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It’s nice to be out

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Como todo mundo sabe, eu estou solteiro. Mas não apenas solteiro, eu estou realmente sozinho, disponível e desinteressado. Mas não apenas solteiro, sozinho, disponível e desinteressado, eu realmente estou livre, sem estar apaixonado por ninguém. Eu sei, eu sei, “grande coisa”, vocês dirão, mas é porque vocês não tem a noção exata do quanto isso é incomum, afinal, desde os 7 anos que eu, com pausas curtíssimas, sempre estive apaixonado por alguém. Sempre. Desde quando fiquei gamado na filha do cara que consertava a máquina de lavar da minha casa até o final do meu mais recente semi-quase-relacionamento-traumático, eu sempre estive emocionalmente envolvido com alguém. Foram colegas de sala, de curso, amigas, vizinhas, ex-namoradas de amigos, colegas de crisma (?!), colegas de trabalho, semi-desconhecidas randômicas, balconista de locadoras, vendedoras de óticas,ou seja, basicamente quase todo tipo de garota com quem eu tive contato nos últimos 17 anos. E finalmente agora eu resolvi me dar uma folga e parar com essa bobagem.

 

Claro, eu sei que a culpa é minha. Eu admito, eu sou um cara fácil. Quer dizer, eu sou um cara muito fácil. Quer dizer, eu sou um cara extremissimamente fácil, daqueles que, se fossem uma garota, realmente teriam tido uma fama ruim no colégio. Eu consigo me apaixonar com uma facilidade extrema. (Um sorriso bonitinho? Estou apaixonado. Uma voz engraçadinha? Vamos namorar. Um senso de humor acima da média? Eu te amo. Você sabe o juramento dos Lanternas Verdes? Eu quero ter filhos com os seus olhos, vamos até um cartório agora!) E toda essa facilidade pra ver as qualidades nas mulheres ainda se soma com fatores como a minha imaginação fértil (saibam, quanto mais distante da realidade você vive, mais fácil gostar das pessoas), a minha total incapacidade de dizer não (meu deus, eu realmente teria tido uma fama ruim no colégio se fosse um garota…) e uma certa volubilidade da minha parte, que me permite estar apaixonado e não fazer lá muita coisa em relação a isso (para fins de auditoria, de todas as garotas por quem me apaixonei eu consegui ficar apenas com…duas…).

 

E com isso eu fui emendando uma paixão na outra. Me apaixonava, sentava em casa esperando passar(se você trocar o elemento feminino pelo vírus influenza isso fica impressionantemente parecido com o procedimento padrão durante uma gripe, não?)e me apaixonava de novo. Algumas vezes eu levei à sério e fui à luta, o que resultou, por exemplo, no meu namoro (eu iria dizer “segundo namoro”, mas me lembrei que decidi ignorar meu primeiro namoro para fins de cronologia), e em alguns outros bons momentos. E claro, também tive minhas curtas fases de paz, principalmente nos entre-guerras (períodos pós final de namoro), mas logo depois o meu instinto novamente se manifestava e eu ficava apaixonado. De novo.

 

Mas agora acho que algo mudou. Não sei se foi um natural amadurecimento (ainda que amadurecer não seja tão natural assim pra mim), uma certa desilusão com o gênero feminino (experimente assistir uma temporada inteira de “Sex and the city” e reparar em duas capas de “Nova” e me diga se você não vai gostar menos das mulheres…) ou mesmo o fato de que agora eu tenho um computador melhor e dinheiro para comprar um playstation, mas eu acho que acabei ficando mais difícil. Acho que hoje já consigo resistir a um sorriso bonitinho, a uma voz engraçadinha e a um senso de humor acima da média. Uma mulher que saiba recitar o juramento dos Lanternas Verdes? Bem, uma coisa é ficar frio e sem esperanças, outra muito diferente é se esconder do amor verdadeiro, não?

 

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Arquivado em Vida Pessoal