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Anotações para um reality show imobiliário passado no Rio de Janeiro

caça casas

Seria como aqueles do Discovery Home & Health, com a diferença de que passaria num canal mais alternativo, como a Record, e teria um nome mais trocadilho nacional como “Os Caça-Casas”. O apresentador seria o Bruno de Luca, que teria seu contrato com a Globo rescindido após o lamentável episódio da ofensa ao funcionário do hotel e precisaria arrumar uma maneira de pagar as contas e recuperar sua reputação, operando num modo que varia entre o “IRAAAAADO” hiper-energético e o “ah, tá” quando ele lembrasse que antes andava com o Luciano Huck e o Faustão e agora convive com o Marcos Mion e o Geraldo Luís. Nunca mais foi convidado pra nenhuma festa do Aécio Neves. A galera que fez Malhação com ele não atende mais o telefone. Iran Malfitano vira as costas quando passa por ele na rua. Iran Malfitano, cara.

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Breve adendo ao dicionário de situações chatas que a gente vive por tabela

todd bojack

sempre acontece de madrugada. você tá ali no intervalo de um filme triste da sandra bullock, na pausa de um momento triste do desenho bojack horseman, no final de uma partida triste do pes 2015 (como são ruins os gráficos do pes 2015, meu deus do céu). tira o celular do bolso casualmente enquanto pega uma água, dá aquela conferida no instagram, passada de olhos no facebook, desiste do whatsapp porque no grupo da pelada ressuscitaram o vídeo em que um peixe pratica sexo oral num cara e você não tá vivendo um momento emocional que te permita assistir essas imagens outra vez. chega no twitter, puxa a barrinha pra baixo, e lá está, aquela cena que é tão clássica pra virada de sexta pra sábado na internet quanto a origem do batman é pra uma hq da dc, quanto o “ganhar da argentina é sempre mais gostoso” está pras eliminatórias sulamericanas: a gatinha pagando de carente na rede social.

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Mais dois momentos de saturação das redes sociais que testam um pouquinho demais o nosso caráter

dinesh

o elogio negativo: você tava até com uma certa vontade de assistir o filme. tinha visto o trailer, achado bacana, pinta de ser interessante. quando o primeiro amigo falou bem, você pensou aquele “ah, é bom mesmo então, né?” mas naquele sábado tava ocupado, não deu pra ver. na semana seguinte mais amigos elogiaram, cada vez com mais ênfase e você ficou “eita, mas deve ser top demais nesse caso”. mas os compromissos foram se emendando, o tempo foi escasseando, e os elogios tomaram também as redes sociais, cada vez com mais intensidade. “um filme que todo mundo devia ver”, “o melhor filme do ano”, “muito melhor que o filme x ou y”. você, que gostava do filme x ou y, que acha que o ano ainda tá muito no começo, começa a pensar que “ok, não tem como ser tão bom assim”. quando alguém diz que é um filme “obrigatório” e que “se você não gostar você não sabe o que é cinema”, você sente a sua curiosidade rapidamente se transformando num napolitano emocional com os sabores birra, antipatia e desconfiança, tudo servido numa taça com confeitos e até mesmo calda quente. quando começam a sair os textões no facebook, as resenhas emocionadas, as pessoas no twitter trocando o user delas pra nome de personagens do filme, você já está tão contra o filme que quando finalmente vai ao cinema pra assistir precisa comprar duas entradas, uma pra você e outra pra sua má vontade, que já assumiu um corpo sólido e ainda come quase toda a pipoca. você, claro, gosta do filme, era bom mesmo, mas nunca admite abertamente e evita discussões sobre o assunto por uns dois anos.

