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Sobre o terror primitivo do falo conceitual voador

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Ainda que poucas pessoas costumem notar, de todos os xingamentos e praguejares existentes na língua portuguesa – uma língua rica em possibilidades de ofensas, que vão desde menções a genitais peludos como forma de extravasar raiva até informações sobre as opções vocacionais da mãe do outro como meio de ofensa – um dos mais graves, aterrorizantes e sinistros é o interiorano, comum e primariamente inocente “caralho de asa”.

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3 grandes falhas discursivas que acontecem quando sou obrigado a interagir com pessoas desconhecidas ou com quem tenho pouca intimidade em ambientes ou momentos de extrema pressão pessoal ou profissional

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A gíria bizarra – Sendo eu uma pessoa que só poderia ser considerada articulada pelos mesmos critérios que bonecos são considerados articulados – meus joelhos e cotovelos dobram – todo nível de interação pessoal que não seja previamente planejada e ensaiada com no mínimo 120 minutos de antecedência na minha cabeça ou mediada virtualmente e realizada por escrito tende a se tornar uma experiência não apenas complexa como também frustrante. Daí que uma coisa que para a maioria das pessoas seria uma surpresa positiva – reencontrar um velho conhecido no shopping, por exemplo – para mim rapidamente se torna uma experiência de terror abjeto já que, desorientado e confuso, considero que uma boa forma de disfarçar o meu pânico seja com o uso de gírias, para oferecer um ar de descontração ao momento. Daí respondo sobre como eu estou com um “sussinha”, descrevo meu trabalho como “tranquilo como um grilo e manso feito um ganso” e me despeço com um “vai na paz, queridão”. Certa vez respondi a uma pergunta numa reunião com “beeeeleeeeuza, creuza”. Sim, um encontro casual e me transformo num figurante estranho num filme do Zé Wilker.

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