Arquivo da tag: how i met your mother

Precisamos falar sobre Ted

How_i_met_everyone_else_-_wanna_tap_it

Em primeiro lugar temos que lembrar que How I Met Your Mother é uma comédia romântica e comédias românticas, assim como tudo que envolve o romance, são fortemente baseadas num processo de idealização. Assim como a religião consiste em ordenar numa narrativa idealizada e coerente eventos que poderiam tranquilamente ser analisados de forma aleatória e desconexa (macacos, pessoas, vida pós-morte, barulhos estranhos na cozinha, histórias da sua avó sobre um cara cabeludo que andava na água) o romance também trabalha reorganizando de forma narrativa e mais socialmente aceitável eventos que poderiam ser calcados em diretrizes puramente biológicas ou randômicas (atração física, disponibilidade momentânea, consumo excessivo de álcool, tara patológica por pintinhas). Continuar lendo

12 Comentários

Arquivado em Desocupações, teorias, tv

Problemas práticos do romantismo teórico – IX

Eu não sei quantos de vocês gostam de “How i met your mother” ou mesmo quantos de vocês sequer conhecem a existência da série (que por sinal é sensacional), mas teve uma cena na 3ª temporada dela que levantou uma questão que é meio bizarra nos dias de hoje: a de que o romance, assim como o açúcar e as bebidas destiladas, é algo com cujas grandes quantidades nós não sabemos lidar no nosso cotidiano. Nós pensamos nisso, talvez as garotas se ressintam da falta disso, mas em termos reais definitivamente não estamos preparados para lidar com certos graus de romantismo. Mas vamos à cena e ao contexto.

Continuar lendo

17 Comentários

Arquivado em romantismo desperdiçado, Sem Categoria

Histórias que não vamos querer contar aos nossos filhos

“Papai?”

“O que, Marcinha?”

“Como foi que você conheceu a mamãe?”

“Ah, minha filha, isso faz tanto tempo…”

“Ah, vai, pai, me conta!”

“Ok, filha…Foi numa festa…”

“Festa? Que tipo de festa? Uma festa de aniversário, papai?”

“Não, foi uma festa…festa-festa, festa mesmo.”

“Uma festa de boate, papai?”

“Não, era um tipo de festa que existia na nossa época…se chamava micareta…”

“Micareta? Nome engraçado! E como era isso de micareta?”

“Bem…humm…então…todo mundo se reunia, tocava música baiana e as pessoas ficavam lá…”

“Música baiana? Como aquilo que a tia Julia ouve, aquele tal de Caetano?”

“Não, filha, era outro tipo de música baiana…”

“Era bom? Canta um pouquinho pra mim?”

“Olha, filha, melhor não…A gente era novo, entende? Ouvia outro tipo de música, sabe?”

“Ah, pai, vai, canta!”

“Melhor não, filha, sério…”

“Canta! Canta! Canta!”

“Ok, ok, ok, só pára de chorar, pelo amor de deus…Tudo bem…Então…tinha uma que era assim…dança da manivela, dança da manivela, dança da manivela…”

“Só isso? Música boba, pai…Vocês iam lá por causa disso?”

“Na verdade não era bem por causa disso…”

“Era por causa do que?”

“Era porque…olha…filha…era porque todo mundo beijava todo mundo…”

“Beijava? Beijava como? Que nem eu beijo a vovó?”

“Não…que nem papai beija a mamãe…”

“Com a língua, pai?!”

“É, Marcinha…Com a língua…”

“Então você beijou a mamãe lá e ficaram juntos depois?”

“É, foi quase isso…Só que papai não beijou só a mamãe, entende?”

“Eu sei, papai também beija a vovó. Todo mundo beija a vovó no rosto. Até a Tia Julia, que disse que a vovó tinha que morrer…”

“Não, filhota, eu estou dizendo que na festa eu beijei mais garotas…”

“Você beijou mais garotas na mesma festa que beijou a mamãe?”

“E ela beijou mais rapazes também…”

“Como assim, papai? Na mesma festa você beijou a mamãe mas beijou outras garotas? E a mamãe beijou outros garotos? Como assim, papai?!”

“Olha, minha filha, era assim na época, sabe? E não foi só nessa festa…”

“Então…mamãe beijou um monte de garotos…num monte de festas? Mamãe e você iam em muitas festas?”

“Ah, a sua mãe ia em muitas festas…Muitas mesmo…E beijava muita gente…Muita mesmo…Depois você olha a caixinha de abadás que ela tem no armário…Na verdade sua mãe era até bem vagab—”

“O que é um abadá, papai? E vocês só beijavam?”

“Olha, Marcinha, quer saber? Esquece isso tudo…eu conheci sua mãe na missa, certo? Na missa, na hora da hóstia, aquele biscoitinho que dão pra gente…Agora vai pro seu quarto e continua vendo o maldito DVD da Barbie, ok?!”

9 Comentários

Arquivado em Mundo (Su)Real