Arquivo da tag: listas

Por uma curta categorização das amizades e derivados com os quais a gente meio que não sabe lidar direito

_48160439_google_horse_boy_466

a garota de quem você ficou amigo com a intenção de “pegar” mas acabou nunca “pegando” e agora tem namorada e não vai mais “pegar” – no começo era tudo físico. o bar era lotado, era amiga do amigo de uma amiga, os olhares se encontraram, aquela troca de palavras que fingia simpatia e interesses em comum mas era na verdade apenas a versão conversinha da introdução instrumental de uma música do r. kelly. um precisou sair mais cedo, o outro disse pra procurar no facebook. se adicionaram, trocaram uma ou outra mensagem, agendas não batiam, datas nunca coincidiram e no meio dessa adorável confusão você conheceu sua namorada. bang. interesses repensados, atenção total e completamente redirecionada e nos últimos anos você apenas não deletou a menina no facebook e no twitter por um certo senso de culpa e uma ideia de que seria meio canalha descartar uma pessoa apenas porque não tem mais intenção de fazer sexo com ela. nesse instante ela está postando um texto sobre como votar 0000 nas eleições vai obrigar o brasil a voltar pra monarquia e você está se perguntando como tem gente que reclama da monogamia.

Continuar lendo

3 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, Desocupações, Gente bizarra, romantismo desperdiçado, Sem Categoria, situações limite, teorias, Vida Pessoal

A mais longa playlist de músicas tristes (ou relativamente tristes) do universo: itens #556, #557, #558 e #559

o-ZACH-GALIFIANAKIS-SNL-MONOLOGUE-facebook

#556 – Peter and Kerry – Split for the city: Baseada no terror inato e primordial de não estar lendo os sinais, não estar pegando as deixas, não estar entendendo as pistas e ela estar fazendo as malas pra ir embora e levando o gato enquanto você apenas se pergunta porque uma bolsa tão exageradamente grande só pra ir comprar o café que acabou – “e você sabe que o Willie sempre espirra quando você leva ele nessas padarias” – essa cançãozinha disfarça como pop vagamente dançante um monstro lovecraftiano mais perverso e aterrorizante que Cthulhu, que é o “eu ainda te amo mas acho que não estou mais apaixonada por você”. Para pistas de dança com espaço para você se deitar em posição fetal enquanto bebe vodka de canudinho.

Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Desocupações, Músicas e derivados, Music Review, Song-Book

Colegas que não ajudam o seu trabalho #23, #24 e #25

Andy-Bernard-e1318612354948

O cagão – Extremamente cioso da própria posição profissional, esse colega apresenta um estado constante de total e completa paranóia em relação a sua manutenção no emprego. Ele tem medo de contrariar o gerente, receio de discutir com o coordenador, pavor de contradizer o supervisor, não gosta de se envolver em argumentos com colegas de trabalho, evita questionar pessoas da outra gerência e uma vez foi visto trazendo um café para o estagiário porque ele parecia meio chateado e nunca se sabe que contatos aquele garoto pode ter. Incapaz de negar uma solicitação, questionar uma ordem ou apenas avisar que montar a árvore de natal da gerência não é exatamente trabalho de designer, a tendência natural desse profissional é sempre a de acumular demandas sem sentido, se perder em tsunamis de retrabalho e ficar até as 20:00 no escritório revisando o convite pra festa de 15 anos da tartaruga de um gerente que pediu com muita insistência. Ainda que visto como um perigo apenas para si mesmo, ele quase sempre arrasta em sua paranóia seus colegas de setor, que acabam envolvidos nas suas atividades e passam muita raiva, principalmente por sempre terem sido péssimos montando essas árvores de plástico. Aqueles encaixes apenas não fazem sentido pra mim, sério.

Continuar lendo

8 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, Gente bizarra, homens trabalhando, trabalho, Vacilo, vida profissional

Pessoas com quem você não quer topar durante uma reunião #97, #98 e #99

o-DAVID-BRENT-facebook

#97 – O Ted Mosby: Um contextualizador obsessivo, o Ted Mosby sente uma necessidade incontrolável de, diante de qualquer questão, por mais simples e inócua que seja, oferecer um panorama completo, histórico e detalhado de todos os aspectos relacionados ou não, conseguindo transformar qualquer discussão, mesmo que absolutamente superficial, numa verdadeira palestra. Ele não consegue falar sobre o fluxo de caixa sem apresentar o plano de negócios, não consegue apresentar o projeto sem discutir a missão, não consegue citar o nome de alguém sem mencionar toda a equipe, incluindo background, formação e habilidades específicas e certa vez, quando alguém perguntou quem tinha feito aquele café delicioso ele começou com a frase “a história do café começou nas terras altas da etiópia no século IX…” e todos só conseguiram sair da sala quando o cara da segurança apareceu pra dizer que precisavam apagar as luzes.

