excitante o clima do ambiente de trabalho, com constantes discussões, bate-bocas, crises de ciúme e demonstrações públicas de hostilidade.

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Arquivado em trabalho, vida profissional

A culpa é sua

Desde a aurora dos tempos uma das grandes preocupações da humanidade tem a ver com os conceitos de culpa e responsabilidade. Criamos ideais, cultivamos pensamentos, geramos teorias e daí surgem as nossas neuroses, nossos medos, nossas preocupações. E assim criamos conceitos como religião, destino, acaso, sorte e azar, tudo isso para nos livrar da responsabilidade e fugir do conceito de culpa.

Eu não sou muito religioso, quer dizer, na verdade eu costumo ser bem pouco religioso, e acho que isso se deve um bocado a isso, a essa necessidade que eu vejo em várias religiões de ao mesmo tempo fugir da responsabilidade e dar e tirar culpa. Eu digo isso porque ultimamente tenho visto pessoas dizendo que enchentes, tsunamis, incêndios e outros desastres são responsabilidade de Deus e seriam culpa nossa, por várias razões que vão desde não estarmos seguindo a religião certa, até estarmos perdendo a missa de domingo ou deixando que as crianças usem as pulseirinhas do sexo na escola. Em resumo tudo seria um castigo por atitudes erradas e falta de fé e um sinal de que o fim dos tempos se aproxima, sendo portanto um bom momento para aquela conversão de emergência que você deixou pra última hora, já que depois seria só fogo, enxofre e aqueles carinhas com tridentes e espetinhos.

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Arquivado em Declaração de princípios, Mundo (Su)Real