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Pessoas que comentam aquele seu post no facebook: #41

jammed

#o solução retroativa: e aconteceu um problema. é daquele problema que fica na zona cinza entre o problema grave, a perda pessoal, e o problema pequeno, a inconveniência da vida. o tipo de problema que poderíamos caracterizar como “problema meio foda”. seu computador pifou com a sua monografia dentro, perderam sua mala no aeroporto com suas roupas, estourou feio o cano do seu banheiro, chegou na cidade e o hotel alega que sua reserva não tá constando. você tá baqueado, tá chateado, destino te estapeou com a luva áspera da mágoa surpresa, mas você ainda acredita no semelhante e, visando obter o máximo de retorno possível, faz aquele post no facebook. “alguém sabe de um cara que recupera hd?”, “alguém já passou por isso com a tam?”, “conhecem encanador bom na zona sul?”. é um pedido de coração aberto, é uma solicitação focando nos amigos, é aquela mão de bytes estendida no cyberespaço em busca de um braço forte e ombro amigo que indique alguém que não cobra 300 reais só pela visita na zona sul, você compra as peças. surgem os amigos. um diz que vai ver com um primo que passou a mesma coisa, outro te recomenda um links, vários apertam no botão “solidário com sua dor ainda que não possa ajudar” do facebook.

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Registros de uma vida na sociedade do fail

lasier

Como qualquer um sabe, nunca antes a humanidade viveu num ambiente em que é tão fácil deixar para trás registros e memórias de si mesmo. Se os homens pré-históricos deixavam pinturas em cavernas, os povos antigos desenvolveram alfabetos e criaram os primeiros registros literários, e na era moderna chegamos a produção em larga escala de livros, ao registro em filme e foto, a acumulação de dados, hoje vivemos num período em que uma pessoa média pode fazer uso de um sem número de formatos para registrar seus atos. Temos fotos no instagram, temos vídeos no youtube, temos redes sociais onde podemos narrar cada passo do nosso dia, sendo limitados apenas pelo nosso próprio senso de constrangimento e pela volume de pessoas replicando “jovem, qual é a necessidade disso?” na nossa timeline. Continuar lendo

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Sobre inclusão digital, cupcakes e a sua mãe

Uma coisa que parece estar realmente em voga nesses últimos tempos na internet é reclamar da inclusão digital, seja ela exatamente o que for. As pessoas reclamam que o facebook está sendo orkutizado, que qualquer um compra um iphone, que a nova classe média não sabe usar a internet e os aeroportos, que o twitter deixou de ser um fórum elitizado onde se decidia o futuro do planeta para se tornar um espaço democrático de retuítes de piadas do Rafinha Bastos e meu irmão veio semana passada me dizer que o badoo é o “orkut do sexo”, o que não tem nada a ver com o assunto mas foi realmente uma surpresa pra mim. O badoo, sério? Nunca imaginei, na boa.

Mas mesmo assim não estou aqui para falar exatamente sobre isso. Não me incomodo com as piadas sobre a Preta Gil na timeline, não fico preocupado que os tumblrs sobre cupcake sejam soterrados por fotologs com imagens de broas de fubá, não tenho problemas com as pessoas que atualizam o status do facebook com músicas do Legião Urbana (na verdade até tenho, mas não quero falar disso agora). Não, nada disso. Pra mim o dado mais assustador de tudo isso, e fico impressionado que tão poucas pessoas reclamem dele, é que finalmente chegamos a um ponto em que nossas mães estão usando a internet.

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Tópicos avançados em estudos da internet

O paradoxo da opinião compulsória e do conteúdo não-colaborativo: Por conta do advento da interatividade nos meios de comunicação, várias pessoas se sentem obrigadas a emitir opiniões pouco embasadas sobre assuntos que não conhecem ou com os quais não se importam, gerando uma gama imensa de dados pouco ou nada relevantes cuja única função é tornar mais confusa, menos compreensível e vagamente mais engraçada a busca por informações na internet. Com isso cria-se uma espécie de buraco negro de geração de conhecimento, já que pra cada pessoa que usa a internet visando acrescentar conteúdo de qualidade existem 12 outras que querem corrigir o verbete da wikipedia porque confundiram laser com lazer ou que entram no orkut querendo o endereço da loja do submarino porque comprando direto economizam o dinheiro da entrega.

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Do you wanna date my avatar?

Um assunto que tem sido recorrente entre amigos, colegas, familiares, conhecidos e a página inicial da UOL e do Terra é o dos sites de namoro pela internet. Eu vejo matérias sobre isso, eu ouço comentários sobre isso, eu trabalho com um cara que faz uso dos serviços (com resultados bem válidos, pelo que ele diz) e, como já mencionei antes, tem aquele parente do meu amigo que usa o Par Perfeito pra dizer que é médico e conseguir transar com uma garota diferente a cada final de semana usando um nome falso (ainda que eu ache que ele vai receber algum tipo de retribuição cármica por isso, não sei).