Continuar lendo

12 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, Gente bizarra, homens trabalhando, situações limite, teorias, Top, Vacilo, vida profissional

Por uma breve taxonomia das reclamações injustificadas

elaine

A reclamação desvinculada – Um clássico da era da informação e das redes sociais, esse é provavelmente o tipo mais comum de reclamação contemporânea e consiste em expressar sua contrariedade e indignação em relação a algo que não apenas não tem você como público-alvo como possivelmente nem tem relação direta com a sua pessoa, como se a simples existência desse elemento, ainda que totalmente isolado do seu ambiente pessoal e num nicho que você necessariamente não precisaria freqüentar, fosse algo absolutamente ofensivo e que gera imenso ódio e fúria incontrolável.

Continuar lendo

5 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, Gente bizarra, Internet, referências, teorias, Top

5 sugestões de músicas para um pancadão efetivamente neurótico

MC Sapão – Eu tô tranquilão (apenas no exterior já que por dentro ando me roendo de insegurança em relação ao nosso relacionamento)

MC Leozinho – Ela só pensa em dançar (o que tem me deixado meio preocupado porque ela está me dando menos atenção e eu acho que isso só pode querer dizer que ela quer terminar)

MC Marcinho – Tudo é festa (exceto pra mim porque eu não consigo me concentrar nas comemorações já que mandei esse sms pra ela dez minutos atrás e ela ainda não respondeu, o que só pode querer dizer que ela quer terminar)

Continuar lendo

12 Comentários

Arquivado em Desocupações, Músicas e derivados, Sem Categoria, situações limite

A praticamente interminável playlist sobre mal-entendidos e brigas de casal: itens #12, #13, #14, #15 e #16

Moonlighting-tv-04

#12 -Joe Cocker – Don’t let me be misunderstood: Possivelmente o mais próximo que uma canção romântica consegue chegar de uma declaração formal de desculpas após uma acusação de violência doméstica, essa balada de Joe Cocker se tornou um clássico por aliar em poucas estrofes não apenas claros sinais de bipolaridade do eu-lírico como também aquela postura “só deus pode me julgar” tão presente nos grandes romances, nos grandes adesivos de carro e nos grandes perfis de orkut. Ótima trilha para episódios de Linha Direta, dramatizações durante a madrugada na Record e declarações do tipo “não é nada disso que você está pensando” quando é exatamente aquilo que ela estava pensando e nem é a primeira vez.

Continuar lendo

7 Comentários

Arquivado em Músicas e derivados, Top

3 grandes vitórias pessoais do ano de 2011

Ser pago pra escrever – Uma sensação que eu sempre imaginei que deve estar entre as melhores do mundo é a de ser pago pra fazer aquilo que você ama. Não aquilo que você suporta, não aquilo que você tolera, não aquilo que você faz pela grana, não aquilo que você acha que pode agüentar durante vários anos se beber bastante e for tentando se motivar com atividades paralelas e apostas pessoais como “vou levar pra reunião esse projeto visual que envolve gatos halterofilistas como imagem de fundo para os comunicados de reestruturação corporativa, só pra ver o que rola”. E depois de ter, durante esse ano, pego alguns frilas que me permitiram ser pago pra escrever em outros lugares basicamente o mesmo tipo de coisa que eu escrevo aqui, eu posso dizer sem medo que a sensação é ainda melhor do que eu esperava.   Continuar lendo

11 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, crise de meia meia idade, quadrinhos, Vida Pessoal, vida profissional

5 status pós-termino de relacionamento

Amizade fraterna: E vocês terminaram. Não por conta de brigas, não por conta de problemas, não por conta de algum conflito impossível de solucionar, mas sim porque gradualmente os caminhos que antes se cruzavam viraram retas paralelas e vocês concluíram que, ao menos romanticamente, nunca mais iam se encontrar. Do tempo juntos ficou o carinho, ficou a intimidade, ficou uma certa sintonia e todo aquele conhecimento que um tinha sobre o outro. Você sabe que pode contar com ela quando fica chateado, ela sabe que pode contar com você quando fica triste, e vocês sabem que o amor que um dia sentiram não sumiu, apenas se transformou num sentimento bem menos físico e muito mais próximo da amizade. Ou ao menos é isso que vocês sempre explicam quando todo mundo vem dizer que é óbvio que vocês ainda tão transando e esse papinho de amizade e retas paralelas só pode ser sacanagem, na boa.

Continuar lendo

15 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, teorias, Top

Top 5 – Formas clássicas de terminar relacionamentos

Término em local privado: Terminar é uma tarefa das mais duras e complicadas, que você não pediu e nem gostaria de ter recebido, mas acabou caindo nos seus ombros. Então, em respeito ao seu parceiro, ao tempo que vocês passaram juntos e a tudo que aconteceu entre os dois, você decide que a melhor maneira de informar sobre a sua rescisão unilateral desse contrato bonito que foi o relacionamento de vocês é num local íntimo em sua casa ou na casa dela, onde os dois podem conversar com calma, sem a impessoalidade de um local aberto ou a presença de pessoas desconhecidas. Apenas vocês dois, celebrando um passado em comum e pensando num futuro que ambos esperam que seja feliz. Prós: discrição, privacidade, dá pra fazer nuggets se alguém sentir fome. Contras: se ela começar a tirar a roupa e disser que quer sexo de despedida fodeu tudo.

Continuar lendo

20 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, Internet, romantismo desperdiçado, situações limite, Vida Pessoal