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Você não é o que você ouve (ou lê, ou assiste) ou “Rob Gordon estava meio errado”

falamsana

Seres humanos são criaturas complicadas. E não falo apenas por todos os momentos em que você vê alguém fazendo algo absurdo, inexplicável ou apenas constrangedor e se vê coçando a cabeça e dizendo “é, complicado…” mas porque somos realmente complexos, em qualquer nível de análise.

Temos traços de personalidade conflitantes, atitudes contraditórias, um processo de comunicação cheio de sutilezas e nuances, uma variedade de características positivas e negativas imensa demais para ser realmente catalogada. Como eu já disse, somos complicados.

E por isso um recurso que sempre usamos, pra lidar com as outras pessoas e com toda a complexidade que elas representam, é a generalização, a simplificação, que é a nossa maneira de deixar de lado toda essa complicação e tirar daquela pessoa uma sinopse, uma imagem aproximada, sem ter que navegar em todos os detalhes que formam aquela personalidade. Por exemplo, Pedro não é “um cara tímido porém carente que lida com suas inseguranças usando o humor como escudo”. Pedro é “metido a engraçadão”. E pronto.

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Algumas grandes pessoas imaginárias que em algum dado momento você inventou para fugir de algum compromisso, convenção social ou evento familiar, devido ao fato de que você é muito tímido para dizer não e inseguro demais para contrariar abertamente seus amigos e conhecidos

Gob-Bluth-and-Franklin-Bluth

a garota muito gata em quem você tava chegando: eles insistiram demais. você disse que não no bar, mas ele perguntaram de novo no outro dia, você falou que não podia pelo facebook mas te mandaram mensagem no whatsapp, você desligou o celular mas telefonaram no fixo, você tirou o fixo do gancho e no mesmo instante a campainha tocou e era só o cara do delivery mas mesmo assim. ficou o susto e a comidinha chinesa desceu com gosto de terror. você já tinha tentado ser sincero antes mas não tinha rolado – “quem fica em casa vendo buffy num sábado a noite, cara, que isso”. você já tinha tentado mentiras mais sutis mas não tinha rolado – “a gente não se importa se o campeonatinho do modo ultimate do fifa que vale mais pontos acaba em doze horas, fera”. você já tinha apelado até mesmo para desculpas que numa época mais antiga tinham dado certo, mas sem sucesso – “tu disse que sua mãe tava doente mas ela tá postando no facebook foto na praia, joão, que doença é essa?”. mas nada disso funcionou e você decidiu apelar. “cara, não posso, vou sair com uma gostosa” – “opa, a gente conhece?” – “não…não conhece…ela…ela…é de macapá. tá no rio de passagem, tem que ser hoje” – “e tem amiga?” – “não tem, nunca teve…quer dizer, veio sozinha” – “que beleza, se rolar depois encontra com a gente então”. você fica em casa mas gasta 2 horas da sua noite escrevendo uma espécie de bio da menina imaginária, envolvendo interesses (“gosta de cinema europeu, cachaça da roça, programa roletrando”), passado (“trancou a faculdade de sociologia no meio pra mochilar pelo estado de goiás”) e hábitos (“uma vez ela quis chutar um chihuahua e eu tive que impedir”). no dia seguinte ninguém te pergunta nada sobre o encontro imaginário e você se sente um pouco rejeitado.

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Algumas playlists extremamente específicas para momentos um tanto quanto particulares

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Cinco canções pra quando você está tentando se animar pra sair com seus amigos mas não está exatamente animado porque não apenas não acredita no rolê como também já se sente envolvido emocionalmente com alguém e imagina que ainda que isso não vá necessariamente te imobilizar em termos pessoais porque não é nada sério mas poderia vir a denotar uma certa falta de romantismo da sua parte com a qual você mesmo não quer conviver

