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Não manda essa, Globo…

Desde que eu me sei por gente a Globo é absoluta em termos de televisão aberta. Futebol é na Globo, novela é na Globo, jornalismo é na Globo (e filminho de sacanagem softcore é na Band, mas isso não faz lá muita diferença no ibope, acho), tudo é na Globo. Mas como diz um CD do Fatboy Slim, se eu sou o número 1 pra que me esforçar mais? E a gente nota que com o tempo a Globo não só parou de se esforçar como começou a partir pra mais descarada e insensata sacanagem.

Começou de leve, com algumas pequenas pistas. Primeiro os remakes de novela, o auge da falta de criatividade, já que, se mesmo as novelas novas têm exatamente as mesmas tramas, as novelas refilmadas atingem um novo ponto de referência em termos de total descaso em relação ao coitado que senta na sala pra assistir isso. Depois disso começou um certo descaso em termos de programação, seguindo a tendência mundial de produção de material nas coxas: os reality shows, que desempregariam milhões de roteiristas pelo mundo se as pessoas não precisassem de um roteiro pronto para serem elas mesmas. Aí ela começou a parar de se preocupar também com os esportes e outros canais abertos passaram a fazer transmissões com a mesma qualidade que a Globo sempre se gabou de fazer. Mas foi só nesse domingo que eu notei que a Vênus Platinada realmente chutou de vez o balde do bom-senso e entrou de cabeça no ramo das organizações que evidentemente estão de sacanagem com a gente, como o Detran, a OAB e o pessoal do Giraffas que uma vez demorou 35 minutos (contados) para me preparar um cheeseburger e me servir uma coca. Que veio morna.

Foi uma revelação em duas partes. Primeiro estou eu assistindo Flamengo e Botafogo, domingo, tranquilão na minha casa, quando o narrador e fanfarrão Luis Roberto informa que tem uma surpresa nessa transmissão. Eu, inocente e otimista, achei que seria um novo comentarista, um novo ângulo de câmera, alguma coisa desse tipo…Mas a surpresa era, e vou escrever em caixa alta para que todos possam ler sem problemas, a surpresa era que IRÍAMOS SABER A FREQUENCIA CARDÍACA DOS MASSAGISTAS DE AMBOS OS TIMES. Sim, dos MASSAGISTAS. Não dos técnicos, não dos médicos, não dos jogadores, não dos presidentes, e sim dos MASSAGISTAS! Sim, nós iríamos saber o quão acelerados estavam os corações dos homens responsáveis por afofar os jogadores que estariam em campo. A isso, em termos de jornalismo, só existe um nome que possa ser dado: sacanagem. Ou seja, a equipe de transmissão evidentemente está muito, mas muito de sacanagem para propor uma coisa dessas e nos considera um bando de manés para achar isso interessante. Mas, é claro, como diz o pessoal do Polishop, outro canal que trabalha na sacanagem, não é só isso!

Estou eu ainda me recuperando do choque de saber que a freqüência cardíaca do massagista do Botafogo quando eu ouço a chamada de uma das matérias do Fantástico do mesmo dia: “Priscila, ex-BBB vai as ruas para saber o que os homens acham das mulheres de perna grossa”. Sim, amigos, o Fantástico, que antes tentava (sem muito êxito) ser um programa jornalístico, também, assim como um kicker do Giants numa final de Super-Bowl, isolou o balde da dignidade a uma distância de 30 jardas e ainda fez a dancinha da comemoração em cima da linha de fundo. Ou seja, a sacanagem também domina as reuniões de pauta do programa, onde provavelmente todos chegam bêbados e discutem, pelados, se o assunto vai ser o tamanho das coxas de uma ex-bbb ou as mudanças nas regras da poupança, com o tema das coxas ganhando por 16 bunda-lelês a zero.

Mas isso desperta uma pergunta: qual será o próximo passo? Alexandre Garcia fará seus comentários de sunga e regatinha? William Bonner passará a se despedir dos telespectadores toda noite com um “é nóis mano, vida loca!” ? Arnaldo Jabor se tornará o responsável pelo jornalismo e todo programa será apresentado por um homem e um travesti? Será feito o sétimo remake de “Irmãos Coragem”, só que dessa vez com o Kléber Bambam no papel do diamante que é estilhaçado no final? Só o tempo poderá dizer. Mas é óbvio que certa estava o Sr. Sílvio Santos que, já anos atrás, notou que televisão aberta no Brasil não é um negócio sério. Estão aí as reprises de “Ó, coitado!” que não me deixam mentir.

*Atualização: corrigi o nome do Luis Roberto/Luis Ricardo/Paulo Ricardo/Paulo Roberto devido ao fato de que eu realmente me confundi por conta dos Duck Tales. Desculpem…

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