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Novas aventuras em lo-fi #19

Uma coisa engraçada da adolescência é que, apesar de ser possivelmente a época mais rica em transições, revoluções e reviravoltas que qualquer um de nós chega a ter na vida, já que não apenas não temos o controle de muitas das coisas que nos acontecem (quando se tem 16 anos não se pode escolher a casa onde se mora, o colégio onde se estuda, o curso de inglês que se faz ou que fotos suas vão ou não ser exibidas quando as visitas chegam na sua casa) como também estamos num momento de diversas transições pessoais (emos viram grunges, que viram hipsters, que viram metaleiros, que viram pagodeiros, que resolvem mudar o nome pra um símbolo como se fossem o Prince), ela consegue ser ao mesmo tempo a época das decisões mais contundentes, das opiniões mais fortes, das convicções mais firmes. Continuar lendo

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Novas aventuras em lo-fi #7

Como eu já mencionei em oportunidades anteriores (mas negarei sem problemas se algum dia minha vida depender disso) eu realmente não me dou bem com hip-hop, tenho certas restrições ao r&b e sou um pouco implicante com rap, provavelmente por ser gago e ficar deprimido quando penso que algumas pessoas falam 30 palavras por minuto enquanto eu teria que mandar um sms pros bombeiros se meu apartamento pegasse fogo. Ainda assim, eu nunca me cansei de admitir que os clipes desses gêneros estão quase sempre entre os melhores já feitos pela humanidade em termos de conceito, roteiro, execução, atuação, figurino e tudo mais. E mesmo diante da competição pesada que existe numa vertente que já nos ofereceu desde “Because i got high” até a já citada aqui “Sexy Bitch”, um clipe que entrou facilmente na minha lista de favoritos foi o da já clássica Buzzin’ do querido e simpático Shwayze. Continuar lendo

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Novas aventuras em lo-fi #13

meredith

Existem canções que, mais do que divertir, mais do que entreter, mais do que mostrar seu valor como produto artístico, acabaram ganhando status de revolucionárias, seja por sua mensagem, por seu contexto ou por seu significado dentro de um plano maior do que a da música em si. “Imagine” foi o libelo de John Lennon para um mundo de paz, amor e pessoas cabeludas na cama; “Respect” foi o grito de Aretha Franklin que se tornou hino feminista na virada da década de 60; “Blowin’ in the Wind” afirmou Bob Dylan como o bardo de uma geração e “God Save the Queen” foi um marco do movimento punk, que ultrapassou o campo musical e se tornou um estilo de vida que você não quer que sua filha tenha. E hoje venho aqui para pedir que seja adicionada nessa lista de músicas que atingiram corações e mentes, mudando o mundo e a forma como nós o vemos, uma simpática canção chamada “Copo de Vinho”, do lendário funkeiro Robinho da Prata. Me deixem explicar por quê.

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Novas aventuras em lo-fi #9

Uma coisa que acontece com freqüência quando a gente é garoto, não sabe falar inglês direito ou apenas ouve as músicas de relance é não sacar muito bem qual que era o exato conceito da canção e acabar vivendo a vida tranqüilo, de boa, mas com uma visão distorcida do que está rolando naquela faixa 4. Pensamos que “Santeria” era uma música romântica sobre Miami e não sobre como queremos matar um cara chamado Sancho; confundimos hinos de solteironas com canções sobre tempo virando; pensamos que o Billy Idol queria mesmo ajudar o peixe e ficamos horas nos perguntando porque nas festas do Cláudio Zoli rolava intercâmbio de biquínis. E uma dessas canções que eu conhecia desde moleque mas cujo sentido eu realmente nunca tinha alcançado até um dado momento no metrô carioca – coração batendo forte sentido zona norte – é “Quase um Segundo”, dos Paralamas do Sucesso.

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Novas aventuras em lo-fi #3

Eu não curto muito hip-hop americano*. Nada pessoal, nada contra, apenas não rola aquela identificação conceitual (eles são grandes, eles falam sobre prostitutas e brigas de gangues e, no caso do Eminem, querem matar a própria mãe, ou seja, realmente não faz sentido pra mim) e muito menos aquela compreensão da letra (se eu não agüento um amigo meu falando durante 5 minutos sobre como é mau, fodão e transa com todo mundo, porque eu agüentaria um desconhecido, certo?), o que faz com que o hip-hop seja possivelmente um dos ritmos pelos quais eu demonstre menos interesse (ainda que eu ache o Snoopy Dogg engraçado e sempre tente me manter atualizado quanto ao nome atual do P. Diddy e coisas do tipo)

Por isso quando eu domingo passado na sala, meio gripado, despenteado e abraçado a um edredon como se fosse o Linus em Peanuts, apenas a inércia me fez manter a TV no Multishow durante uma daquelas intermináveis e dolorosas sessões de clipes que eles têm, que deveriam servir pra mostrar o que faz sucesso hoje em dia mas na maior parte do tempo só servem pra nos lembrar de que sim, o mundo merece acabar numa imensa bola incandescente e isso vai acontecer ao som de Jonas Brothers e Cine.

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