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Quando você diz que sente falta de ser solteiro eu penso em…

himym-right-place-right-time-cowboy-ted

# e ali você era o inocente útil. falaram que queriam te convidar por causa da música, que pensaram em você por conta do lugar, que tu não podia ficar de fora por causa da comida, mas na verdade você tava ali pra completar quatro no táxi, longe pra caramba a barra da tijuca, bandeira dois moendo, vai saber. chegando lá a música era ruim, a comida era cara, a faixa etária era errada e um cara muito musculoso coberto de glitter num dado momento tirou a camisa e quis te abraçar, te chamando de rômulo, você tá muito confuso. sentado na mesa, olhar perdido, perguntou pro garçom a senha do wi-fi, ele disse que ia trazer, trouxe um drink hi-fi, tu nem gosta de fanta laranja. começa a resmungar com seu casal de amigos em voz alta, diz que quer voltar, arca com a despesa do táxi, arca com a despesa do bar, arca com a dívida externa de diversos países em desenvolvimento, só quer ir pra casa. na mesma mesa, desolada, gatinha amiga da amiga da amiga, também dano colateral da balada, pratica os mesmos resmungos, não tá nada feliz, a aparência é de tristeza e abandono. amiga senta entre vocês dois, já mais alta que uma pipa, falando engrolado porque enrolado é complicado de falar. diz que vocês tão perdendo a festa, fala que precisam aproveitar, abraça os dois, fala que são duas pessoas ótimas, que na verdade até combinam, ela queria juntar os dois, te chama de rômulo também, você começa a achar que tá tudo errado. amiga insiste, você levanta a cabeça, olha pra gatinha com aquele ar de “estou constrangido mas aí até aprovo esse esquema se você quiser eu tô beleza, aproveitar essa noite linda, que tals?” e vê nos olhos da gatinha uma negação e um terror abjeto nunca dantes vistos pelo homem, já que a warner não quis financiar aquela versão do del toro pras montanhas da loucura do lovecraft. paga a conta, paga o táxi, paga o parabéns, vai pra casa, liga o xbox, entra na live, conexão tá ruim, perde de sete a zero porque o time se move em slow motion, vai dormir. a fanta laranja do hi-fi ataca a tua gastrite durante a noite.

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5 estilos de dança das pessoas que não sabem dançar

david bowie
O pulo
– Possivelmente uma das reações mais comuns entre as pessoas que não sabem dançar quando expostas a alguma situação de dança obrigatória, o pulo consiste na maneira mais fácil de executar algum tipo de movimento, ainda que não-ritmíco, de forma a tentar se misturar a um ambiente no qual todos se encontram, de uma maneira ou de outra, dançando. Utilizado com variados graus de êxito dependendo do local e da música de fundo – show aberto envolvendo rock/alto sucesso, cerimônia de casamento na hora da valsa/baixo sucesso, canções específicas durante shows de Sandy e Junior ou Van Halen/êxito total – o pulo, em suas diversas variações, é uma das formas mais primitivas de mostrar que você está animado ou pressionado demais para ficar parado mas ainda não bebeu o bastante para tentar ensaiar passinhos ou fingir que está manipulando uma bola imaginária de energia [ver: “passinhos de rave”]

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Breves conceitos para uma análise das sub-amizades

A amizade de ocasião: nascida quase sempre de forma fortuita e majoritariamente derivada da exposição de pessoas a um ambiente hostil e desconhecido, a amizade de ocasião é o melhor exemplo de relacionamento instrumental, no qual duas pessoas desenvolvem um vínculo – tênue ou não – apenas pelo período necessário para que superem uma situação específica ou supram uma necessidade pontual, sem que exista necessariamente o planejamento ou intenção de que essa relação seja mantida fora daquele contexto ou após aquele período. Como exemplos de amizade de ocasião podemos mencionar aquela sua extrema simpatia pelo seu vizinho que comprou um videogame novo antes de você, aquela sua profunda ligação com a colega nova do trabalho até notar que ela não tinha amigas gostosas e todas as noites em que você, bêbado, aluga o garçom falando sobre como sente falta da Luana e terminar com ela foi o pior erro da sua vida. Continuar lendo

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É estranho sentir saudades de um Ronaldinho que eu nunca vi ou evitava ver?