O conceito é aquele de sempre: você cria um perfil, você se descreve, você coloca uma foto sua (possivelmente do tempo em que você ainda era magro) em que não dê pra ver aquela falha estranha no seu cabelo ou a cicatriz em forma de gancho na sua testa e espera o contato de pessoas que se interessem ou pesquisa ali dentro pessoas que pareçam ser interessantes pra você. Simples, tranqüilo, intuitivo e bem fácil de usar. Ou seja, uma boa idéia. Ou não.

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Adendos ao pequeno dicionário pessoal de sensações esquisitas

Cena 1

Você vê no orkut o perfil de uma garota que você conheceu e ela parece sensacional. As comunidades certas, o senso de humor, a cultura geral, quadrinhos, filmes, bandas, tudo onde você gostaria que estivesse. Ela também é bastante atraente ou então tem uma enorme capacidade para manipular fotos no photoshop, o que, ok, não é a mesma coisa, mas é uma qualidade a se respeitar. E você fica durante uns dez minutos pensando que ela é o tipo de garota com quem realmente seria interessante ficar, exceto pelo fato de que ela mora, não sei, em Tegucigalpa e provavelmente tem um namorado chamado Bruce Leroy que é versado em alguma arte marcial legal e é pastor de lhamas part-time. Ou nessa parte você está apenas viajando, é possível, você faz essas coisas. Aí você interrompe esse pensamento e sai com seus amigos para uma festa onde você conversa durante meia hora com uma garota que comenta contigo que odeia filme legendado porque não gosta de ler e as letrinhas dão preguiça. E você pensa se não existe algum tipo de descompasso entre certos aspectos chave da sua vida. Mas aí começam os shots de tequila e bem, você sabe como essas coisas são.

Cena 2

Você está em casa e um amigo diz que tem uma idéia “show de bola” pra uma “balada”. Você, mesmo não gostando da palavra “balada”, porque te faz pensar numa noite inteira ouvindo canções lentas da Joni Mitchell, topa e vai, junto com outros amigos, depois de ouvir meia hora de conversa sobre como é perto, divertido, bem freqüentado e interessante. Dentro do táxi, lá pela hora em que o taxímetro marcava uns dezoito reais, as palavras utilizadas para descrever o lugar passam a ser “alternativo”, “hypado” e “aconchegante”. Quando o taxímetro está em vinte e poucos reais você começa a desconfiar que ou o lugar é longe ou o taxista não sabe como chegar, ou mesmo as duas coisas, como você passou a imaginar depois que ele tentou soltar você e seus amigos na frente de uma boate gay alegando que lá era o lugar que vocês tinham pedido.

E por fim vocês chegam, em uma rua esquisita, vazia, distante de tudo, diante de um prédio antigo com aparência de abandonado. Ao lado dele um botequim onde um velho usando um tapa-olho e uma camisa da campanha do Collor toma cachaça no gargalo enquanto faz carinho em um cão aparentemente morto. Do outro lado da pista um carro destruído, provavelmente incendiado. O único som na rua é o dos passos de um grupo de rapazes de boné com camisas de cantores de hip-hop, que parecem estar rodeando os seus colegas, já que vão e voltam toda hora.

Você começa a reparar nas pessoas que estão entrando na “balada” e em cinco minutos conta três anões, um cara com uma espada, dois homens levando um grande saco plástico preto de conteúdo duvidoso e uma mulher sendo empurrada numa cadeira de rodas, desacordada. Você olha para a rua e nota que o último táxi que passou por lá foi o seu e por sinal o motorista parecia bem preocupado, tanto que arrancou muito rápido com o carro e tinha até proposto que vocês não abrissem a porta e sim saíssem pulando pela janela pra que ele não precisasse parar. Você se vira para a funcionária da entrada e pergunta quanto é pra entrar, ao que ela responde, coçando a barba com o ganho que tem no lugar da mão, que é dez reais, mas só vão abrir em meia hora e você vai ter que esperar na rua até lá.

Em algum lugar da sua cabeça um dos seus neurônios respira fundo e diz para si mesmo “éééééééé…”

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