E agora ao que parece uma das ondas mais bacanas do futebol brasileiro é reclamar do Ronaldinho Gaúcho. Jornalistas questionam os excessos de sua vida noturna, ex-jogadores discutem sua apatia em campo, comentaristas elucubram sobre seu posicionamento tático, Neto diz que ele não teria vaga nem na reserva do Guarani e, o mais perceptível, a grande massa dos torcedores reclama que ele não é mais aquele Ronaldinho que ele era no Barcelona. Sim, Ronaldinho já não cabe mais nas roupas que cabia, já não enche mais a casa de alegria, os anos se passaram enquanto ele dormia e o futebol dele agora é tão deprimente quanto uma música do Nando Reis.

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Breves sensações instigantes que uma pessoa que não bebe nunca vai ter #1, #2 e #3

A sinceridade de bêbado: Imagine um mundo onde não existe mentira. Sim, amigo, um mundo sem disfarces, um mundo sem sutilezas, um mundo sem reações estudadas, respostas planejadas e pessoas dissimuladas, ainda que com chão deslizante e maçanetas que se mexem. Parece surreal? Parece distante? Bem, pois saiba que toda essa magia está a apenas 2 ou 8 doses de vodka de você, dependendo apenas da sua resistência pessoal, de você estar ou não de estômago vazio e do quanto você quer mesmo chegar consciente no trabalho amanhã.

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Mais adendos à lista imensa de palavras que você não deveria pronunciar durante um primeiro (ou segundo, ou terceiro, ou quarto) encontro

Ex, namoro, x-men, cronologia, condicional, pré-crise, ressaca, freira, fantasia, jesus, matraca, masturbação, girafa, bobina, relatório, gerente, batman, siamesas, meleca, viagra, relacionamento, confiança, ciúme, herpes, testemunho, fiança, advogado, condicional, toquinho, metrossexual, gordinha, gordinho, pornô, faxina, taxidermia, cristais, extermínio, câmbio, estrepolia, danadinha, vibrador, banheira, flamengo, corinthians, bandeirinha, carbono, necrofilia, vovó, papai, mamãe, terapia, clínica, reabilitação, asno, anões, bolívia, marcinha, pedrão, prima, suruba, sauna, eslavos, zagallo, trivela, cachaça, prosopopéia, priapismo, solitária, carente, xena, reducionismo, alienação, membrana, cirurgia, corisa, desmanche, galápagos, fugindo, polícia, nestor, macete, 4chan, hentai, tentáculos, metalizado, figurinha, malandrão, boné, ronco, colegiais, menudos, lambada, motosserra, prótese, virgem, apartheid, rodriguinho, girondinos e jordy.

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Top 5 – Grandes preleções motivacionais pré-noitada que eu já ouvi

#1 – “Cara, a gente precisa chegar. Porque nós somos a nata dos solteiros desta merda de cidade. Nós ganhamos bem, nós somos inteligentes, nós somos formados, nós não somos tão feios. Nós somos o que qualquer garota aqui pode querer da vida, certo? Ninguém aqui fica devendo nada pra nenhum outro cara desta festa, então não tem razão nenhuma pra não chegar, tem só que ter coragem, confiar no taco e partir pra cima, ok? Vamos lá? Vamos lá!”

“Pô, gostei do discurso, passou confiança. Vai chegar em quem, na loirinha?”

“Ah, não, muito acima da minha liga. Na verdade tô pensando em ir pra casa ver um filme. Mulher bonita demais aqui, nem rola. Precisamos ir em lugares piores, cara….”

#2 – “Somos solteiros, certo? E quem tá solteiro tem que fazer o que? Hein? Não quero ninguém de frescurinha, de romancezinho, de charminho aqui não, certo? É pra chegar chegando e não vou admitir gente que volte no zero a zero ou que fique de namoradinho aqui nesta porra! E quem é sabe do que eu tô falando! Hoje quem começar a perguntar nome vai ser apelidado de Sidney Magal, certo? Pára com a veadagem então! Agora só espera um pouco que minha noiva ta me ligando e se eu não atender eu tô ferrado…”

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